Pesquisar neste blogue

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (258)

PNS quer o partido a falar a uma só voz porque só um coro tão robusto consegue abafar o apito do amolador que já estacionou a bicicleta no largo do Rato.  (José Diogo Quintela, OBSR)

Para quem está sempre a avisar para o perigo que é o Chega, Pedro Nuno Santos, com este desejo de unanimidade incontestada, parece querer ser o André Ventura do PS.  

Agora, PNS está a ser demasiado exigente com os seus críticos. Pretender que os correligionários não se desviem do pensamento do líder é um problema, na medida em que para isso é preciso primeiro determinar qual é afinal o pensamento do líder. Decida isso e depois logo se vê.

O Eterno Retorno


De forma simples, a ideia do eterno retorno sugere que tudo o que aconteceu, está acontecendo e acontecerá novamente, em ciclos eternos.

Explicando melhor.

Nietzsche propôs esse conceito como um desafio profundo à maneira como as pessoas vivenciam suas vidas e enfrentam a ideia da morte.

A pergunta fundamental é:

“Você viveria sua vida mais uma vez e outra, e assim eternamente?”.

Nietzsche acreditava que viver cada momento como se fosse repetido infinitamente poderia levar a uma apreciação mais profunda e intensa da existência.

Por isso, a aceitação do eterno retorno, para Nietzsche, é uma medida do amor à vida.

Por outro lado, a rejeição dessa ideia poderia levar a uma vida mais superficial e desprovida de significado.

O conceito, portanto, visa provocar uma reflexão profunda sobre como vivemos nossas vidas e qual significado atribuímos a cada experiência.

(Friedrich Nietzsche)

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Saiba Como Vai Este País

O vício da política portuguesa é considerar sempre o Orçamento como sendo do partido do Governo, logo só pode servir a clientela do partido do Governo. Eis uma visão sectária onde sobra desonestidade intelectual e falta um entendimento global e concreto do país. Todos os partidos sonham em fazer um Orçamento para o seu partido. Até os partidos que estão sempre em minoria absoluta, mas que são os verdadeiros representantes do país perfeito. 

O caso do PS fica como o exemplo superlativo de que a democracia é o melhor regime, mas que só a democracia do PS é a mais verdadeira e pura democracia desenhada para Portugal. No Orçamento, o PS anda sempre em processo de correcção em curso, estabelecendo linhas vermelhas que afinal são linhas verdes desenhadas por políticos daltónicos. (...) 

A incultura política e arrogância de um PS que se apresenta como social e politicamente hegemónico não têm correspondência na realidade do país. O PS é vítima do preconceito de que só a esquerda tem consciência social e sabe governar para o país. Perdido no seu labirinto, o PS tanto pode viabilizar como chumbar o Orçamento. Por agora, vai estudar para tomar uma posição em consciência e no fim rebentar o Parlamento com uma abstenção violenta.

O caso do Chega fica como o exemplo paradoxal de um partido que odeia o sistema mas não suporta ficar fora dos arranjos do sistema. Primeiro, anseia por uma maioria de direita para purgar Portugal do socialismo. Depois, afirma a sua identidade radical recusando qualquer entendimento com as forças de direita que não alinham pelas posições do Chega. 

E quais são as posições do Chega? São todas as que forem necessárias no momento mais conveniente. Aliás, as posições políticas do Chega sobre o Orçamento e afins perfazem um volume de páginas que supera, quer na riqueza do enredo, quer na complexidade das personagens, o programa político do partido. 

O Chega não é bem um partido, será mais uma “claque de futebol” que segue o megafone do líder. E o megafone do líder não distingue a verdade da mentira nem a coerência do oportunismo. 

Para o Chega o propósito é a queda da República. Para o Chega o objectivo é o caos da confusão interna e externa, pois só de uma profunda confusão um partido que se comporta, tanto como um “coro no altar”, tanto como um “gangue na bancada”, poderá aspirar a governar Portugal. Na retórica do Chega é visível a mediocridade política susceptível de adaptar a linguagem universal da mística e da mentira. (...) Chega promete chumbar o Orçamento com a violência de uma Revolução.  (...) Sobra o patriotismo do Chega na contemplação de uma vitória que afinal tem o brilho de uma derrota.

A circunstância do Governo é o estudo de caso de um realismo político sonso. Em minoria absoluta, na posse da inteligência rural que guia os portugueses desconfiados, com a timidez silenciosa de quem passa sempre nos intervalos, o Governo transforma-se para além do imaginável. Mas domina a imaginação política do Orçamento. Não vale a pena antecipar hipóteses fúteis. Quem tem coragem para umas eleições antecipadas?

(Excertos do texto de Carlos Marques de Almeida, ECO)

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (257)

Ventura mente ao dizer que Montenegro lhe propôs um acordo ou que o fez mesmo. Pedro Nuno mente ao dizer que tem dúvidas sobre se esse acordo existiu, ou não. Todos vemos que ambos estão a mentir e a alimentar um mero jogo de palavras, feitas puro palavreado. Mas ambos continuarão a alimentar um assunto que não existe. Não haverá adultos na sala do Chega e do PS? Seria boa ideia acabar com criancices, para irmos às coisas sérias.  (José Ribeiro e Castro, OBSR)

É mau que, nesta legislatura, o Chega não conseguisse ascender à maturidade própria de um partido parlamentar com 50 deputados. É ainda pior que esta liderança do PS esteja a conduzir um partido histórico para o nível de irresponsabilidade do Chega.

Fui, Indeciso Na Bruma

Flui, indeciso na bruma,
Mais do que a bruma indeciso,
Um ser que é coisa a achar
E a quem nada é preciso.

Quer somente consistir
No nada que o cerca ao ser,
Um começo de existir
Que acabou antes de o Ter.

É o sentido que existe
Na aragem que mal se sente
E cuja essência consiste

Em passar incertamente.

(Fernando Pessoa)

domingo, 13 de outubro de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (256)

Vale a pena comparar a linguagem de Trump sobre os imigrantes com o discurso nazi para reconhecer semelhanças arrepiantes.   (Teresa Sousa, Público)

 Qual é a palavra certa para definir Trump? Fascismo?

Como se trava uma batalha eleitoral, quando um dos lados recorre sistematicamente à mentira, ao boato, ao insulto? Como se combate politicamente, quando os factos desaparecem perante esta avalanche de notícias falsas? Como funcionam as democracias, quando os habituais meios de comunicação social são esmagados pelas redes sociais que ninguém controla? 

Mulher


Mulher lua
A outra face, a face nua
Mulher terra
O que é mistério, o que se espera
Mulher natureza
O que é firme, o que é beleza
Mulher força
A gravidade, a correnteza
Mulher água
O nascimento, a incerteza
Mulher vida
Por toda parte, a tua semente.

Mulher gente.

(Rayme  Soares)