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domingo, 2 de fevereiro de 2025

Aproveitar O Tempo


Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.

(Álvaro de Campos)

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (31)

Uma verdadeira reforma administrativa exige uma descentralização mais profunda, que não passa por mais freguesias mas pela criação de regiões administrativas, alinhando Portugal com o modelo europeu.   (Óscar Afonso, ECO)

A recente reposição de freguesias aprovada pelo Parlamento representa um retrocesso na insuficiente reforma do Estado em curso, anulando as poupanças alcançadas até agora e agravando a ineficiência da administração pública. Em vez de reforçar a descentralização, o aumento do número de freguesias pode até comprometer esse objetivo, ao perpetuar um modelo excessivamente fragmentado e disfuncional.    

Defendo que uma verdadeira reforma administrativa exige uma descentralização mais profunda, o que passa não por mais freguesias, mas pela eliminação desse nível de administração – concentrando-o nos municípios – e pela criação de regiões administrativas, alinhando Portugal com o modelo europeu e promovendo uma gestão mais eficiente e territorialmente equitativa. (...)

Odisseia


E passam as horas, desfilam os dias, meses, anos...

Sombras e luzes esculpindo vagarosamente as nossas histórias, detalhando gestos, atos, sonhos, pensamentos, ambições, desenganos...

E assim formaremos o que denominamos como sendo nosso viver. A cada segundo seremos novas pessoas, sem que disso nos apercebamos, pois acumularemos mais e mais experiências e com elas, novas formas de ver e agir.

Tornarmo-nos melhores para alguns, piores para outros, iguais para nós mesmos.

Seremos apenas parte da estrutura que definirá a odisseia humana no Planeta Terra.

E transformamos as emoções em lições únicas, partes de um aprendizado sem fim, definindo nossa capacidade de amar e odiar.

E desta forma sonharemos e realizaremos. Sonharemos e nos decepcionaremos.

E partiremos deixando lembranças e talvez algum legado do pouco que fomos, 
mas levando tudo o que conseguimos entender e aprender.

(JRUnder)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (30)

O estatismo não é apenas um desastre económico, mas também social, destruindo as famílias e a coesão - moral, porque propaga e legitima a violência, e cultural, porque é igualitário.    (Philipp Bagus, OBSR)

A batalha cultural é a luta pelas melhores ideias e valores. Trata-se de difundir as ideias de liberdade e de rejeitar as ideias do estatismo. Na batalha cultural, a “equipa Liberdade” luta contra a “equipa Estado”. 

A cultura determina a estrutura com que interpretamos o mundo, e agimos com base nessa interpretação. Se se puder influenciar a estrutura interpretativa, pode-se influenciar indiretamente o comportamento das pessoas. Sendo esta estrutura interpretativa moldada por imagens, modelos, arte, história, narrativas, símbolos, tradições, ideias, valores e palavras.

Apenas um exemplo. Vê-se o mundo de forma completamente diferente quando se usa o termo “justiça social” ou, para uma mesma questão, quando se usa o termo “roubo”. Os estatistas foram muito bem-sucedidos na batalha cultural. Porque hoje, quando sob ameaça de violência o Estado rouba dinheiro a uns para o dar a outros, a maioria da população vê isso como “socialmente justo”. Instintos primitivos como a inveja, o ódio e o ressentimento tornam-se subitamente virtudes sob o pretexto da justiça social.

Quando a derrota do socialismo na esfera económica se tornou visível para todos após a queda do Muro de Berlim, a esquerda concentrou-se nas questões culturais. Daí a expressão “marxismo cultural”. Já não se concentra na exploração de trabalhadores pelos empregadores. Porque os trabalhadores não ficaram mais pobres, ao contrário do que Marx tinha previsto, mas tornaram-se cada vez mais prósperos.  

Os wokes e os marxistas culturais estão a tentar destruir as instituições nas quais os valores da sociedade burguesa (...) Porque aí são transmitidos valores como a diligência, a poupança, a disponibilidade para fazer sacrifícios, a responsabilidade, a amizade, a caridade, o amor à verdade e à justiça, à vida, à liberdade e à propriedade.

Quem reconheceu a importância da batalha cultural e a trava como ninguém é Javier Milei. Sublinha repetidamente que o estatismo não é apenas um desastre económico, mas também social, destruindo as famílias e a coesão; moral, porque propaga e legitima a violência; cultural, porque é igualitário; e esteticamente, porque produz blocos pré-fabricados. E como se não bastasse, é responsável por mais de 150 milhões de mortes. 

Depois de Javier Milei ter vencido na Argentina, poderia ter-se concentrado em consolidar o seu poder no país. Mas não. Porque não está interessado no poder, está interessado na causa, na liberdade, em todo o mundo.   (ler texto íntegral)

Flor-de-Lótus


No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão,
procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

(Rabindranath Tagore)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (29)

A corrupção está na burocracia: mais burocracia, mais corrupção, mais decisões viciadas, mais erros políticos e administrativos. Esta lei dos solos aboliu uma camada burocrática acima dos municípios.   (Margarida Mendes Penedo, ECO)

O Expresso, que antigamente era um jornal, publicou uma espécie de notícia sobre a alteração ao Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial, a famosa “lei dos solos”.

A primeira coisa a perceber é que a alegada notícia do Expresso é enganadora. E demagógica. (...)

Os especialistas usaram estas informações deturpadas do Expresso (a que chamam “brutais”, mas deviam chamar manhosas) para se oporem à nova “lei dos solos”. Que alteração é esta? Em que consiste, principalmente, a nova “lei dos solos”? Ela permite converter solos rústicos em urbanos para construir habitação. 

De maneira que não é verdade, nada indica que a nova “lei dos solos” vá favorecer a corrupção. Pelo contrário. Tudo indica que ela vai reduzir a corrupção, sobretudo a grande corrupção.

A corrupção está na burocracia. Quanto mais burocracia, mais corrupção; e quanto mais corrupção, mais decisões viciadas, mais erros políticos e administrativos. A nova “lei dos solos” aboliu uma camada burocrática acima dos municípios. Quanto mais alta for a camada burocrática, mais altos são os valores envolvidos e mais alta é a corrupção. A grande corrupção está próxima do Estado central, a pequena e média corrupção está sobretudo junto às autarquias. 

Era bom que o Expresso e os especialistas transmitissem aos leitores esta verdade simples: o pior da corrupção não está no deslize de dinheiros imorais para o bolso dos políticos; está na quantidade e qualidade de erros que os poderes públicos impõem ao país em troca desses dinheiros. Sobretudo os poderes públicos protegidos pelo direito privado.

Aqueles Que Mais Entendem De Felicidade ...


E eu, que estou de bem com a vida, creio que aqueles que mais entendem 
de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão e
 tudo que entre os homens se lhes assemelhem.

(Friedrich Nietzsche)