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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (59)

Três anos consecutivos de excedentes (dois de Miranda Sarmento), após a pandemia e a guerra na Ucrânia, traduziam um novo normal na democracia portuguesa. Mas a nova realidade obriga a olhar por baixo do excedente. Não há motivos para celebrar quando o custo de vida é tão elevado, acentuando os efeitos desiguais de uma guerra.    

Fica o aviso de Álvaro Santos Pereira.
“A margem orçamental está a diminuir”. É o fim dos tempos fáceis nas contas públicas. O que fará Luís Montenegro com o dinheiro de todos que vai encontrar nos cofres para ajudar o país a passar com menos sobressaltos o cabo (estreito) das Tormentas?

(Lígia Simões, J Económico)

Realização


Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos - um poço fitando o céu.

(Pessoa, Fernando, Livro do Desassossego)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (58)

O Congresso do Partido Socialista, realizado em Viseu, expôs com clareza uma inquietante evidência: o partido permanece num limbo estratégico, incapaz de definir com nitidez o seu lugar no actual sistema político. Entre a retórica da oposição firme e a disponibilidade para o compromisso, o PS parece aprisionado numa ambiguidade que fragiliza a sua credibilidade.    (Aline Hall de Beuvink, DN)

A questão central mantém-se, portanto, sem resposta: pretende o PS afirmar-se como uma oposição determinada ou como um parceiro potencial de negociação? O que emergiu deste congresso foi, sobretudo, um “nim” político: uma hesitação estrutural entre confronto e acomodação. José Luís Carneiro promete não se calar perante os erros do Governo, mas simultaneamente insiste numa postura construtiva e dialogante, reiterando a ideia de uma oposição responsável e “propositiva”. - Ora, esta duplicidade não esclarece: dilui.

Da Observação


Não te irrites, por mais que te fizerem ...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
O teu mais amável e sutil recreio...

(Mário Quintana) 

terça-feira, 31 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

Portugal não tem um problema de falta de casas. Tem um problema de falta de confiança. Mas tem também algo mais profundo e raramente assumido: um sistema de incentivos que beneficia diretamente do mau funcionamento do mercado de arrendamento. Enquanto este bloqueio persistir, continuaremos a empurrar gerações inteiras para o endividamento como única forma de acesso à habitação.   

Sem preços livres, não há sinal económico; sem justiça célere e a funcionar, não há confiança, e sem confiança, não há mercado. Proteger a propriedade, garantir contratos e permitir o funcionamento do mercado não é apenas uma opção económica: é uma exigência ética. Recuperar a confiança é o primeiro passo. E sem confiança, nenhuma reforma será suficiente.

Um mercado de arrendamento historicamente disfuncional em que décadas de congelamento de rendas, legislação enviesada e uma justiça lenta criaram um ambiente de desconfiança tal que faz com que o proprietário não se fie do sistema, que o inquilino cumpra, que o imóvel seja preservado e acima de tudo, não acredita que a justiça funcione em tempo útil quando há incumprimento e a razão impõe-se à emoção: prefere não arriscar por isso não arrenda.

A solução não exige complexidade, mas sim clareza e coragem política.
Segundo, é indispensável restaurar a credibilidade do contrato. Isso implica tribunais especializados, decisões rápidas e execução efetiva. Um princípio simples deve prevalecer: quem não paga, sai; quem destrói, paga e quem, de forma temporária, não pode, tem tempo para reorganizar a sua vida, com urgência e dignidade.
A evidência recente mostra que, quando a confiança regressa, a oferta responde rapidamente e os preços ajustam-se. Não há razão estrutural para que Portugal não consiga replicar este efeito.

O verdadeiro dilema nacional é continuar a sustentar um modelo que empurra cidadãos para o endividamento ao invés de libertar um mercado que pode funcionar com regras claras.

O Estado, quando interfere de forma arbitrária, tentando impor uma justiça social desligada da realidade económica, destrói os incentivos, reduz a oferta e agrava precisamente os problemas que pretende ver resolvidos.    (tópicos do texto de Jorge Coutinho Moreira, OBSR

Subia A Lua Leve


Um luar fluido e veludoso como um bálsamo
Ungia a noite voluptuosa e ardente.
A sua luz era tão branca que tornava o céu diáfano...
Subia a lua leve como o pensamento.
Eu dialogava com o silêncio... Uma toada rústica
De flautas e violões transportou-me à saudade.
E, abstrato de mim mesmo, eu te bendisse, ó música,
Que da tristeza de pensar me libertavas!

(Da Costa e Silva) 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde