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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)


A Direita Em Portugal Está Numa Encruzilhada

A direita em Portugal está numa encruzilhada. Bastou a eleição de um deputado eloquente do Chega (partido que mal sabemos o que é, pois só nos deu a conhecer André Ventura) para abanar todo o setor. O CDS, com medo de desaparecer “engolido” pelo radicalismo populista, elegeu um jovem líder, aparentemente, para ressuscitar o lado mais velho e conservador do partido. Uma espécie de estratégia de “ou vai o racha” que é compreensível à luz da realidade atual e que, ainda assim, parece mais moderada que a do Chega. O PSD – dentro da sua diversidade habitual – ao contrário do que talvez fosse expetável, reelegeu Rui Rio e, por ora, conteve-se no centro. No entanto, todos estes partidos revelam medo de nunca mais chegar ao poder se descartarem alianças com esta nova direita por ora de representação diminuta, mas muito ruidosa.
Francisco Proença de Carvalho, ECO

Não Sei Se Os Astros Mandam Neste Mundo

Não sei se os astros mandam neste mundo,
Nem se as cartas —
As de jogar ou as do Tarot —
Podem revelar qualquer coisa.
Não sei se deitando dados
Se chega a qualquer conclusão.
Mas também não sei
Se vivendo como o comum dos homens
Se atinge qualquer coisa.
Sim, não sei
Se hei-de acreditar neste sol de todos os dias,
Cuja autenticidade ninguém me garante.
Ou se não será melhor, por melhor ou por mais cómodo,
Acreditar em qualquer outro sol —
Outro que ilumine até de noite. —
Qualquer profundidade luminosa das coisas
De que não percebo nada...
Por enquanto
(Vamos devagar)
Por enquanto
Tenho o corrimão da escada absolutamente seguro.
Seguro com a mão —
O corrimão que me não pertence
E apoiado ao qual ascendo...
Sim... Ascendo
Ascendo até isto:
Não sei se os astros mandam neste mundo...

      Álvaro de Campos (5-1-1935)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)

A Vertigem !


Resignado, Peter Sloterdijk defende que “a mediocridade salvará a Europa”. Pelo contrário, só o bom uso da vertigem pode salvar a Europa.

Carlos Gaspar, Público

No dia 8 de Novembro de 2016, o Embaixador da França em Washington, Gérard Araud, não resistiu a enviar um tweet que resume melhor do que qualquer despacho diplomático o significado dessa data fatídica: “Depois do ‘Brexit’, depois de Trump, tudo é possível: um mundo está a desmoronar-se diante dos nossos olhos. Vertigem!”

Coronavírus: Novos Casos De Infecção Na Índia E Filipinas. A Organização Mundial De Saúde Reúne-se Esta Tarde Para Determinar Se Este Surto É Uma Emergência Global De Saúde

  • “A maioria dos Estados-membros está muito bem preparada para enfrentar o caso na Europa”, declarou Stella Kyriakidou, falando num debate sobre este vírus na mini sessão plenária do Parlamento Europeu, em Bruxelas.
  • Mundiais de atletismo de pista coberta adiados por um ano

A Esperança Abre Horizontes

Cada esperança abre horizontes infinitos e possibilidades imprevistas. 
O futuro é absolutamente aberto. Sempre. 
Construído pelas mãos dos que o sabem esperar.

(JLNunes Martins)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


Iam Erradicar Os Sem-abrigo ? ...

... Ou A Paixão Do Prof. Macelo
... E Os Planos De Medina

Em quatro anos, número de pessoas em situação sem-abrigo em Portugal aumentou 157%.

O número de pessoas em situação sem-abrigo em Portugal aumentou 157%, num período de quatro anos - entre 2014 e 2018, ano que registaram 3396 pessoas sem um teto. Os dados constam do último relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). A Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo foi criada pelo Governo português em 2009, mas muitas medidas não saíram do papel e há cada vez mais gente nas ruas.

Habitualmente Os Problemas De Gestão Pública Resolvem-se Utilizando Para Tal O Bolso Dos Contribuintes

A responsabilização individual não se resume ao crime de peculato. Tem também a ver com a qualidade da administração pública e esta, em Portugal, é praticamente inimputável.

Sempre que o Estado português é condenado judicialmente em algum tribunal, situação que acontece com frequência, há uma questão que fica sistematicamente por responder: E quem se responsabiliza pelos erros e omissões dos administradores públicos?

Em Portugal, sucessivos governos, uns mais do que outros, habituaram-se a resolver problemas de gestão pública utilizando para tal o bolso dos contribuintes, que na óptica do administrador público tende a ser apenas dinheiro do Estado. São os tais incentivos políticos que antes destaquei. Assim, sempre que há um problema, adia-se, bloqueia-se, obstaculiza-se, reverte-se ou faz-se qualquer outra coisa que, na prática, permite ao administrador público – aqui entendido como todo aquele agente político com poder executivo – ganhar tempo, livrar-se do problema e desresponsabilizar-se.

A resolução é, pois, artificial. Ele ou ela não resolvem verdadeiramente o problema, simplesmente livram-se dele ou empurram-no para o próximo. Quem vier a seguir que pague a conta, sendo que aquele que vier a seguir tenderá a fazer o mesmo até a conta chegar ao contribuinte final.

Como podemos então alterar este estado de coisas? 
Desde logo, reduzindo a presença do Estado na economia, retirando as entidades públicas do lugar de árbitro-jogador, circunstância na qual o Estado, que se pretende árbitro, dificilmente será isento. Depois, ao reduzir-se o número de entidades públicas com intervenção na economia, levando as que permanecessem activas ao escrutínio do Parlamento para que nele fossem apreciados de forma individualizada os orçamentos e relatórios de fiscalização.
Por fim, estabelecendo no Orçamento do Estado uma rubrica autónoma, referente aos custos de casos como aqueles que são citados neste artigo, e criando um imposto específico para os pagar, de preferência, um imposto cuja nota de pagamento fosse enviada mensalmente aos contribuintes com a discriminação da factura. Talvez assim as coisas mudassem.
(Excertos do texto de Ricardo Arroja, no ECO)