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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

 

A Frase (14)

A segunda volta das presidenciais está transformada no choque ideológico entre a virtude e o vício. A virtude de Seguro e o vício de Ventura. O discurso político instalado reflecte uma dimensão moral muito para além da política. A moralização da República introduz no debate a dicotomia entre a natureza estática do Regime e a realidade dinâmica do voto na afirmação de um novo país em consolidação. Ventura é o retrato de um Portugal que perdeu a memória e o medo de votar na direita radical na miragem de um futuro alternativo. Seguro é o retrato de um Portugal que perdeu o desejo e a ambição de votar na solução de um futuro alternativo. Os portugueses não conseguem decidir via presidenciais entre a ilusão e a revelação de um futuro realista para o país. Esta indecisão secular dos portugueses explica a persistência de um Portugal adiado. A primeira volta das presidenciais escolhe dois candidatos que representam dois sentidos contrários para a nação moderna – O país das ilusões e o país das indecisões. Eis as duas faces opostas do país adiado.          (Carlos Marques Almeida, ECO)  

Eleições Ou Casa De Apostas ?!

 
O Presidente da República é eleito por sufrágio universal, directo e secreto dos cidadãos portugueses eleitores recenseados no território nacional, bem como dos cidadãos portugueses residentes no estrangeiro.

Neste país a partir de  2015, ficou tudo mudado e virado ao contrário.

Agora o normal é assim ;
Onde vai por a sua ficha? Não sabe ainda? Porquê? Tem dúvidas!

Cuidado, pode ser insultado, questionado agressivamente ou apontado e marginalizado pelos comentadores e pelos jogadores que tenham um pensamento contrário.

Onde paira a democracia... Tristeza. 
(mfm)

Fácil E Difícil


Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer “oi” ou “como vai?”
Difícil é dizer “adeus”. Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas…

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na lista telefónica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho…

Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha
intensidade, que se eterniza, e nenhuma força jamais o resgata.


(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 25 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Avanço No Tratamento De Emergências Como O AVC

Microrrobôs Médicos

Num avanço que pode revolucionar o tratamento de emergências como o AVC, cientistas do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça) desenvolveram microrrobôs capazes de navegar pelos vasos sanguíneos e entregar medicamentos diretamente no local exato onde eles são necessários - e apenas lá.

Isto promete acabar com um grande problema da medicina atual: Para atingir o alvo, é necessário administrar doses altas de medicamentos por via sistêmica, o que frequentemente causa efeitos colaterais graves, como hemorragias internas, especialmente em tratamentos para dissolver coágulos cerebrais - no geral, esses efeitos indesejados acontecem porque o medicamento atinge locais onde ele não é necessário ou bem tolerado.

O desafio era criar um veículo minúsculo e eficiente o suficiente para percorrer os estreitos vasos do cérebro, carregar uma carga útil de medicamento, ser rastreável por imagem e, acima de tudo, ser guiado com precisão contra a corrente sanguínea, que pode ultrapassar 20 cm por segundo.

A solução veio na forma de uma cápsula esférica de gel solúvel, repleta de nanopartículas de óxido de ferro que lhe conferem propriedades magnéticas, e de tântalo, que a torna visível aos raios X. As propriedades magnéticas permitem guiar o microrrobô usando um eletroímã externo, e as imagens permitem monitorar seu deslocamento e sua chegada ao ponto de destino.

O controle preciso é o coração da inovação. Para isso, a equipe criou um sistema de navegação eletromagnética modular que combina três estratégias: um campo magnético rotativo, para fazer a cápsula rolar pelas paredes dos vasos, um gradiente magnético, para puxá-la contra o fluxo sanguíneo, e uma navegação de "fluxo interno" para direcioná-la em bifurcações complexas.


Liberada por um cateter especial equipado com uma pinça de polímero, a cápsula é guiada até o alvo, onde um campo magnético de alta frequência aquece as nanopartículas, derretendo o gel e liberando o fármaco. Como a intenção inicial é usar a tecnologia para tratar derrames, a equipe testou um agente trombolítico, mas o microrrobô também poderá levar outros medicamentos, como antibióticos ou quimioterápicos.

Testados com sucesso em modelos de silicone anatomicamente precisos e depois em porcos e ovelhas, os microrrobôs atingiram o alvo em mais de 95% dos casos, demonstrando uma navegação eficaz tanto na corrente sanguínea quanto no fluido cerebroespinhal.

Medicina de precisão

As potenciais aplicações vão muito além do tratamento de trombos. Esta plataforma de entrega dirigida de medicamentos pode revolucionar terapias para tumores localizados e infecções resistentes, permitindo concentrar a potência do medicamento exatamente no ponto da doença, minimizando danos ao resto do corpo.

A equipe agora vai concentrar os esforços para levar a tecnologia aos testes clínicos em humanos, com o objetivo de oferecer uma nova esperança de tratamentos mais rápidos, seguros e eficazes.
Checagem com artigo científico:


Artigo: Clinically ready magnetic microrobots for targeted therapies.
Autores: Fabian C. Landers, Lukas Hertle, Vitaly Pustovalov, Derick Sivakumaran, Cagatay M. Oral, Oliver Brinkmann, Kirstin Meiners, Pascal Theiler, Valentin Gantenbein, Andrea Veciana, Michael Mattmann, Silas Riss, Simone Gervasoni, Christophe Chautems, Hao Ye, Semih Sevim, Andreas D. Flouris, Josep Puigmartí-Luis, Tiago Sotto Mayor, Pedro Alves, Tessa Lühmann, Xiangzhong Chen, Nicole Ochsenbein, Ueli Moehrlen, Tilman Schubert, Zsolt Kulcsar, Philipp Gruber, Miriam Weisskopf, Quentin Boehler, Salvador Pané, Bradley J. Nelson
Publicação: Science
DOI: 10.1126/science.adx1708 (via DS)


Mar Sonoro


 Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim, 
A tua beleza aumenta quando estamos sós 
E tão fundo intimamente a tua voz 
Segue o mais secreto bailar do meu sonho, 
Que momentos há em que eu suponho 
Seres um milagre criado só para mim.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

sábado, 24 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Eleições

 Portugal é, de facto, um “país ambíguo”; e a vontade de nos entendermos com ele tornou-se especialmente urgente desde as eleições de domingo. (...) Começou imediatamente um exercício que mistura contabilidade e policiamento: os eleitores de direita vão escolher Seguro ou Ventura? 

Como sempre, há duas formas de reagir às diferenças de opinião. Podemos desqualificar, insinuar e caricaturar — o que pode aliviar, mas não ilumina. Ou podemos, lá está, “tentar perceber” — que é a melhor forma de exercitarmos a vontade de nos entendermos com este “país ambíguo”.

Aquilo que é preciso perceber é que a direita tem três problemas com o Partido Socialista — e nenhum deles tem a ver com o medo do Gulag, do estalinismo ou do PREC.  (...)

Desde 1976, todos os governos saídos de eleições legislativas tinham sido liderados pelo partido mais votado. Até que o PS de António Costa decidiu forjar uma aliança inesperada com o PCP e o BE para formar a geringonça e, assim, forçar o PSD a abandonar o governo. Para a direita, ficou uma lição: o PS fará o que for preciso para tomar o poder. E, uma vez no poder, fará o que for preciso para bloquear reformas e mudanças. (...)

Uma parte substancial da direita (...) também tem vários problemas com André Ventura e não contemplou nunca a possibilidade de votar nele.  Despreza os flirts do Chega com o racismo, não suporta a demagogia recorrente do populismo e tem aversão à visão tumultuária da política que é característica de Ventura. 

Eu não sei o que vão fazer os eleitores da direita na segunda volta: podem votar em branco; podem ficar em casa; podem optar, contrariados, por Ventura; ou podem até tapar a fotografia no boletim e colocar uma cruz ao lado do nome de Seguro. Mas, façam o que fizerem, nada muda a desconfiança profunda que carregam em relação ao Partido Socialista. Isso, num regime saudável, não pode ser considerado cadastro.         (Miguel Pinheiro, OBSR)

ENNUI

 ENNUI - é uma palavra francesa que descreve um sentimento de profundo tédio, cansaço e insatisfação existencial, uma falta de interesse ou excitação que vai além do simples aborrecimento, sendo uma espécie de "mal-estar da alma" onde nada parece ter sentido ou importância, como o visto na personagem
Ennui de Divertida Mente 2.

Principais características: Mais que tédio: É um tédio mais profundo, uma melancolia, uma sensação de que a vida é monótona e sem propósito, sem a tristeza pesada da depressão.

Origem: Vem do francês, emprestada pelo inglês no século XVII, e tem uma raiz etimológica ligada ao latim inodiare (tornar detestável/aborrecido).

Causas:
Pode surgir de uma vida de muito conforto ou facilidade, ou de atividades repetitivas e sem significado (trabalho, estudos, rotina)

Sintomas: Pode manifestar-se como sonolência, apatia, falta de motivação, ou até inquietação que leva a comportamentos de risco.

Em resumo: Ennui é a sensação de que "nada de interessante acontece", um cansaço mental e desânimo profundo que surge da monotonia e da falta de propósito.