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terça-feira, 29 de abril de 2025

As Palavras Aproximam

As palavras aproximam:
prendem-soltam
são montanhas de espuma
que se faz-desfaz
na areia da fala
Soltam freios
abrem clareiras no medo
fazem pausa na aflição
Ou então não:
matam
afogam
separam definitivamente
Amando muito muito
ficamos sem palavras

 (Ana Hatherly)

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Montenegro: resposta ao apagão foi "altamente positiva e forte" face a circunstância "grave e inesperada" 

Luís Montenegro fala em São Bento, com o Conselho de Ministros extraordinário sobre o apagão desta segunda-feira ainda reunido a “aprofundar a avaliação de tudo o que aconteceu”

A Frase (107)

Os candidatos a Primeiro-Ministro têm de perceber que não é através do confronto entre a virtude da esquerda e a virtude da direita que se vai resolver o impasse democrático.  (Carlos Marques de Almeida, ECO)

Há um ano o debate entre os dois pretendentes a Primeiro-Ministro teve lugar num teatro habituado ao vaudeville da revista à portuguesa. Em redor, uma guarda de honra clandestina de polícias manifestava-se pelo direito ao “subsídio de risco”. Desta vez o debate ocorre na sequência das celebrações do 25 de Abril e dos confrontos no Rossio entre neo-fascistas e neo-democratas. 

Os imigrantes, alvo da manifestação proibida, não passaram de meros espectadores neste conflito local entre forças que se odeiam. Afinal o ódio é mais democrático do que se pode pensar – odeiam-se os nossos tal como se odeiam os outros. O debate para Primeiro-Ministro tem um prólogo com o líder do PS na Avenida da Liberdade e o Governo confortável à janela.

De volta à imigração que tanto tem carburado o debate político entre PS e PSD. Parece que o país tem cerca de um milhão e meio de imigrantes. Discute-se a “política das portas abertas”, discute-se a exigência de uma “imigração regulada” (...)

Mas a liberdade de quem? A liberdade de quem é imigrante ou a liberdade de quem nunca foi imigrante? Para os neo-fascistas a visita ao Rossio no dia dos cravos tem o aspecto de uma incursão a um território nacional ocupado. Na mentalidade destes grupos o país está transformado numa “colónia”, o país é alvo de uma conspiração internacional para concretizar a “grande substituição” – a ocupação da Europa por uma nova população migrante com a mudança completa dos hábitos e dos costumes e a edificação de uma Nova Europa. (...)
Discursar com os punhos ou argumentar com agressões é comum a todas as forças da direita radical por que essa é a sua forma de fazer política – intimidar, destruir, dominar.

O CHEGA (...) O discurso é o mesmo apenas adaptado ao “entrismo” democrático e parlamentar, mas a violência simbólica transpira por entre as sílabas e a mensagem política tem o primarismo dos comícios e o ódio das ruas ocupadas por imigrantes. (...) 

A Razão ...

“Entendo por razão, não a faculdade de raciocinar, que pode ser bem ou mal utilizada, 
mas o encadeamento das verdades que só pode produzir verdades, e uma verdade não 
pode ser contrária a outra.”

(Wilhelm Leibniz)

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Notícias Ao Início Da Noite

Tudo É Encontrar Qualquer Coisa


 
Tudo é encontrar qualquer coisa. Mesmo perder é achar o estado de ter essa coisa perdida. Nada se perde; só se encontra qualquer coisa. Há no fundo deste poço, como na fábula, a Verdade.
Sentir é buscar.

Na realidade do pensamento humano, essencialmente flutuante e incerto, tanto a opinião primária, como a que Ihe é oposta, são em si mesmas instáveis; não há síntese, pois, nas coisas da certeza, senão tese e antítese apenas. Só os Deuses, talvez, poderão sintetizar.

A estes escritos chamo antíteses porque representam, em sua íntima substância, contra‑opiniões, desmascaramentos, desilusão. À certeza com que cada um pensa o que julga que pensa convém opor a certeza com que se pode pensar o contrário, com que se consegue tornar lógico o absurdo [...]  (Fernando Pessoa)

domingo, 27 de abril de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (106)

Donald Trump quis redefinir a ordem política e económica, mas, por ora, são os EUA e o próprio que mais perdem.  O blitzkrieg do Presidente dos EUA destruiu uma ordem comercial com décadas, ameaçou os aliados mais próximos, trouxe o imperialismo para a Casa Branca, arrasou o soft power americano, desafiou a autoridade dos tribunais, atacou a independência das universidades e cortou o financiamento à ciência.   (André Veríssimo, ECO)

(...) O novo mundo de Trump é um regresso ao velho mundo. Seja o aumento brutal das taxas aduaneiras ou a expansão através da aquisição de novos territórios, é como se recuássemos ao século XIX. Agora é o Canadá e a Gronelândia, em 1803 foi o Louisiana, em 1819 a Florida ou em 1867 o Alasca.

Quase 100 dias depois, as bolsas contabilizam uma queda de 14%, o pior registo de um Presidente desde, pelo menos, 1928, emagrecendo o rendimento de muitos americanos.

Tão negativo para a economia como as medidas é a volatilidade com que são aplicadas. A incerteza sobre o que serão as regras no próximo mês ou na próxima semana paralisa a iniciativa económica.

Vida

Chega um momento na sua vida, que você sabe:
Quem é imprescindível para você,
quem nunca foi,
quem não é mais,
quem será sempre!

(Charles Chaplin)