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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (12)

 Estes dias devem ser tudo menos um “fale agora ou cale-se para sempre”. Irmos todos para um lado do campo anunciar ao país que somos nós os democratas deixa o outro completamente livre para os que o querem comandar. Juntar em exército os descontentes, apontar o dedo ao “sistema” – “estão a ver? Todos iguais. Todo do mesmo lado. Farinha do mesmo saco. Só eu sou a cura.”

Mais escuta e menos proclamações. Pensar no que se vai dizer, antes de se dizer. Lembrar, por exemplo, aos que acham que vão “dar um murro na mesa” e mudar de vida, que não é com um Presidente da República que se faz isso – muito menos o português. Ou então, sim, no pior dos casos, recuperar o apreço ao valor dourado da quietude e fazer como já recomendava, na Grécia Antiga, o velho Pitágoras: “Se o que tens a dizer não é mais belo do que o silêncio, então cala-te.”

O problema não é, portanto, só de palavras, nem sequer de decibéis; começa por ser um problema de números – e de sobranceria. Pelo facto de o líder de um partido dar “indicação de voto”, isso não significa a transferência automática daqueles que nele votaram para o outro que agora “indica”. E só uma forma muito paternalista de olhar o mundo poderia pensar assim, tratar o cidadão como ovelha dum rebanho que irá para onde a mande o pastor.     (Alexandre Borges, OBSR)

Na Sombra Das Coisas

Kumi-yamashita

Gosto de ficar na sombra das coisas
no segredo delas, gosto
de entranhar a criação
de vagar como as ideias
como a arte que se entranha
e, incerto, incauto
renasço a cada dia.

(Adonis)

Tradução de Michel Sleiman

Nota: Esta frase evoca o espírito de Adónis  (Ali Ahmad Said Esber), um dos maiores poetas vivos da língua árabe, cuja obra mergulha precisamente no mistério, na redefinição do sagrado e na "mística da claridade".

Ver além do visível: Para Adónis, a poesia não descreve a realidade; ela cria-a de novo, revelando o que está oculto sob a superfície do quotidiano.

Abrace a incerteza: Habitar o segredo é aceitar que nem tudo precisa de ser explicado pela lógica racional.

A busca da identidade: Como ele escreve em muitas das suas obras, a verdade não é um destino, mas o próprio caminho da procura.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (11)

Quanto a André Ventura, Montenegro já está em fase de controlo de danos. Na sua pior noite, o presidente do PSD tomou a sua melhor decisão: não apoiou Seguro , assim evitando no futuro que Ventura o acantone com o PS como “bloco central” do sistema que tem de unir-se para o vencer.  (Pedro Santos Guerreiro, CNN)

O mal que já está feito. Mesmo se Ventura perder à segunda volta.

Mas se Montenegro apoiasse Seguro, Ventura diria ainda outra coisa: que só quando todos os partidos do sistema se unem é que ele perde; que tinha sido assim nas presidenciais e assim teria de ser nas legislativas; e que AD e PS, que andam a aprovar orçamentos juntos, são o “lado de lá” de Ventura, o “sistema” contra ele. É assim que acontece há anos em França.

O resultado das presidenciais trouxe Montenegro à terra, contrariando o seu excesso de otimismo e de confiança dos últimos meses. O grande resultado de Ventura somado ao grande resultado de Cotrim são um duche gelado de realidade, tanto que o discurso final de Cotrim – de que os seus 900 mil votos são o princípio de qualquer coisa – são uma ameaça a “esta” Iniciativa Liberal e a “este” PSD. 

Montenegro tem de perceber como é que mesmo baixando impostos, dando borlas no crédito à habitação e prometendo reformas, não mobiliza esta população jovem. 

Já não há boas soluções: ao contrário da frase do candidato Tiririca, pior que está ainda fica. E Montenegro não é partidário da resistência, mas da sobrevivência. Quando se põe a olhar, vê-se ameaçado por vários lados, dois à direita e um à esquerda. E quando se põe a escutar, ouve um som familiar, minimal, repetitivo, um tiquetaque, tiquetaque, tiquetaque…

On peut danser partout, et c'est cela qui est beau.


Podemos dançar em todos os lugares e é isso que é maravilhoso ! 

A beleza da dança está na sua versatilidade e liberdade, não importa o ambiente ou os estilos de dança, tudo se adapta, fluindo com leveza e emoção. É uma arte que não exige cenários luxuosos ou equipamentos caros; basta o desejo de se mover ao ritmo da música ou mesmo no silêncio. Essa liberdade faz da dança um instrumento poderoso de expressão e conexão, capaz de transformar qualquer espaço em um palco de sentimentos e histórias.       (Hervé Koubi)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta è A Frase (10)

Luís Montenegro que é sem dúvida o vencido que enfrenta desafios mais difíceis de ultrapassar. Neste momento, como dizem os brasileiros, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Se apoiar André Ventura corre o risco de dividir ainda mais o partido – e de sair de novo derrotado. Se apoiar Seguro pode dividir menos o partido, mas dá campo aberto a Ventura para o seu discursos anti-sistema. Mas o pior dos seus problemas está para chegar ao longo deste ano. Tudo indica que Ventura não ganha as presidenciais, mas vai ter uma votação que lhe permite dizer que é o líder da direita. O que fará Ventura com essa liderança? Mais do que responder a essa pergunta, Montenegro vai ter de ser capaz de ter um golpe de génio que faça o seu eleitorado acreditar, especialmente o mais jovem, que está a resolver os problemas do país. Tem à sua frente um desafio de sobrevivência.        (Helena Garrido, OBSR)

Nota: "Para bom entendedor, meia verdade basta"

O Mundo Está Devolvido Ao Prazer De Odiar

O mundo está devolvido ao prazer de odiar. É uma constante da política e da natureza humana – O inconfundível prazer que o domínio e a humilhação do outro causam nas mentes primárias e nos intelectos mais elevados.  (Carlos Marques de Almeida, ECO)

Quando Trump recebe o prémio Nobel da paz que não lhe foi atribuído, tal gesto diminui a simbologia do prémio e funciona como uma humilhação do real destinatário. Quando Trump anuncia a expansão territorial da América através da anexação da Gronelândia, tal declaração desafia toda a construção de uma ordem internacional que projecta a humilhação de uma nação aliada e cooperante. 

E se algum país soberano não concordar com a soberania universal da América então dispara-se a arma das tarifas aduaneiras transformadas numa espécie de míssil de cruzeiro económico. Há qualquer coisa que aproxima estas declarações políticas da lógica das expedições punitivas para efeitos de pacificação da ordem internacional. É a nova versão da Pax Americana.

O ódio em política não é um atributo particular à direita ou à esquerda. O ódio é uma parte constitutiva da política – Maquilhado com a hipocrisia, disfarçado com a justiça, impulsionado com a cultura. O ódio é um dispositivo político que provoca um profundo sentido de identidade e uma ideia de destino manifesto. 

O ódio é uma emoção política que se liberta do medo, da inveja, do preconceito, do desejo puro de poder. O ódio permite unir comunidades inteiras contra um inimigo comum. 

O mesmo ódio que faz da política um exercício irracional associado a decisões destrutivas que podem ameaçar a harmonia social de uma comunidade e armadilhar qualquer sentido de realização pessoal. O ódio consolida as divisões e fortifica as fronteiras. 

O estado actual do mundo passa pela consolidação das divisões e pela fortificação das fronteiras. Fronteiras políticas e económicas. Contra uma versão lírica do Direito Internacional, o ódio é a mais eficaz máquina do medo. (ler aqui texto na íntegra)

Recomeço ...

 

“Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”

             ( Miguel Torga)