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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (186)

 Sem surpresa, os anúncios de mudanças sectoriais que têm sido feitos pelo Governo são sucedidos por uma série de críticas, a generalidade delas no mesmo sentido. É normal, faz parte da vida em democracia. 

Algumas críticas serão mais pertinentes e certeiras do que outras. Muitas decorrem do velho princípio, também comum em democracia: tudo o que o campo político adversário faz é mal feito e pretende apenas ser um “ataque” a isto ou àquilo. Outras ainda partem de uma leitura parcelar e apressada das mudanças propostas, muitas vezes com base no título de uma notícia ou na inabilidade de comunicação do Governo. (Paulo Ferreira, OBSR)

Nas últimas semanas assistimos a esse fenómeno comum acerca das propostas de mudança nas leis do trabalho e nas regras da imigração.

O escrutínio público e das críticas fundamentadas, o Governo sabe que vai enfrentar resistências de corporações, interesses instalados, opositores políticos e partes interessadas em cada mudança que queira fazer.

O que se está a passar com as mudanças propostas para a Fundação da Ciência e Tecnologia é, a esse nível, muito ilustrativo. Durante décadas, a FCT era um exemplo de mau funcionamento, de atrasos no pagamento de bolsas e de geração de instabilidade na vida dos bolseiros. Perdeu-se a conta aos concursos impugnados, criticados ou polémicos e muitas das denúncias desse caos vinham precisamente dos cientistas e de organizações que dizem representá-los. Agora que o Governo apresenta uma mudança da organização, são essas mesmas vozes que se opõem e defendem o status quo.

O Governo sabe também que uma boa parte das reformas se ganham ou perdem na opinião pública e na forma como a mediana sociológica do país as entender.

Por fim, o Governo não desconhece que as tentativas de mudança causam desgaste político imediato em nome de um eventual reconhecimento futuro — se as mudanças foram efetivas e eficazes.

Se se perder nos aspetos que geram 95% do desgaste apesar de terem apenas 5% de importância de cada dossier, rapidamente o Governo vai perder o foco e em pouco tempo estará ocupado a apagar fogos e a fazer a gestão de danos das pequenas polémicas públicas.

Se está disponível para assumir o custo das mudanças, então que se concentre em assuntos estruturais que podem fazer mesmo a diferença.

Teus Olhos


Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima,
silêncio que fala,
tempestades sem vento, mar sem ondas,
pássaros presos, douradas feras adormecidas,
topázios ímpios como a verdade,
outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro
duma árvore e são pássaros todas as folhas,
praia que a manhã encontra constelada de olhos,
cesta de frutos de fogo,
mentira que alimenta,
espelhos deste mundo, portas do além,
pulsação tranquila do mar ao meio-dia,
universo que estremece,
paisagem solitária.

(Octavio Paz, em "Liberdade sob Palavra")

domingo, 10 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (185)

Com maiorias variáveis nas diferentes votações, o TC mostrou no acórdão que, no essencial, ainda que não inteiramente, concordou com as acusações do PR. Não digo “dúvidas”, nem “suspeitas”. Digo acusações de desconformidade com a Constituição porque Marcelo, co-patrocinador político do estado a que as coisas chegaram em Portugal em matéria de migrações, pretende derrotar politicamente o Governo neste assunto. Anulado o poder de ameaçar o governo com dissoluções da AR, Marcelo arrastar-se-á até ao final do seu mandato para conservar estas relíquias do governo de Costa, sem glória pessoal, nem proveito nacional. Erro dele que julga que ainda está em 2016.   (Miguel Morgado, OBSR)
 
A maioria de juízes conselheiros esticou-se e retorceu-se, deu piruetas e saltos mortais, para garantir um resultado político.

Nota: Estava o país a analisar o rendilhado jurídico do chumbo da Lei de Estrangeiros quando se soube que 38 imigrantes desembarcavam duma embarcação no Algarve. O TC acabava de ser abalroado pela realidade  (Helena Matos, OBSR)

Cala-te

Cala-te, voz que duvida
e me adormece
a dizer-me que a vida
nunca vale o sonho que se esquece.

Cala-te, voz que assevera
e insinua
que a primavera
a pintar-se de lua
nos telhados,
só é bela
quando se inventa
de olhos fechados
nas noites de chuva e de tormenta.

Cala-te, sedução
desta voz que me diz
que as flores são imaginação
sem raiz.

Cala-te, voz maldita
que me grita
que o sol, a luz e o vento
são apenas o meu pensamento
enlouquecido….

(E sem a minha sombra
o chão tem lá sentido!)

Mas canta tu, voz desesperada
que me excede.
E ilumina o Nada
Com a minha sede.

(José Gomes Ferreira)

sábado, 9 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Nós Não Vemos O Mundo Como Ele É, Mas Como Nós somos ...


 “Não descrevemos o mundo que vemos, vemos o mundo que podemos descrever” (Descartes)

Às vezes, faltam-nos palavras para expressar o que vemos e sentimos. Essa expressão é útil para pensar o quanto há de real no mundo e o quanto acrescentamos ao que é percebido. O filósofo diz-nos que os nossos conceitos influenciam a forma como apreciamos o que nos rodeia.

Nota:  René Descartes (1596-1650) foi um filósofo e matemático francês do século XVII. Suas contribuições foram decisivas para o desenvolvimento da ciência como um todo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Está A Acontecer

Portugal não precisa de histeria legislativa nem de reformas feitas por manchete. Precisa de coragem, rigor e medidas que melhorem a vida das pessoas. E nisso o anteprojeto de leis laborais não falha. Não, a parentalidade não acabou. Mas talvez a seriedade política esteja em vias de extinção.    (Isaura Morais, OBSR)

Será exagerado falar em invasão migratória? As elites políticas do Ocidente falharam. Teriam feito melhor em escutar Enoch Powell que nos advertira, há 60 anos, sobre o impacto futuro da imigração, mas preferiram atacá-lo e estigmatizá-lo. (Jérémy Silvares Jerónimo. OBSR)

O regresso de Donald Trump à Casa Branca, a sua postura de bully, a guerra comercial que desencadeou e as posições que adotou face às organizações internacionais aceleraram o declínio do multilateralismo, mas já era um caminho que estava a ser feito. - O multilateralismo vai morrer, viva o multilateralismo 
(Ricardo Santos Ferreira,   J Económico)