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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Eleições

Estas foram as primeiras eleições em que todos os candidatos fizeram uso plenamente consciente do tempo que vivemos: dos media constantes em torno deles, das redes sociais, dos estudos de opinião a saírem quase diariamente, da voracidade da informação e da velocidade com que a nossa atenção hoje escolhe um tema como o fim do mundo e amanhã já o descartou e passou a outro. Foram as primeiras eleições em que todos compreenderam que os ciclos noticiosos que antes podiam durar semanas ou meses, hoje dificilmente sobrevivem ao súbito aparecimento do dia seguinte.

Se, em tempos, a política se fazia com instinto, nestas presidenciais tudo foi cálculo. Imagem cuidadosamente preparada, debates cuidadosamente preparados. Não voltariam a cometer o erro de ignorar as redes sociais, não voltariam a cometer o erro de subestimar a importância de mostrar um lado mais vulnerável ou humano e de ir aos programas de entretenimento e de humor, não voltariam a cometer o erro de não dar atenção científica às sondagens, não voltariam a cometer o erro de não mudar de estratégia durante a campanha se fosse preciso, não voltariam a cometer o erro de se regozijarem no conforto apenas do seu eleitorado. E, no fim, tanto estudo, tanta cautela, tornaram-nos pouco moldáveis a esse bicho temperamental chamado realidade. Tirou-lhes jogo de cintura ou entorpeceu-lhes o instinto. Os erros acumularam-se. Os erros ditaram tudo. Os erros e um velho pecado tão pouco tecnológico, mas tão bíblico: a cobiça.       (Alexandre Borges, OBSR)

Noite

 

A noite, com sua
partitura de mistérios
faz música.

Fecho os olhos
e ouço o som
do universo
como se fosse
um zumbido
de anseios e luz.

Caminho sobre
a linha invisível
dos desejos.

(Roseana Murray)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Presidenciais

Ventura destaca-se pelo maior volume absoluto de interações, Cotrim Figueiredo combina alcance e envolvimento de forma mais equilibrada; Jorge Pinto aposta numa mobilização intensa junto de uma comunidade reduzida; Gouveia e Melo lidera em volume de atividade. Os restantes candidatos oscilam entre audiências amplas, envolvimento moderado e dificuldades em gerar tração digital consistente.       (Alexandra Tavares-Teles, DN)

A comunicação política digital dos candidatos às eleições presidenciais de 2026 tem estado mais orientada para a manutenção da relação com os seguidores do que para a mobilização eleitoral ou a conquista de novos eleitores. A conclusão é de um estudo académico do IPAM, que analisou mais de duas mil publicações nas principais redes sociais durante o mês de dezembro de 2025.

A investigação, conduzida por dois professores do IPAM, analisou a forma como oito candidatos às Presidenciais de 2026 comunicaram no Facebook, Instagram e TikTok ao longo de dezembro de 2025. No total, foram observadas 2.104 publicações de André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Cotrim Figueiredo, Gouveia e Melo, Jorge Pinto e Luís Marques Mendes.

Os dados revelam um padrão claro: a comunicação digital dos candidatos assumiu, maioritariamente, um caráter relacional e simbólico.   (Continuar a ler)

Quando Está Frio No Tempo Do Frio


Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no fato de aceitar —
No fato sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Nota: O poema reflete a filosofia de Caeiro de viver o presente e o natural sem questionamentos excessivos, vendo a beleza na simples existência.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

O Conflito Viraliza, A Solução Não

Nos últimos anos, o debate político português transformou-se silenciosa, mas profundamente. Não apenas pela ascensão de discursos disruptivos, mas pelo modo como os incentivos comunicacionais passaram a premiar a atenção sobre a substância. Um fenómeno identificado internacionalmente, a política deixa de ser disputa de argumentos e torna-se corrida pela visibilidade, onde a emoção circula mais rápido que a explicação e a performance vale tanto ou mais do que a ideia.    (Catarina Travassos, ECO)
 O choque tornou-se uma moeda forte do espaço público. O conflito viraliza, a solução não, o algoritmo amplifica o que indigna, o espaço mediático amplifica o que o algoritmo recompensa, e os atores políticos adaptam-se. Portugal não escapa e, muitas vezes, o que parece radicalização é mera adaptação a um mercado de atenção distorcido, como mostram leituras críticas internacionais sobre plataformas digitais e debate democrático. 
Quem domina o registo emocional fixa a agenda, define o ritmo e condiciona a liderança. Nos debates presidenciais, isso traduz-se em interrupções coreografadas, frases pensadas para o digital, indignação calculada. Não é apenas teatralização, é internalização de um novo sistema operativo comunicacional.

Essa lógica torna‑se especialmente visível nos cartazes de rua. Fórmulas como “Futuro Seguro”, “O valor da experiência”, “Imagina Portugal” ou “Contigo” funcionam como marcas de presença, não como leitura do país., isso traduz-se em interrupções coreografadas, frases pensadas para o Não é apenas teatralização, é internalização de um novo sistema operativo comunicacional.

O resultado é uma erosão da capacidade coletiva de interpretar a realidade. A política-espetáculo comprime a complexidade, problemas densos tornam-se slogans, a intensidade substitui a explicação. Portugal não observa à distância, vive esta dinâmica.

Apelar à moderação é insuficiente. A pergunta é, como reconstruir um registo comunicacional competitivo sem ser capturado pelo choque e, ao mesmo tempo, sem abdicar da ambição criativa? Um registo capaz de gerar atenção sem sacrificar profundidade, mobilizar sem dramatizar, afirmar sem gritar.

O problema nunca foi existir quem fale no registo do choque, isso é legítimo numa democracia plural. O problema é o país acreditar que esse é o único registo possível.

Errar E Aprender


E é assim que a gente vai vivendo, sabe? Errando pra aprender.
Decepcionando-se pra se proteger. Machucando-se pra crescer. Chorando para sorrir.
A gente cai uma vez, para aprender a levantar-se outra vez. No fim, tudo que for bom, 
verdadeiro, tudo o que realmente nos fizer bem, permanece.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde