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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Ouvir O Coração

Tenho rezado paciência aos dias que seguem. Tenho implorado bom senso. Tenho ponderado e agido por impulso na mesma intensidade, e não mais pensando tanto antes de agir. Às vezes, 
tudo que a gente precisa é ouvir o coração, por mais que digam por aí que isso é ridículo. 
Ninguém é tão razão que não se sinta emocionado. Ninguém é só emoção 
que não saiba reconhecer em algum momento 
a hora certa de dizer não, de parar ou voltar atrás.

(Matheus Rocha)

Nota:
Tracking Poll (Pitagórica) :
Os resultados conhecidos esta sexta-feira, foi recolhida uma amostra de 1200 entrevistas durante os dias 13, 14 e 15 de janeiro de 2026, com um grau de confiança de 95,5%, o que corresponde a uma margem de erro máxima de ±2,89%.

António José Seguro – 25,1%
André Ventura – 23,0%
João Cotrim de Figueiredo – 22,3%
Henrique Gouveia e Melo – 11,6%
Luís Marques Mendes –11,5%
António Filipe – 2,4%
Catarina Martins –2,2 
Manuel João Vieira – 0,6%

Notícias Ao Fim Da Tarde

Perplexidades

M’espanto às vezes, outras m’avergonho -  Espanto-me com a rotação da Terra que faz da direita esquerda e da esquerda direita.  

É difícil escrever uma crónica com sentido quando o próprio sentido do mundo parece estar a ser sugado pelo buraco negro de Cisne. E o facto de fazer um frio de rachar também não ajuda à fluidez do pensamento: à semelhança das artérias, o pensamento contrai-se.         (Ana Cristina Leonardo, Público)

A campanha presidencial de João Cotrim, se a outro destino não conseguir chegar, ofereceu pelo menos algo raro no debate público português dos tempos modernos: uma aula prática sobre o que significa o liberalismo económico quando explicado sem jargão, sem dogmatismos e que impacto positivo pode ter na criação da riqueza de uma nação, pois sem ela não haverá capacidade para a distribuir.

Mais do que disputar votos, a sua plataforma funcionou como um exercício de desmistificação — mostrou que defender empresas e mercados não é sinónimo de indiferença social, mas pode ser apresentado como instrumento de criação de oportunidades, sobretudo para os mais jovens. 
       (Luís Miguel Henriques, J Negócios)

Estas eleições presidenciais têm-me deixado muito perplexo.
A existência de um sem fim de candidatos deixa-me um sentimento de que o lugar de Presidente da República Portuguesa não é um lugar para uma pessoa especial, que teria a seu cargo um papel essencialmente de cuidador da nossa Nação, da sua liberdade, da sua justiça e da sua verdade, através da defesa de uma constituição, aprovada por uma larga maioria de representantes do povo português que, sendo esta ou outra seria sempre o garante da defesa dos direitos dos nossos concidadãos.

Pelo contrário, o momento eleitoral que estamos a viver é, por aquilo que fomos assistindo, uma oportunidade, para quem conseguir o número de assinaturas estabelecido como mínimo para se candidatar, de estar na comunicação social durante o tempo de campanha, dizendo tudo aquilo que lhes apeteça e tentando acusar os seus concorrentes dos mais terríveis comportamentos que seja possível passar, seja nas redes sociais ou nos meios de comunicação social.

A alimentar tudo isto temos uma enorme classe jornalística que, em vez de se dar ao respeito e de tentar mostrar a seriedade de que se reveste a escolha do representante de Portugal, aceita entrar neste jogo, aproveitando cada denúncia, sem nunca sequer tentar verificar a possível validade das afirmações, a tentar levar ao mais fundo e deprimente detalhe o tema que, segundo está convencida, a fará ultrapassar os seus pares na abertura das primeiras notícias de cada dia.

As sondagens que vão utilizando, afirmando a sua pouquíssima fiabilidade, também vão ajudando a tentar influenciar de uma forma ou de outra a tendência do voto em cada candidato, e tudo isso sem sequer por um momento pensar que seria a sua responsabilidade ajudar a escolher o representante que melhor represente Portugal e não aquele que menos vezes foi denunciado pela maledicência de quem por qualquer interesse o vai fazendo. No fundo, a imprensa, ao aderir a este tipo de atitude, torna-se um joguete nas mãos dos candidatos e acaba por não servir em nada o interesse de Portugal.

E assim chegamos a este momento de eleição, em que alguns inclusivamente já votaram, com uma imagem de que não há verdadeiramente entre os candidatos, uma única alternativa que seja vista pelo povo português como alguém que tenha as qualidades essenciais para ser o próximo Presidente da República.

Não manifesto aqui a minha opinião sobre a qualidade dos candidatos, mas tão só a percepção que resulta de todo o trabalho de comunicação que foi feito e que resultou nos resultados em que nenhum parece ser, à vista dos portugueses, merecedor desse lugar.

Neste momento, aquilo que mais se discute é quem será o mal menor e qual será aquele que melhor será para este ou aquele partido, para o governo e para a oposição.

Pois, para mim, a eleição do Presidente da República não é nem deve ser um jogo da política, uma vaidade de qualquer candidato nem a escolha da pessoa menos atacada pela maledicência.

A escolha do Presidente da República é uma responsabilidade muito séria de encontrar alguém que, pela sua preparação, pelo seu exemplo de vida e pelas suas convicções deverá ser o verdadeiro protector deste povo, dos seus elementos mais fracos, dos seus valores e princípios, da integridade desta nossa Nação. E isso eu não ouvi discutir nenhum dos candidatos. Provavelmente alguns até o poderiam ter feito se os não tivessem colocado constantemente a desmentir as mentiras interesseiras que surgiram diariamente para tentar minar a verdade. A maioria dos candidatos já era sobejamente conhecida para que, se houvesse denúncias, elas já tivessem sido feitas anteriormente.

Enfim, este processo eleitoral deixou-me, e provavelmente à maioria dos portugueses, muito desiludido com o nosso sistema democrático, mas deixou-me ainda mais preocupado com a pouca responsabilidade com que nos propomos eleger quem nos representa e deve tomar conta de nós.

Talvez, de facto, se fosse um Rei seriamos levados a ser muito mais sérios e capazes de ser bem representados.         (Bruno Bobone, OBSR)

Nota: Nada nestas eleições é linear. Tudo são manigâncias, subterfúgios incoerências.  Muita informação  acusatória e sem isenção. É triste. mas pelo visto é o que temos. Escolher mediante o espectáculo que nos têm apresentado é difícil senão quase impossível.

A Tolerância Com Os Intolerantes ...

 

A  tolerância ilimitada deve conduzir a um desaparecimento da tolerância. Se entendermos a tolerância ilimitada incluindo aqueles que são intolerantes, sem não estarmos preparados para defender uma sociedade tolerante contra os ataques dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância com eles.

Tenhamos por tanto que reclamar, em nome da tolerância, e o direito a não tolerar a intolerância.

O filósofo austríaco Karl Popper questionou até que ponto a sociedade deve ser tolerante com os intolerantes

A frase descreve o Paradoxo da Tolerância de Karl Popper, que argumenta que a tolerância ilimitada leva à destruição da própria tolerância, pois permite que os intolerantes a destruam; portanto, uma sociedade tolerante deve defender-se, reservando o direito de não tolerar aqueles que atacam a tolerância e a sociedade aberta, usando a força se necessário, especialmente quando a argumentação racional falha e eles recorrem à violência, como ensinado no livro A Sociedade Aberta e Seus Inimigos.

Entendendo o Paradoxo: O Problema: Uma sociedade aberta e tolerante, ao estender tolerância ilimitada a grupos que pregam a intolerância, corre o risco de ser destruída por esses grupos, que podem acabar com a liberdade e a tolerância.

A Solução de Popper: 
Primeiro, o Diálogo: Não se deve suprimir imediatamente ideias intolerantes se elas puderem ser combatidas com argumentos racionais e mantidas sob controle pela opinião pública.

Quando Intervir: Deve-se reivindicar o direito de não tolerar os intolerantes, e até mesmo suprimi-los pela força, se eles abandonarem o debate racional e se prepararem para usar a violência (punhos ou pistolas) para impor suas ideias.

O Limite: A linha é cruzada quando os intolerantes se recusam a dialogar, usam desinformação para criar bolhas, atacam oponentes e estão dispostos a usar violência física, ameaçando os fundamentos da sociedade democrática.

Em Resumo: Para proteger a sociedade aberta e plural, é preciso ser vigilante e, em última instância, intolerante com aqueles que ativamente buscam destruir a tolerância e a liberdade, garantindo que a democracia não seja vítima de seus próprios princípios.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Eleições

Estas foram as primeiras eleições em que todos os candidatos fizeram uso plenamente consciente do tempo que vivemos: dos media constantes em torno deles, das redes sociais, dos estudos de opinião a saírem quase diariamente, da voracidade da informação e da velocidade com que a nossa atenção hoje escolhe um tema como o fim do mundo e amanhã já o descartou e passou a outro. Foram as primeiras eleições em que todos compreenderam que os ciclos noticiosos que antes podiam durar semanas ou meses, hoje dificilmente sobrevivem ao súbito aparecimento do dia seguinte.

Se, em tempos, a política se fazia com instinto, nestas presidenciais tudo foi cálculo. Imagem cuidadosamente preparada, debates cuidadosamente preparados. Não voltariam a cometer o erro de ignorar as redes sociais, não voltariam a cometer o erro de subestimar a importância de mostrar um lado mais vulnerável ou humano e de ir aos programas de entretenimento e de humor, não voltariam a cometer o erro de não dar atenção científica às sondagens, não voltariam a cometer o erro de não mudar de estratégia durante a campanha se fosse preciso, não voltariam a cometer o erro de se regozijarem no conforto apenas do seu eleitorado. E, no fim, tanto estudo, tanta cautela, tornaram-nos pouco moldáveis a esse bicho temperamental chamado realidade. Tirou-lhes jogo de cintura ou entorpeceu-lhes o instinto. Os erros acumularam-se. Os erros ditaram tudo. Os erros e um velho pecado tão pouco tecnológico, mas tão bíblico: a cobiça.       (Alexandre Borges, OBSR)

Noite

 

A noite, com sua
partitura de mistérios
faz música.

Fecho os olhos
e ouço o som
do universo
como se fosse
um zumbido
de anseios e luz.

Caminho sobre
a linha invisível
dos desejos.

(Roseana Murray)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Presidenciais

Ventura destaca-se pelo maior volume absoluto de interações, Cotrim Figueiredo combina alcance e envolvimento de forma mais equilibrada; Jorge Pinto aposta numa mobilização intensa junto de uma comunidade reduzida; Gouveia e Melo lidera em volume de atividade. Os restantes candidatos oscilam entre audiências amplas, envolvimento moderado e dificuldades em gerar tração digital consistente.       (Alexandra Tavares-Teles, DN)

A comunicação política digital dos candidatos às eleições presidenciais de 2026 tem estado mais orientada para a manutenção da relação com os seguidores do que para a mobilização eleitoral ou a conquista de novos eleitores. A conclusão é de um estudo académico do IPAM, que analisou mais de duas mil publicações nas principais redes sociais durante o mês de dezembro de 2025.

A investigação, conduzida por dois professores do IPAM, analisou a forma como oito candidatos às Presidenciais de 2026 comunicaram no Facebook, Instagram e TikTok ao longo de dezembro de 2025. No total, foram observadas 2.104 publicações de André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Cotrim Figueiredo, Gouveia e Melo, Jorge Pinto e Luís Marques Mendes.

Os dados revelam um padrão claro: a comunicação digital dos candidatos assumiu, maioritariamente, um caráter relacional e simbólico.   (Continuar a ler)

Quando Está Frio No Tempo Do Frio


Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no fato de aceitar —
No fato sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Nota: O poema reflete a filosofia de Caeiro de viver o presente e o natural sem questionamentos excessivos, vendo a beleza na simples existência.