- Isso é um golpe para o Partido da Liberdade populista de Geert Wilders, que se saíram menos bem do que projeções, colocando o partido em uma luta pelo segundo lugar
- O parceiro da coalizão de Rutte, Labour, vai "lamber suas feridas", diz Lodewijk Asscher, líder do partido, depois de uma batalha
- Há uma batalha para o segundo lugar entre o Partido da Liberdade, os Democratas Cristãos e D66
- O euro subiu para um máximo de um mês , uma vez que os comerciantes estão vendo o risco político na Europa recuar após a má exibição de Wilders
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sexta-feira, 17 de março de 2017
A Propósito Dos Debates Das Comissões Parlamentares
A transmissão directa dos debates (...) em particular, das comissões parlamentares de inquérito tornou-se, ela própria, um instrumento favorável ao acirrar das tensões e ao extremar de posições. O foco de qualquer discussão deixa de ser o tema em si mesmo para passar a ser o floreado circense destinado a impressionar e a mobilizar emocionalmente a plateia, envolvendo-a no processo e levando-a a reagir por instinto primário e com isso condicionar o adversário. Agitando as emoções e encandeando com elas a razão, estimula-se inevitavelmente a belicosidade e a radicalização de posições, favorecendo as dicotomias do "nós contra eles", e com isso se vai esfiapando a coesão indispensável à estabilidade de que depende a boa ordem e o bem-estar sociais. Não deixa de ser paradoxal, mas não surpreendente, que a transparência no funcionamento da vida política, usada como argumento justificativo de uma tal evolução, acabe por produzir resultados contrários àqueles que visa alcançar. Para já não falar da contradição maior - mas que não cabe desenvolver aqui hoje - de que a essa maior transparência processual acabe por corresponder muitas vezes a persistente obscuridade com que se insiste em proteger conteúdos essenciais à necessária responsabilização política.Vitor Bento, DN
Não Quero O Presente, Quero A Realidade
Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.
O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.
Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas
como cousas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.
Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.
Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.
Alberto Caeiro
quinta-feira, 16 de março de 2017
Esta É A Frase
Gerir cortinas de fumo é uma habilidade política conhecida, que se utiliza para esconder o que não é favorável ou para permitir a fuga a quem estiver numa situação difícil. Espera-se que o que há para ver já seja diferente ou que o fugitivo já não possa ser capturado quando o fumo se dissipar. O problema não está no observador, mas sim nos que colocam os biombos e produzem as cortinas de fumo.Joaquim Aguiar, J Negócios
Assim Acontece
Ricardo Reis, professor da London School of Economics, encontrou-se na capital britânica, recentemente, com alguém que estava a ponderar investir “muito dinheiro” em Portugal. Mas o investidor mostrou-se inquieto e explicou porquê: “um país com uma dívida pública tão alta quanto Portugal tem duas hipóteses: ou corta na despesa ou aumenta os impostos. Como nos últimos quatro anos não conseguiram cortar na despesa, não é credível que o façam agora. Portanto, a alternativa vai ser que, se eu investir, vai haver um qualquer ministro das Finanças que vai encontrar uma forma de taxar os meus retornos e vai ser chamado de génio por isso”. Por outras palavras, um ministro genial que faça do investidor burro.
Esta foi uma das histórias ouvidas pela audiência que foi à Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para uma conferência proposta pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que viria a encerrar os trabalhos. O tema: o investimento em Portugal.
Fonte:OBSR
Esta foi uma das histórias ouvidas pela audiência que foi à Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para uma conferência proposta pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que viria a encerrar os trabalhos. O tema: o investimento em Portugal.
Fonte:OBSR
Entrelinhas
quarta-feira, 15 de março de 2017
Eleições Holanda
Às 9.42
Os liberais do primeiro-ministro Mark Rutte são os grandesvencedores da noite : eles estão preparados para tomar 31 dos 150 assentos do parlamento
Notícias Soltas
Nota: Holanda: Os liberais holandeses liderados por Mark Rutte estão em 1º nas primeiras projecções, batendo o partido da liberdade.
O Velho Embaraço Holandês
Wilders rompe com certo sentimento de embaraço pela acumulação de riqueza que marca a cultura holandesa desde a época áurea do século XVII, se faz sentir nas críticas à exploração colonial nas Índias Orientais (actual Indonésia) no século XIX e leva ao multiculturalismo na tentativa de integração de imigrantes.
As velhas tensões entre usufruto e gozo da opulência, rigor da fé calvinista, expedientes das empreitadas comerciais e a veia humanista herdada de Erasmo contribuíram para uma cultura política de consensos e tolerância no pós-guerra que, tudo indica, chegou aos seus limites no início deste século.
A frustração de expectativas, estagnação ou quebra de rendimentos, perda de estatuto e insegurança laboral justificam os agravos de quem mais perdeu com a recessão de 2011 e 2012 e as medidas de austeridade até a economia começar a recuperar há três anos.
Os 62% de votos contra no referendo sobre projecto de constituição europeia em 2005 tinham, por outro, lado deixado a claro dúvidas, que têm vindo a aumentar, sobre os termos da integração política, económica e financeira da UE.
Mais insidiosos são, contudo, a angústia, o temor e a raiva expressas pelas consequências da falhada integração de 1,8 milhões de imigrantes de "origem não ocidental", perto de 11% da população, sobretudo de cerca de 400 mil turcos, outros tantos marroquinos, 350 mil naturais de Suriname e 150 mil das Antilhas.
A maioria dos descendentes destes imigrantes, marroquinos e turcos chegados a partir dos anos 60 e na década seguinte no caso dos cristãos e hindus do Suriname (tornou-se independente da Holanda em 1975) está longe de se reconhecer nos valores partilhados por holandeses protestantes, católicos ou sem filiação religiosa.
Sem atingir a virulência e violência do repúdio das segunda e terceira gerações de imigrantes de origem muçulmana em França, a minoria marroquina e turca na Holanda é exemplo de segregação e auto-segregação, ainda que as condições de vida e acesso a serviços sociais sejam em regra melhores do que noutros países europeus.
Os casamentos entre holandeses e descendentes de imigrantes marroquinos ou turcos equivalem a menos de 10% dos matrimónios, as condenações por crimes são superiores entre não ocidentais (marroquinos, em primeiro lugar, a seguir naturais das Antilhas, por sinal não muçulmanos, e só depois turcos) e o desemprego é três vezes mais elevado do que a média (actualmente, em 5,3%).
O distanciamento em relação à mescla de hedonismo, rigorismo ético e tolerância ideológica, religiosa e de costumes é, contudo, muito acentuado.
A revolta contra este repúdio da parte de imigrantes ingratos e possessivos que criam enclaves hostis nas grandes cidades, o falhanço da integração e do multiculturalismo, assumiu exaltado teor antimuçulmano e foi personificada por Pim Fortuyn (assassinado por um militante ecologista holandês em 2002), Theo van Gogh (baleado por um islamita marroquino em 2004), alentando, agora, Wilders.
Hoje, o prato da xenofobia vai ganhar mais peso na balança europeia.
Fonte: João Carlos Barradas, J Negócios
As velhas tensões entre usufruto e gozo da opulência, rigor da fé calvinista, expedientes das empreitadas comerciais e a veia humanista herdada de Erasmo contribuíram para uma cultura política de consensos e tolerância no pós-guerra que, tudo indica, chegou aos seus limites no início deste século.
A frustração de expectativas, estagnação ou quebra de rendimentos, perda de estatuto e insegurança laboral justificam os agravos de quem mais perdeu com a recessão de 2011 e 2012 e as medidas de austeridade até a economia começar a recuperar há três anos.
Os 62% de votos contra no referendo sobre projecto de constituição europeia em 2005 tinham, por outro, lado deixado a claro dúvidas, que têm vindo a aumentar, sobre os termos da integração política, económica e financeira da UE.
Mais insidiosos são, contudo, a angústia, o temor e a raiva expressas pelas consequências da falhada integração de 1,8 milhões de imigrantes de "origem não ocidental", perto de 11% da população, sobretudo de cerca de 400 mil turcos, outros tantos marroquinos, 350 mil naturais de Suriname e 150 mil das Antilhas.
A maioria dos descendentes destes imigrantes, marroquinos e turcos chegados a partir dos anos 60 e na década seguinte no caso dos cristãos e hindus do Suriname (tornou-se independente da Holanda em 1975) está longe de se reconhecer nos valores partilhados por holandeses protestantes, católicos ou sem filiação religiosa.
Sem atingir a virulência e violência do repúdio das segunda e terceira gerações de imigrantes de origem muçulmana em França, a minoria marroquina e turca na Holanda é exemplo de segregação e auto-segregação, ainda que as condições de vida e acesso a serviços sociais sejam em regra melhores do que noutros países europeus.
Os casamentos entre holandeses e descendentes de imigrantes marroquinos ou turcos equivalem a menos de 10% dos matrimónios, as condenações por crimes são superiores entre não ocidentais (marroquinos, em primeiro lugar, a seguir naturais das Antilhas, por sinal não muçulmanos, e só depois turcos) e o desemprego é três vezes mais elevado do que a média (actualmente, em 5,3%).
O distanciamento em relação à mescla de hedonismo, rigorismo ético e tolerância ideológica, religiosa e de costumes é, contudo, muito acentuado.
A revolta contra este repúdio da parte de imigrantes ingratos e possessivos que criam enclaves hostis nas grandes cidades, o falhanço da integração e do multiculturalismo, assumiu exaltado teor antimuçulmano e foi personificada por Pim Fortuyn (assassinado por um militante ecologista holandês em 2002), Theo van Gogh (baleado por um islamita marroquino em 2004), alentando, agora, Wilders.
Hoje, o prato da xenofobia vai ganhar mais peso na balança europeia.
Fonte: João Carlos Barradas, J Negócios
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