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terça-feira, 17 de março de 2026

A Frase (48)

Em alguns segmentos da política norte-americana, o conflito começa a ser descrito em termos quase civilizacionais ou religiosos, como se representasse uma nova cruzada entre judeus, cristãos e muçulmanos. Quando guerras passam a ser enquadradas como batalhas de fé ou de destino civilizacional, o espaço para diplomacia desaparece. Compromissos tornam-se traições, negociações tornam-se fraqueza e o conflito assume uma dimensão existencial.    

(Marcus Vinícius de Freitas, J Económico)

Em um sistema internacional já marcado pela erosão da confiança e pela fragmentação da ordem global, a combinação entre guerra de escolha, assimetria estratégica e retórica religiosa cria um ambiente particularmente perigoso. Guerras assim raramente produzem estabilidade. Mais frequentemente, inauguram ciclos de instabilidade cujas consequências escapam ao controle daqueles que acreditavam poder moldá-las. Nenhuma aliança justifica fazer parte de tal conflito.

Entre Polos


Há uma luz que incide em nossos corpos,
às vezes vaga, às vezes lume,
às vezes arco que constela de cores
as vias tortuosas de nossa estrada.
Se enfrentei os mastodontes da noite
e minha armadura, ainda assim,
revestiu-se de nada, eu me rendo:
esta luz que oscila entre nossos polos,
ora magra, ora vasta, é ganho, é graça -

desenha-me um azul no glaciar da alma
e me retrata.

(Fernando Campanella)

segunda-feira, 16 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta é A Frase (47)

A esquerda foi o futuro ontem. A esquerda é o passado hoje.       (Carlos Marques de Almeida, ECO)

Sem função política evidente, submersa pelo peso das suas contradições, a esquerda comporta-se como consciência moral de uma sociedade que a recusa e despreza. A esquerda é a inquisição da democracia, o seminário dos idealistas, o evangelho dos sem destino, incapaz de inspirar o país com proposta políticas exuberantes na consistência. A esquerda entra em modo de sobrevivência ao mesmo tempo que discursa em tom de resistência como se vivesse num país sob ocupação. A esquerda esconde-se dos seus próprios erros e o inferno político são os outros.

A política portuguesa está transformada num pequeno teatro em que os políticos que nele representam assumem os papéis de uma comédia de costumes que aos costumes apenas conhecem a grande arte da sobrevivência política.

Senão vejamos. A esquerda residual pretende ganhar tempo para ressuscitar. O PS pretende ganhar tempo para a refundação. O PSD pretende ganhar tempo para as reformas adiadas. O Chega pretende ganhar tempo para que todos os outros percam o tempo político necessário à ascensão da direita populista. A grande conclusão aponta para a imagem de um país bloqueado e o filme de uma nação estagnada enquanto a política acontece à margem dos portugueses. Perante a imobilidade de um país sem o impulso dos heróis, a questão impõe-se como máxima nacional – Qual é a pressa?   (ler aqui o texto na íntegra)

A Tagarelice E A Simplicidade

 A Tagarelice
Quando, neste mundo, um homem tem qualquer coisa para dizer, o mais difícil não é fazer-lho dizer, mas impedi-lo de o dizer vezes de mais.

Pelo contrário: 

A Simplicidade é o que há de mais difícil no mundo: é o último resultado da experiência, a derradeira força do génio.

(Citações de George Bernard Shaw)

domingo, 15 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Honestidade Seletiva

A honestidade é uma característica universalmente valorizada, e geralmente preferimos quem nos dá opiniões e pareceres honestos, percebendo essas pessoas como confiáveis e previsíveis. Além disso, tendemos a atribuir um nível mais elevado de moralidade a pessoas que se comportam de forma previsível do que àquelas que não são consistentes.

No entanto, em algumas situações, um comportamento flexível pode ser percebido como mais moral do que a honestidade "rígida", por assim dizer.

O que acontece é que, embora valorizemos a honestidade, também atribuímos um nível mais elevado de moralidade a pessoas que não são francas demais, às vezes até distorcendo a realidade para evitar magoar os outros. Mas isto só vale para os outros: Nós preferimos ouvir a verdade nua e crua quando o feedback nos diz respeito.

Esta foi a descoberta surpreendente de dois psicólogos poloneses, Katarzyna Cantarero (Universidade SWPS) e Michal Biaek (Universidade da Breslávia), que decidiram investigar como julgamos e selecionamos quem nos dá feedback: Desde aqueles que são sempre honestos até aqueles que "suavizam a verdade" para evitar magoar o destinatário do comentário.

Embora os participantes (cerca de 900) tenham tendido a atribuir notas morais mais altas a "mentirosos pró-sociais", a maioria não quer receber esse tipo de feedback quando estiver envolvido na situação. Quando se tratava de escolher alguém para avaliar o próprio desempenho, a quase totalidade preferiu alguém que fosse honesto e "falasse na lata".

A situação mudou totalmente quando se tratava de uma pessoa que era apontada como tendo dificuldade em lidar com feedback negativo: Para pessoas emocionalmente sensíveis, a maioria preferiu escolher alguém que as acolhesse e desse retornos que as mantivessem motivadas, relativizando o valor da verdade nua e crua.

Segundo os dois psicólogos, esta descoberta sugere que a honestidade a todo custo é um mito, e que tipicamente acreditamos que não existe uma estratégia de feedback universal e ideal em relacionamentos interpessoais: As pessoas valorizam a capacidade de responder às necessidades emocionais de outra pessoa e adaptar a comunicação a elas, dependendo do contexto social, mesmo quando isso exija abrir mão da verdade claramente exposta.

Em outras palavras, ferir os outros com palavras é considerado menos moralmente aceitável do que simplesmente falar a verdade sem levar em conta a suscetibilidade do outro.
Checagem com artigo científico:

Artigo: Selective (dis)honesty: Choosing overly positive feedback only when the truth hurts
Autores: Katarzyna Cantarero, Michal Bialek
Publicação: British Journal of Social Psychology (via DS)
DOI: 10.1111/bjso.70020

Permanência Da Poesia


Quando a luz desaparecer de todo,
Mergulharei em mim mesmo e te procurarei lá dentro.

A beleza é eterna.
A poesia é eterna.
A liberdade é eterna.
Elas subsistem, apesar de tudo.

É inútil assassinar crianças. É inútil atirar aos cães os que,
de repente, se rebelam e erguem a cabeça olímpica.
A beleza é eterna. A Poesia é eterna. A liberdade é eterna.
Podem exilar a poesia: exilada, ainda será mais límpida.

As horas passam, os homens caem,
A poesia fica.

Aproxima-te e escuta.
Há uma voz na noite!

Olha:
É uma luz na noite!

(Emílio Moura)

sábado, 14 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

A estratégia de Teerão é levar a guerra ao bolso dos consumidores americanos e do resto do mundo. Se o conflito se prolongar terá consequências sérias na inflação e no crescimento da economia. prolongar terá consequências sérias na inflação e no crescimento da economia        (André Veríssimo, ECO)

Donald Trump diz que os EUA já ganharam a guerra contra o Irão, mas continua a falhar onde ela verdadeiramente se está a travar: o Estreito de Ormuz. se prolongar terá consequências sérias na inflação e no crescimento da economia.

A defesa do Irão é uma ofensiva contra a economia global. Teerão está a atacar onde sabe que provoca maior dano: travar as exportações de bens energéticos do Golfo Pérsico, fazer disparar os preços do petróleo e derivados e levar a guerra ao bolso dos consumidores americanos e do resto do mundo, aumentando a pressão para um cessar-fogo. (...)

Leiria, mais do que ser alvo de uma recuperação, está a ser palco de uma retaliação por parte de um opositor ruidoso do Governo que achou que Leiria era o palco adequado   (José Miguel Saraiva, OBSR)

(...) É claro que os apoios podem e devem ser mais céleres, tudo pode sempre correr melhor quando se fala em recuperar cidades e vidas que foram destruídas e danificadas. Mas Leiria não pode ser o pretexto para uma afirmação política pessoal.

A CM Leiria deve estar focada em contribuir para o PTRR com medidas e propostas concretas de recuperação do concelho e da região centro como um todo. Deve estar focada em colaborar com as CCDR, com a CIM e com o Governo para a devida e adequada canalização dos apoios para as empresas, famílias e infraestruturas públicas danificadas. Deve estar focada em auxiliar as empresas e famílias portuguesas nas candidaturas aos apoios, seja junto do BPF seja junto da própria CM Leiria e CCDR Centro.

Não deve o seu Presidente estar focado em oposição permanente e ruidosa ao Governo, só pelos dividendos que pode trazer a uma qualquer ambição futura. Leiria não é trampolim, não é arena de combate nem púlpito para proclamações partidárias. E o futuro de Leiria depende de uma vontade política que não é esta.