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domingo, 3 de março de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

*Mário Centeno disponível para ir ao parlamento falar sobre o Novo Banco

A Regionalização É A Resposta Errada

«A regionalização é a resposta errada. Trata-se de diversão burocrática e tecnocrática, na tentativa de encobrir as reais reformas difíceis e decisivas. A regionalização furtiva é ainda pior, pois pretende o mesmo, com menos clareza, sem referendo, sem participação popular.»

AntónioBarreto, Público

É um velho hábito, uma solução para grandes e difíceis indecisões. “Não sabes o que fazer? Regionaliza!” Há algumas semanas, uns ministros ainda fizeram um ensaio e anunciaram iniciativas de regionalização. Rapidamente embrulharam a matéria. Afinal, não seria regionalização, era mais descentralização

O debate eleitoral sobre a regionalização agrada aos pequenos partidos porque incomoda os grandes. Estes preferem adiar. Ou descentralizar à socapa. Ou desconcentrar, coisa que ninguém sabe bem o que é. (continuar a ler)

Gargalhada

Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:

Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah! 

Não vês?
É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.
Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais, 
vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas, 
destruir as lâmpadas, abater cúpulas, 
e atirar para longe os pandeiros e as liras...

O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.

Mas é preciso ter baixelas de ouro, 
compreendes?
— e colares, e espelhos, e espadas e estátuas.
E as lâmpadas, Deus do céu!
E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e trémulas...

Escuta bem:

Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah! 

Só de três lugares nasceu até hoje essa música heróica:
do céu que venta, 
do mar que dança, 
e de mim.


Cecília Meireles

sábado, 2 de março de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)

Confiança Zero

As próximas eleições para o Parlamento Europeu decorrem sob o duplo signo de uma crise profunda na União Europeia, de que o Brexit e a ascensão dos populismos é apenas a ponta do "iceberg". 

No caso de Portugal, que este ano acolhe três eleições - as europeias, as regionais dos Açores e Madeira e as legislativas -, o ciclo eleitoral decorre perante um descrédito cada vez mais acentuado no funcionamento do sistema político. As eleições para o Parlamento Europeu estão marcadas para 26 de Maio e neste momento ninguém pode garantir se o Reino Unido nessa altura ainda estará dentro da União ou se o Brexit já se terá então concretizado. Melhor dizendo, ninguém neste momento pode garantir que não haverá adiamento, que não haja segundo referendo, que a Europa não engula uma tonelada de sapos e não volte atrás em tudo o que jurou sobre o Brexit. 

Enfim, o panorama geral é o de que nada está certo e que mais uma vez os políticos meteram os pés pelas mãos ao induzirem os cidadãos em erro e ao não conseguirem encontrar uma solução para a situação que eles próprios fabricaram. Na realidade, o perigoso "poker" jogado por Cameron, quando convocou o referendo sobre o Brexit, transformou-se num pesadelo que assusta o sistema financeiro, cria graves problemas às economias do Reino Unido e de uma série de países da Europa e voltou a colocar na ordem do dia a questão da Irlanda - com a hipótese, até há pouco impensável - de ressurgir uma nova fronteira de arame farpado entre o norte e o sul da ilha, com todo o provável retomar e agudizar de conflitos que isso trará. 

Mas, passando para o caso português, uma sondagem, realizada a pedido da União Europeia, conhecida esta semana, indica que apenas 17% dos portugueses confiam nos partidos, somente 37% no Parlamento e só 43% manifestam confiança no Governo. Trocado por miúdos, a maioria não acredita em nada disto. É um balanço terrível do funcionamento do sistema, que cada vez se parece mais com um barco desgovernado que partiu amarras e saiu desarvorado sem destino. 

Manuel Falcão, J Negócios

Este ... Carnaval.





O mundo está um Carnaval
Ovelhas vestidas de Lobo e Lobos vestidos de Ovelha.


sexta-feira, 1 de março de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde



Com Este Governo Quase Nada É Para Hoje, Quase Tudo É Para Amanhã


  • O feitiço contra o feiticeiro. Centeno conseguiu controlar as contas deste Governo de esquerda com um truque simples: a maioria das medidas anunciadas foram diferidas no tempo, o que permitiu ir gastando menos e controlando a execução da despesa. Agora, os sindicatos agarraram no truque e viraram-no contra o Governo: por que não devolver as carreiras congeladas também em vários anos? Problema um: fazer isto antes de entrar um novo Governo é comprometer o futuro. Problema dois: com a economia a desacelerar, será possível repetir a fórmula?
  • As novas PPP. Sem dinheiro para hoje, o novo lema do Governo é prometer para amanhã. Em poucos dias, prometeram-se 1000 novas vagas em creches (até 2021),também 1068 lugares para auxiliares educativos (para 2020); assim como se anunciaram 1200 agentes para PSP e GNR (daqui a ano e meio estarão em funções), para não falar nas 11 500 vagas em residências universitárias, que só estarão completas quando os alunos de hoje estiverem licenciados. Bem dizia o Variações, lá nos idos anos 80: “É pr’a amanhã“. Paga quem vem depois.
  • A velha agenda de Rui Rio. O PSD acalmou, mas tem gato escondido. Num discurso este fim de semana, Rui Rio avisou que quer combater os poderes “fátuos” da comunicação social e da justiça que, diz ele, estão cada mais mais cruzados e que fazem o país parar. Ainda vamos ver que “grande reforma” quer ele para uns e para outros. Será só depois das eleições?
  • Fonte:David Dinis, ECO

Não Basta Abrir A Janela

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

  “Poemas Inconjuntos”, Alberto Caeiro (4-1-1923)                             

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019