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terça-feira, 8 de julho de 2025

Sobre As Mudanças ...

 
– “Só erra quem produz. Mas, só produz quem não tem medo de errar. 
As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado 
o veneno do medo. Do medo da mudança.” 

(Octavio Paz)

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (167)

Para além da demora na Justiça, para além das diligências dilatórias, para além do relato diário dos incidentes em estilo sensacionalista, nada preocupa o país quando um antigo Primeiro-Ministro eleito em democracia se senta no banco dos réus com uma acusação grave e pesada. Na pessoa de Sócrates senta-se no tribunal todo um regime e a ética da República. Não é Sócrates que está a ser julgado, mas a democracia na sua ascensão e queda.     (Carlos Marques de Almeida, ECO)

A antiga jóia do novo socialismo e da modernização de Portugal é hoje uma personagem trágica que é a face visível de uma democracia invisível. Sócrates exibe a impunidade dos homens providenciais, o carisma do excesso e da ambição, a fragilidade de uma história de encantar, em que acredita profundamente, e em que acredita que Portugal pode acreditar. (...)

Depois há o silêncio devastador do PS. O silêncio de uma reflexão que não foi feita em tempo útil e que não será feita na inutilidade do tempo presente. (...) Politicamente o PS não diz nada. (...)

O PS ao não dizer nada contribui para a teia de cumplicidades, interesses, ambições, expedientes, que degradam a democracia ao nível de um esquema exemplar que garante a obscuridade de uma transparência invisível. Falta coragem, falta moral, falta política no PS. A democracia exige o preço do escrutínio. A cumplicidade exige o preço da negação. O PS está em negação há dez anos. Portugal não é dado a reflexões, prefere a tranquilidade das repetições. (...)

A Justiça está obviamente sobre uma enorme pressão. Feito o julgamento na opinião pública com o réu condenado e sem recurso, se Sócrates é ilibado é o descrédito, se Sócrates é condenado é o descrédito.

A República enfrenta um dilema clássico – Sem Democracia não existe Justiça. Sem Justiça não existe Democracia. No Portugal contemporâneo, a Democracia está em conflito com a Justiça. Cansados e traídos pela fraqueza das instituições resta aos portugueses percorrer a grande via que é a Avenida da Liberdade.

Saudades Pagãs I


Visões! sonhos antigos! Quando a Terra,
Na inocência primeira de seus anos,
Entre flores dormia... e era seu berço
O seio de mil deuses! Quando a vida
No coração dos homens sem esforço,
Se abria como um lótus, todo cheio
Dos raios do luar e dos segredos
Do vaporoso espírito das noites!

Quando um tronco era peito comovido,
E a montanha um Áugur, e a rocha oráculo:
E não se achava um só bago de areia
Que não estremecesse e não sentisse
Agitar-se-lhe dentro a alma confusa
Quando os Orfeus passavam, silenciosos,
Por entre os arvoredos, meditando!

Saía então da Terra um grande espírito:
Havia em tudo uma expressão profunda:
Nem era muda a vastidão do mundo.
Como um canto que fere as cordas todas
Duma harpa sonora, uma mesma alma
Através do Universo ia acordando,
Em peito, árvore, pedra, e céu e onda,
As mil notas, diversas mas cadentes,
Duma mesma harmonia ‑ o hino da Vida!

Era a cidade ideal da Natureza!
Seu povo, a criação; seu templo, o espaço;
E muralhas em volta, circundando-a,
Dum lado ao outro os livres horizontes!
Era a cidade ideal! a Lei eterna
Banhava-a sempre numa aurora imensa,
Quando um povo de deuses, radiante
De mocidade e brilho, caminhava
Por entre as multidões ‑ e o solo heroico,
Teu solo sacrossanto, ó Grécia antiga,
Como um sublime palco, sob os passos
Dos atores divinos ressoava!

(Antero de Quental)

domingo, 6 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde


A Frase (166)

O caso do Processo Marquês representa uma tragédia para a democracia portuguesa, para o PS e para a própria Justiça. Tragédia pelas consequências para a economia, para a sociedade e para o futuro da democracia portuguesa, tragédia para o Partido Socialista, que ao longo dos anos tudo fez para não ver o óbvio, tragédia também para a Justiça portuguesa, que teve o seu ponto mais alto no caso do juiz Ivo Rosa  (Henrique Neto, OBSR)

Hoje o percurso político e pessoal de José Sócrates é conhecido, mas levei anos a alertar os portugueses e em primeiro lugar os socialistas, para muitas das estranhas actividades dos governos de José Sócrates, como nos casos da dispendiosa tentação de controlar toda a comunicação social que o criticasse. Que várias gerações de socialistas não tenham dado por nada, representa uma tragédia para o partido e para o País, ao ponto de António Costa, seguidor fiel do seu chefe no governo, ter criado mais tarde a ficção de que “à Justiça o que é da Justiça”. De facto, estão bem um para o outro.
(...)
Sobre o julgamento que agora se iniciou umas pequenas notas: (1) esperemos que a senhora juíza seja firme ao extremo, ao não deixar que o julgamento se transforme num ao trate apenas de José Sócrates e deixe de lado dos holofotes mediáticos algumas outras figuras sinistras. (...)

Que, por uma vez, a comunicação social e os seus comentadores de serviço atentem ao interesse do País de forma verdadeira e pedagógica. (...)

De alguma forma, o que aconteceu e que deu origem ao Processo Marquês, é o resultado do excesso de poder de um partido, no caso o PS, como do facto dos portugueses serem sistematicamente arredados de participarem no controlo das decisões dos governos

Notas: ao fim do primeiro dia de julgamento, a defesa de José Sócrates já demonstrou estar ali para destruir a justiça e a democracia e não deixar que isso continue é uma responsabilidade nacional.

Para Crescer, Apenas Observe Uma Árvore


Para crescer, apenas observe uma árvore. À medida que a árvore cresce, suas raízes se aprofundam.
Existe um equilíbrio: quanto mais alto a árvore cresce, mais profundamente suas raízes crescerão.
Você não pode ter uma árvore de 50 metros de altura com raízes pequenas;
elas não poderiam sustentar uma árvore tão imensa.
Na vida, crescer significa aprofundar-se dentro de si mesmo – é aí que suas raízes se encontram.
 
(Osho)

sábado, 5 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (165)

 Acredito, que um país antigo como o nosso merecia, no topo da pirâmide do Estado, em contrapeso com a restante arquitectura, uma instituição mais representativa da nossa identidade, mais agregadora, realmente independente das inevitáveis refregas entre os grupos de interesses e pertenças sectárias. A Pátria em figura humana. (João Távora, OBSR)

A cena repete-se a cada cinco anos, com mais ou menos despudor, mais ou menos confrangedora, o posicionamento dos putativos candidatos à disputa eleitoral para a corrida a Chefe de Estado de Portugal. Este ano a particularidade é a candidatura de um militar que concorre à margem dos partidos, numa clara aproximação à estética monárquica, suprapartidária. E entende-se bem porquê.A natureza humana é aquilo que é, e pouco haverá a fazer para a domesticar, sem ser com muita violência. Uma sociedade saudável é inevitavelmente conflituosa, competitiva, inquieta, combativa.

É neste âmbito que se compreende a estruturante eficácia dos partidos, que são instrumentos de conquista de poder, um dos mais letais instintos humanos. Por isso, quando vejo deputados no parlamento à beira do histerismo a esgrimir argumentos, a disparar palavras e frases bombásticas com os seus antagonistas no lugar de espadeiradas ou rajadas de metralhadora. (...)

Já não entendo é a necessidade que se proclama no espaço público de que o chefe máximo da nação participe e provenha desse teatro de guerra. Somos, como seres humanos, criaturas únicas e irrepetíveis, muito mais do que as nossas crenças e convicções. Por isso é que acredito, que um país antigo como o nosso merecia, no topo da pirâmide do Estado, em contrapeso com a restante arquitectura, uma instituição mais representativa da nossa identidade, mais agregadora, realmente independente das inevitáveis refregas entre os grupos de interesses e pertenças sectárias. A Pátria em figura humana.

E não me conformo que esta discussão não desponte no espaço público, viciado no degradante circo, na despudorada hipocrisia que consiste a disputa das putativas candidaturas a Presidente da República. Uma tristeza muito grande.

Viagem

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

(Miguel Torga)