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domingo, 22 de setembro de 2019
Um Dia Pouco Haverá Na Europa Para Supervisionar Em Matéria De Mercados Financeiros
«Um dia pouco haverá na Europa para supervisionar em matéria de mercados financeiros, pois a pesada regulação será dissuasora para a realização de negócios neste domínio.»
Durante o mês de agosto, o jornal “Financial Times” publicou um artigo de Robin Wigglesworth onde aborda a problemática da japonização da economia europeia. A atual conjuntura de baixas taxas de juro está a arrastar a economia da zona euro para uma situação de refém da política monetária acomodatícia do Banco Central Europeu.
O termo “japonização” é usado para ilustrar os quase 30 anos em que a economia nipónica se debate para combater a deflação e o crescimento anémico, enquanto a política monetária distribui estímulos extraordinários, mas de eficácia reduzida.
Para os investidores de longo prazo, como os fundos de pensões e seguradoras, trata-se de um desafio difícil de suportar por muito tempo. A forte valorização do mercado acionista vai equilibrando as responsabilidades futuras. Contudo, a subida das ações assenta mais no aumento da procura, devido às baixas taxas de juro das obrigações e depósitos, do que nos resultados da atividade económica.
Para os bancos, que estão cada vez mais mergulhados em normas regulatórias no que respeita ao mercado de capitais, por oposição ao que se passa nos Estados Unidos, as taxas de juro negativas apresentam-se, também, como um enorme desafio. A dicotomia – regulação versus supervisão – é cada vez mais estreita na Europa. Um dia pouco haverá para supervisionar em matéria de mercados financeiros, pois a pesada regulação será dissuasora para a realização de negócios neste domínio.
A competitividade das empresas americanas, ou inglesas, acontece não só pela maior flexibilidade regulatória de que beneficiam, mas sobretudo pela enorme diferença de liberdade no acesso ao investidor final. Na Europa, colocou-se o investidor dentro de uma redoma de vidro. Nos Estados Unidos, o investidor permanece em liberdade, sob a atenta supervisão das entidades competentes que não proíbem o negócio, mas sancionam severamente os infratores quando a ética é beliscada.
Mário Draghi abordou esta diferença de competitividade na última reunião de setembro, em que o BCE voltou a descer os juros. Disse que as empresas europeias dependem muito mais do financiamento bancário para crescerem, quando comparadas com as congéneres norte-americanas.
Os estímulos dados pelo BCE à economia podem não estar ainda esgotados. No entanto, se os governos não encetarem uma política fiscal de aumento do investimento público para estimular a economia, poderemos acabar como o Japão, em que o banco central é um dos principais compradores de ações no mercado acionista japonês.
Miguel Gomes Silva, JE
Chove Muito, Chove Excessivamente ...
Chove muito, chove excessivamente...
Chove e de vez em quando faz um vento frio...
Estou triste, muito triste, como se o dia fosse eu.
Num dia no meu futuro em que chova assim também
E eu, à janela de repente me lembre do dia de hoje,
Pensarei eu «ah nesse tempo eu era mais feliz»
Ou pensarei «ah, que tempo triste foi aquele»!
Ah, meu Deus, eu que pensarei deste dia nesse dia
E o que serei, de que forma; o que me será o passado que é hoje só presente?...
O ar está mais desagasalhado, mais frio, mais triste
E há uma grande dúvida de chumbo no meu coração...
Álvaro de Campos
sábado, 21 de setembro de 2019
Quando Se Olha A Campanha Eleitoral ...
Manuel Falcão, J Negócios
A culpa não é do cepticismo (...), a culpa é de um sistema político e partidário que protegeu a mentira e a desresponsabilização dos eleitos face aos eleitores. A culpa é de um sistema em que os resultados provocam situações como esta: a geringonça governou o país com base na vontade de apenas 28% do total de eleitores possíveis. Obteve 2,7 milhões de votos no PS, Bloco e PC, num total de quase dez milhões de eleitores inscritos. Metade não vota. O poder acaba por ser exercido por uma minoria que é cada vez mais minoria, porque a abstenção vai aumentando e os novos eleitores não acreditam no sistema. Será possível reganhar a confiança dos eleitores? Será possível combater a abstenção entre os novos eleitores? Quem manda fica tranquilo se a maioria dos cidadãos até aos 35 anos ficar fora do sistema, como está a acontecer? Sem mudanças profundas, da lei eleitoral ao modelo de campanhas, nada disto mudará e a crise de falta de representatividade ainda se acentuará mais.
Quais São As Tuas Palavras Essenciais?
Quais são as tuas palavras essenciais? As que restam depois de toda a tua agitação e projectos e realizações. As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem. As que talvez ignores por nunca as teres pensado. As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha.
Vergílio Ferreira
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Notícias Ao Fim Da Tarde
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Depois De Tantos Pareceres Negativos Sobre O Projecto Do Aeroporto Do Montijo, O Que Move O Governo Para Teimar Na Execução Da Obra?
São várias as organizações não-governamentais de ambiente que dão parecer negativo ao Estudo de Impacto Ambiental, que esteve disponível para consulta pública até quinta-feira. A Zero junta-se aos pareceres desfavoráveis e aponta "gravas" falhas ao documento.
As críticas e as falhas apontadas pelas organizações são muitas. O prazo da consulta pública do Estudo de Impacto Ambiental terminou esta quinta-feira e os ambientalistas não ficaram indiferentes e afirmam que existe uma "pressão política inaceitável" para a execução da obra.
"As organizações não-governamentais (ONG) de ambiente GEOTA, LPN, FAPAS, SPEA e A Rocha dão parecer negativo ao projeto do aeroporto do Montijo e respetivo Estudo de Impacte Ambiental, considerando que este falha em todas as vertentes relacionadas com a avaliação de impactes, a mitigação e as medidas compensatórias", afirmaram num comunicado conjunto, na quinta-feira. (continuar a ler rtp notícias)
Cada Português Que Se Preza ...
É escusado. Cada português que se preza é uma muralha de suficiência contra a qual se quebram todas as vagas da inquietação. Conhece tudo, previu tudo, tem soluções para tudo. E quando alguém se apresenta carregado de dúvidas, tolhido de perplexidades, vira-lhe as costas ou tapa os ouvidos. Um mínimo de atenção ao interlocutor seria já uma prova de fraqueza, uma confissão de falibilidade. Quanto mais apertado o seu horizonte intelectual, mais porfia na vulgaridade das certezas que proclama. Não à maneira humilde e cabeçuda dos que se limitam a transmitir sem análise um saber ancestral, mas como um presumido doutor, impante de mediocridade. (Miguel Torga)
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
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