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terça-feira, 14 de maio de 2019

Incongruências

Num noticiário, António Costa, o primeiro-ministro, está a ser entrevistado. E ouço-o a dizer “Eu acho é que ninguém tem direito, nem a procurar criar ilusões aos professores, mentir aos professores sobre o que é que está em causa, nem enganar os portugueses. Todos temos o dever de ser claros”.

Engraçado ...

É que uma pessoa vai ao Google – essa moderna ferramenta que, para aparente desconhecimento da nossa classe política (a alternativa é falta de vergonha), nos devolve memórias em 0,3 segundos –, pesquisa “António Costa austeridade” e encontra mais de milhão e meio de resultados. Entre eles, o Virar a página da austeridade, relançar a economia”, uma carta que António Costa dirigiu aos portugueses.

A umas semanas de eleições legislativas, António Costa defendia que “o aumento do rendimento tem de resultar de um esforço conjunto com o Estado. Não só na reposição dos salários, pensões e mínimos sociais, acabando com os cortes, mas também inovando”. É possível que António Costa não se tenha apercebido, mas estas suas palavras criaram ilusões. Principalmente, quando nessa carta até se garantia existir um cenário macroeconómico a dar cobertura aos compromissos assumidos. 

Já o documento Uma Década Para Portugal”, o tal relatório produzido por 12 economistas coordenados por Mário Centeno, era um bocadinho mais transparente. O capítulo da política salarial e carreiras afirmava “A partir de 2018, inicia-se o processo de descongelamento das carreiras e de limitação das perdas reais de remuneração que deverão ser avaliadas no cruzamento dos programas orçamentais com as respetivas carreiras e ter e conta o impacto transversal de algumas carreiras em vários programas orçamentai"

Um país que tem uma dívida pública superior a 120% do PIB – o que o coloca no pódio dos devedores da União Europeia – bem pode invocar tal argumento. Um país que tem um défice orçamental de 0,5% do PIB – que quando ajustado do ciclo económico é de 1,1% – bem pode dizer que não tem dinheiro.

A 15 de Dezembro de 2017, aparentemente, a contagem integral do tempo para efeitos de progressão na carreira e da correspondente valorização remuneratória não era nenhum problema. Pelo menos, a bancada socialista votou favoravelmente, ao lado de BE, PCP, Verdes e PAN, a que viria a ser a primeira Resolução da Assembleia da República de 2018, onde se sugeria ao Governo que dialogasse com os sindicatos no sentido daquela reposição. 

Então o PS concordava em recomendar algo que comprometia a estabilidade orçamental?! Ou em Dezembro de 2017 as finanças públicas estavam mais sãs que agora?  

A crise política é estrutural e dura há muito. Consiste em governos e oposições que se demitem de pensar o país a longo prazo, de ter um projecto para ele, de traçar um rumo que sigam sem teimosia, mas com coerência; que decidem em função do soundbyte e do que parecer granjear mais votos no imediato. E faz-se de uma população que se rende a essa cultura do curto prazo, cujo sentido crítico e nível de exigência não vai além do escândalo nas redes sociais.

(excertos do artigo de Vera Gouveira Barros, ECO)  

É Mais Fácil Manter-se Na Zona De Conforto Que Assumir A Condição Louca da Mudança



É sempre mais fácil acreditar na existência de heróis do que arregaçar as mangas e tentar fazer algo. É sempre mais fácil manter-se na zona de conforto do padrão da conformidade do que assumir a condição louca da mudança, pois lembrando Kerouac – “[…] as pessoas que são loucas o bastante para pensarem que podem mudar o mundo são as únicas que realmente podem fazê-lo”.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>“Não se pretende que a arbitragem rivalize com o poder dos tribunais”, diz Nuno Pena

Recorde De Carga Fiscal Com Aumento De Receita Dos Impostos 35,4%

Carga fiscal em recorde com aumento de receita de quase todos os impostos. INE confirma valor de 35,4%

A carga fiscal disparou à boleia de um aumento de receita de quase todos os impostos. Portugal continua abaixo da média globalmente, mas o peso dos impostos indiretos continua a ser muito superior.

O Instituto Nacional de Estatística confirmou esta segunda-feira o aumento da carga fiscal em 2018 de 34,4% para 35,4%, apontando um aumento global sensivelmente ao mesmo nível nos impostos diretos, indiretos e contribuições para a Segurança Social, todos a crescer acima de 6%. Destaque vai para a receita com IMT, que cresceu mais de 20% em 2018.

Cobraram-se mais 4,3 mil milhões de euros em impostos em Portugal ao longo de 2018, atingindo um máximo de 71,4 mil milhões de euros de receitas de impostos para o Estado português

(continuar a ler)

Pranto ...


Se choras porque perdeste o sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas.

Rabindranath Tagore 

domingo, 12 de maio de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>Livre “cada vez mais” convicto da eleição de um deputado

>BE diz nos Açores que “não é fácil lutar pelos de baixo” com maiorias absolutas



Finlandeses Podem Ter Descoberto A Força Dos Jedi

A investigadora Emilia Lahti afirma ter explorado o conceito
de sisu atravessando a Nova Zelândia a pé em 50 dias. 

[Imagem: Johanna Merenheimo]
Energia humana

Sabe o que é sisu?

Esta é considerada "a palavra que explica a Finlândia" - o seu povo, os seus costumes, a sua ética,a sua forma de encarar e lidar com as coisas e, mais do que isso, baseia-se em uma espécie de energia universal que existe em cada pessoa.

Apesar de tamanha importância, poucos se atrevem a traduzir sisu para outros idiomas, uma vez que, mesmo para os finlandeses, tem sido difícil definir o termo em toda a sua amplitude.
Por isso, investigadores da Universidade de Aalto (Finlândia) decidiram fazer um esforço para "quebrar" essa constrição cultural de uma maneira sistemática, para tentar descrever o fenómeno universal de energia oculta no sistema humano que a palavra sisu nomeia.

"Sisu é uma palavra finlandesa que remonta a centenas de anos e uma qualidade que os finlandeses prezam, mas o fenómeno em si é universal," explica a professora Emilia Lahti. "Observar atentamente o conceito lembra-nos que, como seres humanos, não apenas somos todos vulneráveis diante da adversidade, mas compartilhamos uma força interna inexplorada que pode ser acessada em tempos adversos".

Sisu

No seu estudo, Lahti analisou mais de 1.000 respostas de finlandeses e outros estudiosos do sisu sobre o que o conceito significa - bem como se ele seria inerentemente uma coisa boa.
Um dos aspectos mais proeminentes que apareceu nos dados refere-se a uma perseverança extraordinária; em outras palavras, a capacidade de um indivíduo de superar as limitações preconcebidas, mental ou fisicamente,a acessando reservas de energia armazenadas nele próprio.
Lahti também constatou que o conceito surge nas respostas como uma abordagem consistente e corajosa de agir contra probabilidades mínimas, em alguns casos aparecendo aos entrevistados quase como uma fonte de poder "mágico" que pode ajudar a superar desafios tremendos, sejam eles escolhidos pela pessoa, como correr uma maratona, seja algo inesperado, como um problema de saúde.

É difícil descrever completamente o sisu, mas, de acordo com o estudo, o conceito denota uma força latente interna que leva a pessoa adiante quando ela poderia acreditar ter atingido seu limite. É quase como um tanque reserva de gasolina, explica Lahti: seus benefícios surgem graças à adversidade, não apesar da diversidade.

Sisu e a Força dos Jedi

A semelhança com o conceito de "Força" dos Jedi da saga Guerras nas Estrelas é impressionante. E, como na ficção, há também um lado sombrio da Força - sisu nem sempre é para melhor.
Ficou claro, a partir das entrevistas, que muito sisu pode resultar em esgotamento, exaustão, desconexão e até mesmo criar uma atitude impiedosa à medida que o indivíduo impõe seus próprios padrões rígidos aos outros.

Parece que o sisu não é bom nem ruim, mas uma ferramenta que você deve aprender a dominar - mesmo que não tenha um sabre de luz.
"O sisu vai ajudar-nos a dar o próximo passo - ou o primeiro - mas o resultado dessa ação dependerá de como o usamos. Nesse sentido, o sisu pode ser construtivo ou destrutivo. Precisamos de sisu, mas também precisamos de coisas como benevolência, compaixão e honestidade com nós mesmos. O estudo é basicamente um convite para falar sobre equilíbrio," concluiu Lahti.

Fonte: DS

As Contradições Do Tempo ...

O tempo faz florescer paixões que fenecem logo adiante; ou transfigura um amor intenso na generosa árvore de uma longa boa relação. Mais uma vez, as contradições do tempo são as nossas: ele mata, ou eterniza, e para sempre estará connosco aquele cheiro, aquele toque, aquele vazio, aquela plenitude, aquele segredo.
(Lya Luft) 

sábado, 11 de maio de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde



>“Não tenho dívidas”. Os confrontos de Berardo com os deputados

Urgentemente

É urgente o amor 
É urgente um barco no mar 

É urgente destruir certas palavras, 
ódio, solidão e crueldade, 
alguns lamentos, muitas espadas. 

É urgente inventar alegria, 
multiplicar os beijos, as searas, 
é urgente descobrir rosas e rios 
e manhãs claras. 

Cai o silêncio nos ombros e a luz 
impura, até doer. 
É urgente o amor, é urgente 
permanecer. 


Eugénio de Andrade