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sábado, 19 de dezembro de 2015

Esta É A Frase ...

De: Domingos Andrade
A propósito da TAP:

«Imagine que acabaram de lhe comprar um carro. Entretanto, arrepende-se do negócio e quer recuperá-lo. Senta-se à mesa para negociar e declara com todas as letras que o carro há de ser seu. Ponto final.»

Excerto da opinião de Domingues Andrade JN

É manifesto o interesse público do dossiê e percebe-se que o Governo faça uma gestão de informação calculista de forma a não mostrar o jogo todo ao "adversário". Mas o mesmo interesse público justifica que António Costa explique, para além das frases convictas sobre o que inscreveu no seu programa, qual a estratégia para levar a bom porto a devolução do capital maioritário da TAP ao Estado. E, claro, que missão quer para a empresa e o que vai fazer para chegar lá. Porque foram as políticas desastrosas de anos de desgoverno que a deixaram onde ela está.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Vem Aí Tempestade

A propósito da recuperação do controlo público do capital da TAP, António Costa afirmou secamente que a execução do programa de Governo não está sujeita à vontade de particulares que resolveram assumir resolveram assinar um acordo com o Estado português em situação precária, com o Governo em vésperas de eleições legislativas. Mais, acrescentou que a reversão será feita com acordo ou sem acordo com os privados.

Opinião do José Gomes Ferreira:

A gravidade destas declarações não encontra paralelo na história recente de Portugal. Com duas simples frases é passado um atestado de inutilidade à palavra dada pelo Estado através de um Governo legitimamente eleito, o anterior.

A cumprir-se a determinação do actual Primeiro-Ministro, das três uma:
- ou a reversão do negócio se faz unilateralmente, o que só poderá ocorrer por expropriação ou nacionalização gerando avultados pedidos de indemnização;
- ou se faz por acordo decorrente da aceitação pelos privados de avultadas compensações;
- ou o Governo recorre aos tribunais e espera longamente por uma decisão que, se lhe for favorável, também gera devolução de financiamentos e reparação de danos.
Em qualquer dos cenários, os contribuintes perdem sempre por duas vias: têm de assumir pesadas indemnizações e ficam com uma empresa falida nas mãos, onde têm de pôr mais capital e liquidez para não fechar de imediato.

Perda maior, quem está de fora a olhar para um país que prometia ser cada vez mais atractivo para o investimento estrangeiro, começa a pensar em passar ao largo. E quem cá tem investimentos começa seriamente a pensar em fugir a sete pés.
Somemos esta perspectiva a uma oposição feroz da Comissão Europeia a qualquer tentativa de recapitalização pública da TAP sem um radical plano de reestruturação com despedimentos em massa e fecho de linhas aéreas e temos grossa tempestade vinda de Bruxelas a caminho de Lisboa.
As nuvens já começaram a adensar-se no horizonte com a publicação de um relatório discreto da Comissão Europeia onde se pode ler que Portugal não tem margem nenhuma no défice para aumentar despesa pública e desta forma incentivar a economia. (Continuar a ler aqui)

Pois É: Os Números Não Têm Ideologia

O maior aumento de pensões vai ser de 2,5 euros por mês (e só para pensões até 628,8 euros) e o abono de família sobe, no máximo, 5 euros. Então é esta a alternativa e o "virar de página"?

É mesmo assim e não vale a pena iludir a forma como estas coisas são vistas: se um governo de esquerda aumenta as pensões mais baixas em um euro está a fazer uma política social, de combate às assimetrias e de irradicação da pobreza; se um governo de direita aumenta essas mesmas pensões em 2,5 euros, está a fazer uma política de pobreza, miserabilista, austeritária e neoliberal.

Mas os números não têm ideologia e se os olharmos com honestidade intelectual eles nunca nos atraiçoam: um aumento de um euro ou de 2,5 euros é sempre um aumento miserável de pensões miseráveis, seja qual for a cor de quem os decide.
Talvez a partir de agora seja possível a muito boa gente começar a entender o significado da expressão “não há dinheiro”. ( continuar a ler aqui)

Ode Para O Futuro


Falareis de nós como de um sonho. 
Crepúsculo dourado. Frases calmas. 
Gestos vagarosos. Música suave. 
Pensamento arguto. Subtis sorrisos. 
Paisagens deslizando na distância. 
Éramos livres. Falávamos, sabíamos, 
e amávamos serena e docemente. 

Uma angústia delida, melancólica, 
sobre ela sonhareis. 

E as tempestades, as desordens, gritos, 
violência, escárnio, confusão odienta, 
primaveras morrendo ignoradas 
nas encostas vizinhas, as prisões, 
as mortes, o amor vendido, 
as lágrimas e as lutas, 
o desespero da vida que nos roubam 
- apenas uma angústia melancólica, 
sobre a qual sonhareis a idade de oiro. 

E, em segredo, saudosos, enlevados, 
falareis de nós - de nós! - como de um sonho. 

Jorge de Sena,

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Quem Poderá Calcular A Órbita Da Sua Própria Vida ?

As pessoas cujo desejo é unicamente a auto-realização, nunca sabem para onde se dirigem. Não podem saber. Numa das acepções da palavra, é obviamente necessário, como o oráculo grego afirmava, conhecermo-nos a nós próprios. É a primeira realização do conhecimento. Mas reconhecer que a alma de um homem é incognoscível é a maior proeza da sabedoria. O derradeiro mistério somos nós próprios. Depois de termos pesado o Sol e medido os passos da Lua e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, restamos ainda nós próprios. Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma?

Oscar Wilde 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A Frase E A Respectiva Análise

"Governar com a troika é complicado. Sem troika, mas com três instituições no controlo, é complexo."

António Barreto, Diário de Notícias, 13 de Dezembro de 2015

A ANÁLISE...  De Joaqim Aguir , J Negócios

De uma troika para a outra tudo mudou em termos de condições de governabilidade - mas não mudaram os problemas, os desequilíbrios e as impossibilidades. Com a primeira troika, os credores estavam interessados em que o devedor pudesse vir a pagar. Era um contexto de reformas: abandonar o impossível, concentrar no possível. Com a segunda troika, o objectivo é a reposição do que teve de ser abandonado para se restabelecer os equilíbrios orçamentais e da balança corrente, ignorando o que se provou ser possível para voltar a apostar no que é impossível. O que implica que o objectivo já não seja pagar aos credores, mas sim provar, pela via dos factos consumados, que não se pode pagar. É um contexto paradoxal, ao mesmo tempo conservador e revolucionário: repetir o que foi impossível no passado tantas vezes quantas as necessárias para que seja possível no futuro.

Não é difícil antecipar o resultado que se vai obter no futuro a curto prazo. A condição de governabilidade da nova troika assenta numa fórmula impossível: uma votação de 10% permite atingir uma influência de decisão superior a 50%. Esta condição de governabilidade só pode existir no vazio, onde não haja problemas a resolver porque tudo é imaginário, onde não haja culpa nem responsabilidade porque a República democrática se transformou no Reino do desejo, onde não haja estratégia de modernização porque tudo passou a ser retórica distributiva.

A passagem da primeira troika para a segunda troika é uma troca desigual e assimétrica, porque a dotação de recursos, financeiros e analíticos, da primeira não tem comparação com o que está ao alcance da segunda. Trata-se, então, de preparar os planos para a reconstrução, que terá de se iniciar logo que apareça a evidência do impossível - porque o vazio não é o mundo real.

A Indiferença ...



«O que me assusta não são as acções e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas.»

Martin Luther King     

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Cada Vez Mais Desligados Da Realidade

A polémica em torno da escolha dos novos membros do Conselho de Estado só mostra como sempre que pensamos que a “classe política” não pode fazer pior figura, ela é capaz de nos surpreender e provar que estamos errados.
Do mais anónimo e apolítico cidadãos ao Presidente da República, que nem sequer o convocou na recente crise da formação do Governo, todos olham para o Conselho de Estado como uma irrelevância completa.

E no entanto, do CDS ao Bloco de Esquerda, todos os partidos trataram a escolha de cinco membros de um órgão meramente consultivo como se o futuro da nossa triste terra dependesse dela, chegando até a ameaçarem-se mutuamente de bloquearem outras nomeações e decisões no Parlamento se a outra parte não cedesse às pretensões de cada um deles.

Cada vez mais desligados da realidade e dos problemas dos portugueses, os partidos digladiam-se apenas e só através das “tricas” que nada dizem ao país que não está entre o Caldas e a Soeiro Pereira Gomes. Depois não se queixem se as pessoas os tratarem com a mesma indiferença que os partidos lhes dedicam.

Fonte: ' A Indifereça', Bruno Alves, Económico       

Carácter ...

A medida do carácter de um homem é o que ele faria se soubesse que nunca seria descoberto.  (Macaulay)
Agora, pensem!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Tomada Do Poder Pelas Corporações Que Vivem Do Estado?

O que está a acontecer em Portugal é simplesmente a tomada do poder pelas corporações que vivem do Estado. Não acreditam? Então tentem descobrir por que foi desconvocada a greve do Metro de Lisboa. ( Opinião sobre este assunto - aqui)