Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Do Dia

Esta É A Frase (71)

Portugal tem das legislações laborais mais rígidas da OCDE, especialmente nos contratos sem termo. Para compensar esta rigidez, que dificulta a adaptação, as organizações, as empresas refugiam-se nos contratos a prazo e nos recibos verdes, na precariedade.      (Ricardo Ramos Ferreira, J Economico)

Para compensar esta rigidez, que dificulta a adaptação, as organizações, as empresas refugiam-se nos contratos a prazo e nos recibos verdes, na precariedade. O peso dos contratos a termo em Portugal supera as médias da União Europeia e da OCDE. Aliás, está próximo do topo, onde se encontra Espanha. Segundo dados do Eurostat, de 2024, temos o segundo maior peso de vínculos de trabalho temporários na UE entre os trabalhadores entre os 20 e os 64 anos, com 13,5%. Só somos superados pelos Países Baixos. Estamos 3,5 pontos percentuais acima da média. 

Estas duas situações estão interligadas: proteção elevada nos contratos permanentes e elevada utilização de contratos temporários. É assim que a OCDE o lê. Sofrem mais os jovens, aqueles que querem aceder ao mercado e não conseguem, porque este está encerrado. Portugal é, consistentemente, o segundo país da UE com maior incidência de emprego temporário de jovens até aos 29 anos. Em 2024, eram 40,2%, quase 10 pontos acima da média. Somos também dos países com mais elevada taxa de desemprego jovem, acima de 18%, mais três pontos do que a média europeia, mais seis do que a da OCDE.    (Texto na íntegra) 

Reflexão


A Pedra

O distraído nela tropeçou...
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já, Davi, matou Golias, e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura...
E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!

Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.
Independente do tamanho das pedras, no decorrer de sua vida. não existirá uma, que você não possa aproveitá-la para seu crescimento espiritual. Quando a sua pedra atual, tenho certeza que Deus irá te dar sabedoria, para mais tarde olhar para ela, e ter orgulho da maravilhosa experiência que causou em sua vida, no seu crescimento espiritual. 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

A UGT numa encruzilhada difícil: preservar a coerência interna ou manter influência num processo legislativo que, com ou sem ela, avançará.    (Filipe Alves, DN)

O resultado provável é, pois, a lei ser aprovada graças a um entendimento entre o Governo e o Chega. O Presidente assegurará o escrutínio constitucional, mas não deverá travar o processo. O Governo avançará com a reforma e o Chega poderá reclamar o mérito de a ter “suavizado”. E os sindicatos? Ficarão, mais uma vez, a ver o centro de decisão deslocar-se para fora da Concertação Social.~

Com tanos tribunais, entidades, comissões e mecanismos, com tanto filtro para a transparência colocado um sobre o outro, já não se vê para o outro lado; só sombras.  (Alexandre Borges, OBSR)

Voltamos ao paradoxo da era IA: quanto mais avançamos na automação, mais dependemos de capacidades fundamentalmente humanas. Numa sociedade saturada de conteúdo, o julgamento humano ganha centralidade. E o futuro da comunicação assentará na confiança. Afinal, dizem que é a base de qualquer relação.     (Henrique Costa Santos, ECO)

Inteligência Artificial (IA) integra hoje o quotidiano das equipas de comunicação. Os ganhos são incontestáveis. Da produção de conteúdos à análise de dados, da personalização de mensagens ao planeamento estratégico ganhámos velocidade, escala e eficiência. 

Contudo, a generalização desta capacidade de planear, produzir e veicular informação a esta escala tem como efeito colateral uma inundação de informação. Esta saturação de conteúdo dilui a diferenciação e aumenta o ruído. Ora, se, por um lado, nunca foi tão fácil comunicar, torna-se cada vez mais difícil confiar naquilo que lemos, vemos e ouvimos.

A Sua Razão É Fraca Se ...

Aquele que fundamenta seu argumento no escândalo e na briga mostra que sua razão é fraca.”

(Montaigne) 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (70)

 Hoje, ao olharmos para o texto constitucional de 1976, devemos celebrar, acima de tudo, a capacidade que tivemos em 1982 de o reformar para servir os cidadãos e não uma ideologia de comando. O desafio de agora deveria ser idêntico: perceber que a liberdade é um processo contínuo e que, sem novas reformas de fundo que libertem a economia do centralismo sufocante, corremos o risco de estar todos os anos a celebrar uma liberdade que é, cada vez mais, apenas formal.           (Ricardo Simões Ferreira,  DN)

Ao celebrarmos os 50 anos da Constituição de 1976, é imperativo reconhecer que o fôlego da nossa democracia não nasceu na versão original, mas sim no fim da tutela militar e no resgate da iniciativa individual que apenas a revisão de 1982 permitiu.

A verdadeira viragem do país, o momento em que Portugal começou a alinhar o seu relógio com o Mundo Ocidental, desenvolvido, só ocorreu com a revisão constitucional de 1982. Até esse momento, o país era um caso anómalo na Europa.

Houve obra feita no início dos anos 90 — até porque estava tudo por fazer, e foi verdadeiramente o único período em que convergimos a sério com a média da Europa. Mas depois, estagnámos. Há mais de 30 anos que o país teima em centralizar decisões, sufocando as periferias e a iniciativa individual com uma burocracia que é a herança viva desse espírito estatista que nunca foi totalmente derrotado.

Avizinhar-se Do Silêncio

Creio que é absolutamente urgente revisitarmos com outro apreço os territórios dos nossos silêncios e fazermos deles lugares de troca, de diálogos, de encontros. O silêncio é um instrumento de construção, é uma lente, uma alavanca. As nossas sociedades investem tanto na construção de competências na ordem da palavra (e pensemos como a escolarização está ao serviço da capacitação dos indivíduos em ordem a um funcionamento eficaz com a palavra) e tão pouco nas competências que operam com o silêncio! 

Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos por que não encontramos paz. O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga. O silêncio tem tudo para se tornar um saber partilhado sobre o essencial. Mas para isso precisamos de uma iniciação ao silêncio, que é o mesmo que dizer uma iniciação à arte de escutar.

Numa cultura de avalanche como a nossa, a verdadeira escuta só pode configurar-se como uma re-signifícação do silêncio, um recuo crítico perante o frenesim das palavras e das mensagens que a todo o minuto pretendem aprisionar-nos. A arte da escuta é, por isso, um exercício necessário de resistência.

(José Tolentino Mendonça)

terça-feira, 21 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde