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sábado, 19 de novembro de 2022

A Frase (259)

O maior inimigo da tolerância é a complacência. Admitir o inadmissível, desculpar o indesculpável. Arranjar sempre uma justificação para o que a não tem. Perdoar por causa das origens sociais, da etnia, da idade, do género ou do partido. Não ver a realidade por causa do alegado interesse nacional. Esquecer por sentimento de culpa. Confundir a bondade com a passividade. À covardia chamar coragem. Admitir que o interesse e o poder justificam e desculpam tudo. E deixar que a permissividade se transforme em cumplicidade   (António Barreto, Público)

A abdicação e a complacência são o início da barbárie.

Tu, Futuro ...


“Quando te vi amei-te já muito antes. 
Tornei a achar-te quando te encontrei. 
Nasci pra ti antes de haver o mundo. 
Não há cousa feliz ou hora alegre que eu tenha tido pela vida fora, 
que o não fosse porque te previa, porque dormias nela tu, futuro.”

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (258)

Se o modo de fazer política é diferente, há um objectivo que é sempre comum: a eficácia da comunicação. Quando o mensageiro se sobrepõe à mensagem as coisas começam a funcionar menos bem. E foi isso que nalguns casos aconteceu. É lícito criar situações que chamem a atenção, não é lícito que isso se faça a limitar a liberdade de outras pessoas. Falando de outra maneira: quem impede o acesso e encerra edifícios públicos está a condicionar quem os quer frequentar. É sempre preciso, se queremos que a democracia exista, deixar tanto espaço como aquele que reivindicamos para nós próprios, para quem não está de acordo com as nossas ideias e objetivos. Este equilíbrio é difícil mas consegui-lo é fundamental. Seria uma pena que causas justas fossem poluídas e diminuídas por gestos gratuitos, sem significado, cujo resultado pode ser criar anti-corpos e, em última análise, favorecer a extrema-direita. E tudo sob uma capa de esquerda. As aparências, por vezes, iludem.          (Manuel Falcão, JNegócios) 

Retomo Ao Ponto De Partida


Retomo, pois, ao ponto de partida
como um presente, o ponto de chegada.
Entre um começo e outro não há nada
Excepto o nada da vida vivida.

Desgaste, corrosão do que de novo
em velho se mudou antes de o ser,...

(Vergílio Ferreira,
in 'Conta-Corrente 1')

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (257)

 O livro ‘O Governador’ contribui para esclarecer o que se passou, traz até uma certa salubridade à discussão política quando o país — ou alguns líderes políticos — preferem guardar a história a sete chaves, como se os portugueses não tivessem capacidade para avaliar e fazer os seus juízos.
      (António Costa, ECO )

Carlos Costa também cometeu erros, como é óbvio. Mas não foi Carlos Costa a mandar o grupo GES/BES para a falência, e por arrasto a PT, não foi Carlos Costa o responsável pela falência do país em 2011, não foi o governador a levar o Banif a uma resolução, também ela, muita cara aos contribuintes. E às vezes, nesta discussão sobre o livro ‘O Governador’, há também nas reações uma espécie de ajuste de contas com Carlos Costa, quando deveria haver, antes, uma discussão sobre o que lá está escrito.

Ah, Poder Ser Tu, Sendo Eu !


Ei-lo que avança
de costas resguardadas pela minha esperança
Não sei quem é. Leva consigo
além do sob o braço o jornal
a sedução de ser seja quem for
aquele que não sou
E vai não sei onde
visitar não sei quem
Sinto saudades de alguém
lido ou sonhado por mim
em sítios onde não estive
Há uma parte de mim que me abandona
e me edifica nesse vulto que
cheio de ser visto por mim
é o maior acontecimento
da tarde de domingo
Ei-lo que avança e desaparece
E estou de novo comigo
sobre o asfalto onde quero estar

(Ruy Belo)

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (256)

 As memórias amargas do governador - Este conflito é muito mais do que um duelo de egos: é um estilhaço de um tempo sobre o qual é preciso saber tudo para, como disse Carlos Costa, evitar que tudo se repita.             (Manuel Carvalho, Público)

O ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa carrega como um fardo o sentimento de injustiça com a avaliação do seu mandato durante um dos períodos mais negros da sua História recente. O livro das suas memórias que o jornalista Luís Rosa acaba de publicar é uma tentativa evidente de reparar esse sentimento. Mesmo que para o fazer recorra a supostas fragilidades de terceiros com quem partilhou as rédeas do poder.