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sábado, 11 de janeiro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (11)

Chegamos a um tempo em que discordar da violação em massa e impune de crianças e adolescentes é ser de “extrema-direita”, logo “racista”.  

Julgo que alguns dos manifestantes nem precisarão de se deslocar até ao Martim Moniz: aparentemente, ainda não saíram de lá desde que, em 19 de Dezembro. Os multiculturalistas que, por dificuldades de agenda, geografia, vontade ou digestão, não foram ao Martim Moniz em carne e osso, pairam por lá em espírito.  

É interessante notar que a sensibilidade dessas almas não se manifestou, literal e figurativamente, aquando de operações similares, no Martim Moniz e onde calhou, sob a vigência de governos socialistas. Decerto, e para citar a sempre pertinente Mariana Mortágua, as operações em causa não se enquadravam na corrente “campanha racista” e “de ódio”.

Só o racismo e o ódio justificam que as autoridades provoquem semelhante alarido numa zona que, ao longo de dois anos inteirinhos, apenas testemunhou 52 crimes violentos, centenas de casos de desordem e, as fontes variam, talvez um homicídio.

É essa gente que hoje vai desfilar a partir da Almirante Reis, a soltar guichos alusivos à “injustiça” e à “discriminação”, ao “medo” e à “vergonha”, ao “racismo” e aos “direitos humanos”.

Vale a pena notar que essa gente, que escorre virtude postiça e desumanidade autêntica, despreza por cálculo as infelizes estupradas como, se lhes convier, despreza os imigrantes decentes ou os demais objectos da sua oportunista atenção. O apreço dessa gente esgota-se naqueles, e naquilo, que ajudem a destruir a sociedade que temos, a vida que levamos, as pessoas que somos.

( excertos do texto de Alberto Gonçalves, OBSR)  






Vida

Choveu! E logo da terra humosa
Irrompe o campo das liliáceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa!
Que vigor no campo das liliáceas!

Calquem. Recal-quem, não o afogam.
Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.
Não as extinguem. Porque as degradam?
Para que as calcam? Não as afogam.

Olhem o fogo que anda na serra.
É a queimada... Que lumaréu!
Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,
Que não apagam o lumaréu.

Deixem! Não calquem! Deixem arder.
Se aqui o pisam, reben-ta além.
- E se arde tudo? - Isso que tem?
Deitam-lhe fogo, é para arder...

(Camilo Pessanha)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Incongruências

O Público demonstra muito bem que desistiu do jornalismo quando a sua manchete principal de hoje é "Governo deixa cair regra acessível como regra para converter solos".

O que leva um jornal a fazer a sua manchete principal em 10 de Janeiro de 2025 com uma informação conhecida e publicamente anunciada pelo governo em 30 de Maio de 2024? 

Nada, a não ser a vontade da jornalista que no jornal escreve sobre habitação (Rafaela Burd Relvas) partindo da estranha concepção de que o mercado imobiliário é um mercado especial, em que os produtores não podem ganhar dinheiro e têm a obrigação que produzir habitação nos melhores locais a preços que sejam compatíveis com os ordenados mais baixos do país. (...)

Eu sei de onde vem este disparate, é da sistemática referência à subida de preços no imobiliário como sendo sempre especulativa, deve ser o único mercado do mundo em que os especuladores conseguem criar escassez artificial indefinidamente, sem irem à falência.

Já os jornais que fazem manchetes com base em informações que são públicas há meses, apenas para dar livre curso à vontade dos seus jornalistas fazerem política, esses tendem mesmo a ir à falência.

( henrique pereira dos santos, Corta.fitas)

A Frase (10)

Portugal vive atualmente um momento de relativo otimismo económico, em contraste com o pessimismo predominante na Alemanha, França e na Zona Euro. O indicador de sentimento económico para Portugal, calculado pela Comissão Europeia, manteve-se nos 107 pontos em dezembro de 2024, permanecendo em território de expansão económica, definido por valores acima dos 100 pontos, os quais separam a expansão da contração da atividade económica, enquanto a média da Zona Euro caiu para 93,7 pontos, refletindo um cenário recessivo.  ( Paulo Monteiro Rosa, ECO)

O atual desempenho económico de Portugal é especialmente notável quando comparado com a sua trajetória histórica. Desde 1987, quando começaram a ser compilados estes dados para o país, pouco mais de um ano após a sua entrada na Comunidade Económica Europeia (CEE), em janeiro de 1986, é difícil encontrável para Portugal coar uma divergência tão favormo a que se verifica atualmente. (...) 

Gosto Da Intensidade ...




Simplesmente gosto da intensidade...
Abomino a mesmice...
As ideias curtas...
Não gosto de quem não se permite viajar...
Ainda que em sonhos

(Adyforever)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (9)

A política salarial e de promoções no Banco de Portugal é uma espécie de mundo secreto, que só conhece quem lá passa, opaco e sem escrutinio. Para alguma serviu o caso do secretário-geral do Governo.  (António Costa, ECO)

A nomeação de Hélder Rosalino para secretário-geral do Governo com o salário de origem do Banco de Portugal, na ordem dos 15 mil euros brutos por mês, teve a virtude de pôr o país a discutir a política salarial do banco central, o nível salarial de uma entidade supervisora e o que se vai sabendo, ainda a custo, mostra a opacidade como tudo foi feito, e é feito, ao longo dos anos, sempre sob a falácia da pertença ao sistema europeu de bancos centrais. Os salários são definidos em Lisboa, foram-no há anos, e sabemos até que a comissão de remunerações não reúne há uma década.

Mário Centeno vai ter de ir ao Parlamento nos próximos dias para falar sobre os salários no Banco de Portugal. E num movimento de antecipação, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, iniciou o processo para uma reunião da Comissão de Remunerações do Banco, de que é presidente por inerência, mas está à espera que Centeno indique um ex-governador para o dito comité. (ler texto íntegral)

O Estereótipo É Uma Construção


Um estereótipo é uma construção sociocultural que atua como uma generalização representativa, limitadora ou inalcançável, baseada em determinados parâmetros que nem sempre são verdadeiros ou atuais. Ou seja, os elementos argumentativos muitas vezes não correspondem à realidade do momento, tornando-se uma ferramenta para prejulgar, atacar e distorcer, sendo compreendido como resultado de manipulação informativa ou uma negação das mudanças evidentes sobre as particularidades às quais se referem.

Sobre sua etimologia, o termo tem origem nos vocábulos gregos “stereós”, que indica solidez, e “typos”, que remete à ideia de um molde. Originalmente, era utilizado para se referir à estereotipia mecânica, uma técnica de impressão.

Esse tipo de pensamento reflete a ideia de “todos iguais”, como, por exemplo: todas as mulheres são de tal forma, todos os americanos, todos os atletas, todas as atrizes, todas as crianças, todos os profissionais de TI, e assim por diante. A essência dessa noção está no fato de que os estereótipos fazem uma generalização que vai contra a complexidade e a singularidade de cada ser humano.

Os estereótipos são como caixas nas quais tentam nos encaixar, cortando partes de nós para nos adaptar, a fim de sermos aceitos por nossos pares. Ou seja, o mundo em que vivemos nos exige ser e agir de determinada maneira para “encaixar”, marginalizando, ao mesmo tempo, certas atitudes, comportamentos, modos de ser, vestir e aparentar.

(Conceitos baseados num artigo de Angela Estevez)