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domingo, 26 de outubro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (234)

 Pela primeira vez, os governos do mundo inteiro reconheceram que a desigualdade, o colapso climático e a perda de biodiversidade não são problemas separados — são sintomas do mesmo sistema desequilibrado.

(Mafalda Sarmento. J Negócios) 

2030 não é o fim: é o ponto de viragem para o futuro que ainda queremos - A presidente Ursula von der Leyen defende que o futuro da Europa dependerá da sua capacidade de unir ambição climática, justiça social e autonomia estratégica.  

Mas, segundo o Sustainable Development Report 2025, a cinco anos do prazo final, o balanço é amargo. Apenas 17% das metas estão no bom caminho, quase metade avança lentamente e uma em cada cinco regrediu. O progresso é desigual, as crises multiplicam-se e a confiança na cooperação internacional enfraquece. Ainda assim, nunca a ideia de uma agenda comum para o planeta foi tão necessária.

O que está em causa não é apenas cumprir objetivos. É reaprender a cooperar num mundo cansado de desilusões, reatar a confiança entre ciência, política e cidadãos, e transformar o cansaço em visão.

Talvez, como escreveu a Nature Sustainability, “não consigamos fazer em cinco anos o que não fizemos em dez”, mas ainda podemos — como lembrou María Cortés Puch — “usar o melhor mapa que já tivemos para reencontrar o caminho.”

Metade ...


E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra…
também.

(Ferreira Gullar)

sábado, 25 de outubro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (233)

Mudam as formas dos rios, das águas, da cor do céu, dos elementos, da Lua, das estações do ano, dos povos, das civilizações e costumes. Mas, antiga e terrível, permanece a teimosa interrogação da vida   (Paulo Ramos, OBSR)

Existirá uma cidadela interior capaz de nos proteger da vulnerabilidade? Não falta quem diga que sim… Quem sabe, contudo, a resposta não seja assim tão cristalina, porque não nos basta proteger do desejo, mas também das feridas – algo que, para um ser finito, talvez não seja possível. As vidas dos corpos finitos são precárias, os objectos que nos acompanham, as relações que mantemos connosco e também com os outros são relações frágeis que se podem quebrar. (...)

Somos, desde o primeiro momento, corpos expostos às feridas causadas pelo mundo, pela vida e pelos outros, e, evidentemente, também às feridas que infligimos ao mundo, à vida e aos outros. Uma ferida não é, portanto, necessariamente sinónimo de dor ou sofrimento, mas de envolvimento, de pathos. O facto de a condição humana ser vulnerável implica que se aceite a existência como estando envolvida por qualquer coisa que não se pode dominar. Algo que nos surpreende, nos invade, nos salta ao caminho e a que nunca somos capazes de dar uma resposta – uma resposta a priori, definitiva e segura, pelo menos (...)

Não há estabilidade na vida humana. Qualquer estabilidade será sempre provisória, momentânea. As ondas são a imagem que expressa o devir, aquele tornar-se necessariamente vulnerável, porque inquieto e também inquietante. (...)

Um corpo vulnerável não pode, mesmo que o desejasse, exorcizar o acaso, porque a qualquer momento acontece o inesperado, o completamente inimaginável, o radicalmente incomum; algo que derrota todos os projectos e obriga a reconstruir a existência; algo que irrompe de repente e provoca agitação. Um corpo vulnerável é configurado mais pelo que lhe acontece do que pelo que faz, é um corpo apaixonado. Temos a tendência de pensar que somos aquilo que fazemos, aquilo que decidimos fazer, quando, na realidade, somos aquilo que nos acontece. Somos vulneráveis porque somos ambíguos e contraditórios.

Somos Inocentes


A parte dura desta humana lida
é dizer sim na hora do não,
escolher mal entre silêncio e grito,
entre a noite e a explosão
do dia.

Ceder quando devíamos negar, dizer
não em lugar de afirmar, partir
quando era bom amar, fechar-se
em vez de resgatar
a vida.

Sermos tão incertos e indecisos,
perdendo o trem, a hora,
o agora: mas a gente
não sabia.

(Lya Luft)
Em Para não dizer adeus.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (232)

Quem manda no Mundo ou a guerra das terras raras - O controlo das matérias-primas vitais para o funcionamento de novas tecnologias economicamente dominantes passa a ter uma importância vital, alterando o mapa geoestratégico global.    (Bruno Cardoso Reis, OBSR)

Graças ao seu domínio da extração e refinação desses recursos a China pode, no limite, paralisar boa parte da capacidade de fabricação por todo o Mundo da maioria das tecnologias mais avançadas, desde os computadores de bolso a que chamamos smartphones, até carros elétricos, sem esquecer sistemas de armamento avançados.

A China viu nas terras raras uma oportunidade estratégica única: algo custoso e sujo com que mais ninguém queria lidar, mas de que todos iriam precisar cada vez mais. (...) O resultado é que, hoje, Pequim controla 68% da mineração de terras raras.

E nós, na Europa? Devemos acordar antes que seja tarde. Em Portugal, como de costume sobre questões de fundo que exigem planeamento e estratégico a prazo, não parece haver grande preocupação ou debate. A União Europeia até parece ter acordado nos últimos anos para a gravidade deste problema, pelo menos em termos de declarações de intenções. 

Qual é o grande problema? Não existe um financiamento europeu específico para este esforço de diversificação. A China e, cada vez mais, também os EUA estão a investir milhares de milhões de dólares. Também não temos, claro, um governo forte que possa rapidamente afastar obstáculos ou pressionar parceiros hesitantes. 

Diante De Mim, Para Mim E Em Mim... Aprendi A Esperar Pelo Melhor


A agitação permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar referências mais adiante, mas é preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posição mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confusão é preciso ver para além do que se pode olhar... estabelecer os alicerces sobre o que é sólido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal... confiar sempre que há mais vida para lá desta. Que a nossa existência, tal como a conhecemos, é apenas um pedaço.

Não deixes que o pedregulho diante de ti te impeça de acreditar no horizonte que há para além dele... lembra-te que os obstáculos que encontramos no caminho tantas vezes nos conduzem para alegrias que doutra forma não iríamos abraçar. Não permitas que os longos tempos cheios de pequenos nadas te afastem da certeza da fé no que é pleno, bom e infinito.

Eis a razão da minha esperança: olho para trás e vejo que na vida sempre me foi dado mais do que eu sonhei, que os meus desejos foram pequenos face às maravilhas que se realizaram diante de mim, para mim e em mim... aprendi com tudo isto a esperar pelo melhor, sem saber sequer o que isso significa... Acredito que consigo não será diferente.  

 (José Luís Nunes Martins)

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde