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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

O Assalto Fiscal

As receitas do estado são, no essencial, impostos. Em cada 100€ que entram nos cofres do Estado mais de 92 têm como proveniência os impostos que pagamos. Interessa-me pouco o Benfica-Sporting da política no campeonato de quem patrocina a maior carga fiscal de sempre: os dados estatísticos são o que são. Em 2018, entraram na conta do Estado, em média, 4.309,7€ de cada português, entre impostos diretos e indiretos. Em 2015 foram 3.750,6€ e no ano 2000 eram 2.496,6€.

Olhemos para o IRC. Os dados de 2018 demonstram que temos a segunda taxa mais alta da OCDE (31,50%). É um absurdo. Os players que competem no nosso campeonato oferecem a quem quer investir nos seus países muito melhores condições: na Holanda são 25% tal como aqui ao lado em Espanha. Na Eslováquia 21% (menos 1/3 que em Portugal!). Na Estónia ou na Letónia, 20%. Na Polónia ou na República Checa 19%. A mesma taxa é praticada na Eslovénia. Na Lituânia são 15% e na Irlanda 12,5%. Como podemos atrair investimento?

Mas mantenha as mãos no ar. Quando vai ao supermercado paga, normalmente, 23% de IVA. Na Holanda só pagaria 21%. Tal como na Letónia, na Lituânia, na Bélgica ou em Espanha. Na Estónia, na Roménia, na Eslováquia ou até em França 20%. Enfim, são apenas 6 os países com taxas normais de IVA superiores à nossa no contexto da União Europeia.

Não tenha ideias de ascender socialmente. O nosso sistema de impostos sobre o rendimento é fortemente progressivo ao ponto de nos rendimentos mais altos do último euro ganho 72 cêntimos irem diretamente para o Estado.

As receitas do Estado são muito importantes. Certo. Mas elas devem suceder em função de uma economia robusta e não de um assalto fiscal. A continuarmos assim, de facto, será mais difícil prosperar do que conseguirmos erguer um balde connosco lá dentro.

( Excertos do texto de Tiago Mendonça, OBSR)

De Que São Feitos Os Dias


De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.

Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...

(Cecília Meireles)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


Ligações Perigosas ...


Nota: Quando Costa deu luz verde à entrada de Isabel dos Santos no BCP, Passos pediu esclarecimentos. Não os recebeu. A maioria, com Marcelo à cabeça, não quis saber. O socialismo é pai dos nossos problemas. (Tiago Dores, OBSR) 

A Distinção Entre Verdade E Invenção

A distinção entre verdade e invenção não importa muito.
Mais do que o gesto, interessa como ele foi recebido. 
Mais do que a palavra, nos influencia como ela foi ouvida. 
Mais do que o fato, vale onde, como e quanto ele nos tocou.

(Lya Luft) 

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


Esta É A Frase

Sendo o Livre um partido bonzinho, até a praticar uma sacanice se esforça por ser inclusivo: desta vez, é a mulher negra que faz porcaria e os brancos de classe média é que têm de ficar a limpar.

José Diogo Quintela, OBSR

As Pessoas Mais Felizes ...

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. 
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

Clarice Lispector

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde



Apetece Dizer Que "Com A Democracia Se Destrói A Democracia"

Os partidos estão a destruir alguns pilares da democracia representativa e a retirar ao partido político o seu carácter orgânico. Assim se estabeleceu o primado do carisma individual, por cima da função doutrinária do partido e do seu papel de racionalidade no sistema político.Separou-se a eleição do chefe da eleição dos órgãos partidários e da aprovação de um programa. É possível eleger um líder e uma direcção e aprovar programas contraditórios. É possível, como já aconteceu tantas vezes, que os chefes dos partidos não sejam sequer deputados e tenham sérios problemas com os seus grupos parlamentares. As eleições directas dos chefes partidários são contrárias à democracia representativa e constituem uma das mais perigosas ameaças à democracia parlamentar. Apetece dizer que “com a democracia se destrói a democracia”.

É normal a agitação que reina actualmente na maior parte dos partidos. As derrotas estrondosas do PSD, do CDS e do PCP reclamam exame e avaliação, quem sabe se reformas. A estagnação do BE, com menor sentido de urgência, faz pressão no mesmo sentido. O aparecimento de novos partidos, mesmo se minúsculos, obriga a reflexão. Só o PS, vencedor, parece calmo e sem apetite aparente por reformas. Se o silêncio gélido do PCP for considerado uma variante da calma, então teremos de incluir este partido na curta lista dos que não exibem problemas.

A inquietação quase moribunda do CDS, as trapalhadas eleitorais do PSD e os patéticos sketches do Livre e do Chega são sintomas da desordem política que, depois das últimas eleições, vai por esse país fora. Assim é que temos congressos em preparação em quase todos os partidos, tanto os que estão em crise, como os que navegam mais serenamente. Todos se preparam para eleições internas (e o PCP para nomeações). Em vários, trata-se de eleições directas dos seus líderes.