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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase

Os riscos de um PSD amarrado às bases - Para ganhar o país, Rui Rio vai precisar de uma equipa forte, credível e com conhecimento e provas dadas. Os melhores do seu partido, porém, estiveram ao lado de Rangel    (Manuel Carvalho, Editorial do Público)

A vitória de Rui Rio sobre as elites e o aparelho do PSD diz muito sobre o seu perfil político e diz ainda mais sobre o que é hoje o PSD. 

O Sono


O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono!...

(Álvaro de Campos)

domingo, 28 de novembro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde

'A Lanterna De Diógenes Faz Falta. O Ponto De Apoio E A Alavanca De Arquimedes Também.'

O PS vive a sua crise de poder a mais, com fracturas internas difíceis de remediar. Aquele que poderia ser o principal centro de recuperação económica e social e o primeiro responsável por uma racionalidade política actualizada, está em vias de procurar o enriquecimento sem justa causa. Sem talento para a recuperação económica, polarizado na despesa pública, sem capacidade para atrair investimentos e mercados, este partido inventa todos os dias causas menores e adversários inexistentes. Quer ganhar as próximas eleições essencialmente com a mediocridade dos outros.

O PSD é um dos casos mais interessantes da história partidária portuguesa das últimas décadas. Foi o que melhor se colou à sociedade, às classes, às comunidades, aos grupos de interesses e às crenças. É o mais plural e diversificado de todos. A sua vasta riqueza política permitiu-lhe todas as querelas e todas as barafundas. Várias vezes se fez e refez. Não se poupa a nenhuma trapalhada. Desta feita, parece irreversível. A campanha interna não tem sentido nem programa. É talvez o momento da sua história em que mais perto se encontra de uma profunda clivagem. São barões contra barões, transviados sem causa. Entre uma maioria impossível e uma oposição ineficaz.

O Bloco de Esquerda prepara-se acidamente para uma má jornada. Perdeu a mão, a negociação com o governo saiu-lhe mal. Não soube avaliar a sua força. Ou antes, não percebeu a sua fraqueza.

O PCP vive momentos de terrível crise de consciência e existência. Colaborou pela primeira vez com a direita social-democrata e com a burguesia democrática, mas as coisas não correram bem.

O CDS prepara cuidadosamente o seu funeral. É difícil perceber todas as razões doutrinárias, políticas, sociais e pessoais que conduziram o partido a esta situação estranha. As facções lutam por nada. São duelos sem donzela.

O PAN Entrou em zonas de baixios e sarilhos.

O Chega vem abandonando o seu ímpeto revolucionário. Pretende jogar o jogo e elabora um programa, o que é contrário ao impulso justiceiro.

A IL é um doce mistério. Não sabemos, não se sabe realmente o que quer. Nem o que vai fazer. Será que eles sabem?

A lanterna de Diógenes faz falta. O ponto de apoio e a alavanca de Arquimedes também.

(Excertos do texto de António Barreto no Público)

Portugal


Portugal é o paraíso dos parolos porque tudo lhes é permitido. E encomendado. 
Doutro modo não teríamos a riqueza da nossa arquitectura parola, a parolice especial da nossa música,
 a notoriedade pública dos nossos maiores políticos parolos.

(Miguel Esteves Cardoso)


sábado, 27 de novembro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase

 A omissão censória e a técnica da avestruz - Onde há preconceitos, não se informa com objectividade e isenção. Por isso, a Caminhada pela Vida foi silenciada pela comunicação social.   (P. Gonçalo Portocarrero de Almada, OBSR)


Costuma-se dizer ‘no news, good news’. Com efeito, uma viagem aérea, que corre bem, não merece a atenção jornalística, mas um avião que se despenha é, obviamente, matéria de interesse mediático. Há omissões que são explicáveis pela irrelevância dos factos, mas também há exclusões que não são inocentes.

A Dor Não Passa, E Porfia


Passa-se um dia e outro dia
À espera que passe a Dor,
E a Dor não passa, e porfia,
Porque trás dia, outro dia
Que traz Dor inda maior;

Porque embora a Dor aflita
Calasse há muito seus ais,
Ainda, fundo, palpita
Uma outra Dor que não grita:
A Dor do que não dói mais.

(Francisco Bugalho)

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde