A proposta surge numa altura em que a Comissão Europeia (CE) acaba de voltar a alertar Portugal para a necessidade de reforçar a sustentabilidade do sistema público de pensões, nas recomendações do pacote de Primavera de 2026 do Semestre Europeu. O aviso é particularmente relevante porque assenta numa realidade demográfica difícil de ignorar: a população está a envelhecer, a população em idade ativa diminui e haverá cada vez menos trabalhadores para financiar cada vez mais pensionistas.
A discussão que importa não é, por isso, se devemos reformar-nos mais cedo, mas sim como garantir pensões dignas num país que envelhece e, simultaneamente, como elevar a poupança e o investimento necessários para acelerar o crescimento económico e aumentar o ‘bolo’ para os ativos e os pensionistas.
Reduzir transversalmente a idade da reforma pode render dividendos políticos imediatos, mas é claramente irrealista. Parece relativamente óbvio que o Chega arranjou uma desculpa para não aprovar o pacote laboral após ter percebido que gerou descontentamento em franjas relevantes da população – incluindo no seu eleitorado –, na sequência das greves gerais, percebendo que o governo não poderá ceder a essa exigência irresponsável, até por contrariar recomendações da CE.

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