Temos de restaurar a ponte entre mérito e política para que os melhores, e não só os mais fiéis, possam liderar a mudança do país. Quando a política repele os competentes entrega-se aos oportunistas.(António Reis Pereira, OBSR)
Numa altura em que o descrédito da política alastra e os cidadãos se afastam do debate público, urge reabilitar essa ideia: a de que precisamos das melhores cabeças e das pessoas mais capazes para liderar, e que a política deve ser um terreno fértil para elas, não uma máquina de triturar mérito em nome de fidelidades partidárias.
Durante demasiado tempo, a política foi sequestrada por lógicas de obediência e fidelidade. Os partidos, embora fundamentais na democracia, deixaram-se dominar por dinâmicas internas que desvalorizam o mérito em favor da lealdade.
Ignorando as lições dos antigos esquecemos de que nos cobrimos, via disciplina e regras, com as vestes frágeis da civilização. Pior do que tudo, foram-nos ensinando que tudo o que desejamos é legítimo (Patrícia Fernandes, OBSR) O negócio dos populistas é simplesmente viver da fadiga dos portugueses perante o sistema político. O método repete-se: apontar baterias contra as falhas do regime, ampliá-las até ao grotesco e, ironicamente, contribuir para o seu agravamento. Tudo isto sem nunca apresentar um pensamento estruturado, nem soluções minimamente credíveis para uma alternativa.(José Mendes, DN)
Ao desconectar da natureza, do corpo e dos outros, a sociedade decai. Decai nas escolhas políticas extremistas e populistas. Na solidão e no vazio interior. Nos consumos supérfluos e menos saudáveis. (Nuno Medeiros Carrapatoso, OBSR)
Com o passar do tempo, fomos afastando-nos da nossa natureza inicial. Amplificámos o ego. O estatuto. A posição social. A multiplicidade de facetas. Passámos a ser uma profissão. Um casado ou solteiro. Um ser repleto de característica e funções no grande esquema das coisas. Passámos do animal, do simples ser humano, da criança, para o ser em sociedade.