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domingo, 4 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (2)

A condenação do regime de Nicolás Maduro e do contexto político vivido na Venezuela é justificada: tantos venezuelanos merecem, sem dúvida, melhores condições de vida, liberdade e democracia. A queda de um líder autoritário é uma boa notícia para um povo subjugado por uma longa crise política e humanitária.

É possível (e até sensato) estar, simultaneamente, satisfeito pela queda de um regime opressivo e ditatorial, e totalmente contra os meios utilizados. Uma intervenção militar que atropela as normas fundamentais do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas é problemática em qualquer circunstância.       (Carlos Gomes, Público)

Silêncio


Sabe porque o silencio magoa?
Porque ele esconde palavras que gostaríamos que fossem ditas.
Sabe porque a traição dói tanto?
Porque nunca vem dos inimigos e sim das pessoas que, muitas vezes, mais amamos na vida.
Sabe porque não existe um meio de voltar no tempo?
Porque se existisse nunca aprenderíamos a seguir em frente!

sábado, 3 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (279/1)

Estamos perante o Corolário Trump, cujo impacto promete ser grande, e sentir-se além das fronteiras da Venezuela , basta pensar na preocupação na Colômbia. Portugal está também preocupado, pois há centenas de milhares de portugueses e luso-descendentes na Venezuela a pensar como será o pós-Maduro. (Leonídio Paulo Ferreira, DN)

O documento de estratégia dizia claramente que o objetivo era "controlar a migração, impedir o fluxo de drogas e reforçar a estabilidade e a segurança em terra e no mar". Trump terá planos ambiciosos para a América Latina, a tal que Bolívar foi, pelo menos em parte, o Libertador.

É Aquilo Que ...


O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (278)

A duas semanas das eleições, é legítimo exigir mais. Mais discernimento. Mais densidade. Mais consciência do papel presidencial ( José Crespo Carvalho, OBSR)

O Presidente da República é, antes de tudo, o primeiro embaixador e o primeiro diplomata português no mundo. Não é gestor do SNS, não é ministro da Habitação, não é secretário de Estado da Educação. Para isso existem governos. 

A quinze dias de uma eleição presidencial, pergunto: qual dos candidatos pegou neste tema central da função presidencial e o trouxe para o debate público? E explicou aos portugueses como e o que iria fazer? Vi poucos debates, é certo. Os que vi, porém, foram paupérrimos. Quase todos deslizaram para o terreno do Executivo: saúde, justiça, educação, segurança. Como se estivéssemos a escolher um primeiro-ministro de faixa presidencial. Ou como se estivéssemos numa república de iniciativa presidencial e não parlamentar.

O essencial ficou sempre de fora. Como se exerce a influência de Portugal num mundo fragmentado? Onde está a estratégia diplomática, e a diplomacia económica, de um chefe de Estado? Que países privilegiar, em que matérias, qual a agenda do chefe de Estado para com esses países? Como se projeta um país pequeno, periférico e relativamente pobre, sem fingimentos nem ilusões?

Na última década, vimos o ressurgimento de fenómenos que julgávamos ultrapassados, que se podem descrever, de forma simplista, como o regresso dos homens fortes. Os tecnocratas estão fora de moda, os humanistas são vistos como fracos, o multilateralismo é sinal de falta de decisão. Dos líderes quer-se, mais do que colaboração, empatia e educação, que seja o tipo que fala mais alto na sala. E se bater com o punho na mesa, melhor.

É a política feita bullying, numa caricatura de testosterona que, francamente, é bastante ridícula.

Portugal não tem, nem terá, uma influência económica global comparável às grandes potências. Mas tem alavancas: história, língua, cultura, redes, memória, presença simbólica, capacidade relacional. Tem a Europa. Tem os PALOP. Tem o Atlântico. Tem uma diáspora relevante. Tem reputação de fiabilidade. Tudo isto exige inteligência diplomática ao mais alto nível.

Nada disto foi discutido. Em vez disso, tivemos acusações fáceis, ruído, arruaça verbal. Política como espetáculo. Presidenciais como reality show. É mau. Não apenas pelos candidatos. É mau porque é o espelho do país que somos.

A duas semanas das eleições, é legítimo exigir mais. Mais discernimento. Mais densidade. Mais consciência do papel presidencial.

Como dizia o Papa Francisco, a esperança é “uma menina irredutível, alegre, que nunca se farta”. Talvez sejamos poucos a esperar um chefe de Estado verdadeiramente diplomata. Mas, mesmo esses poucos, têm direito à sua esperança. E como Portugal precisa desesperadamente dela.

Nota: Bom ano 2026 para todos os que me leem e seguem. Haja esperança!

Eu Não Quero O Presente, Quero A Realidade

 
Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.

Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas
como cousas.

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.

Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.

(Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos")