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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Daqui A Uns Meses, Quando Se Fizer O Balanço Destes Tempos ...

... Será esta uma das conclusões. Para sobreviver à sucessão de crises, o Estado, o governo e os interesses instalados adiam tudo para concluírem nada, sacrificando de vez a confiança dos cidadãos na representação política e nas instituições da república. É um caminho perigoso. Quando o desgaste se impuser e quando desconfiar das instituições da democracia portuguesa ascender a imperativo, já não haverá retorno.

É alarmante que, na hierarquia do Estado, todos fujam às suas responsabilidades. É o que mais corrói a confiança dos cidadãos: a impotência perante os poderes instalados, inimputáveis e inatingíveis.

(Excertos do artigo de Alexandre Homem de Cristo, OBSR

Entretanto Assim Acontece:

A Nossa Vida É Uma Incerteza ...

A nossa vida é uma incerteza. Um cego que revoluteia no vazio em busca de um mundo melhor cuja existência é apenas uma suposição.

Virgínia Woolf  

domingo, 2 de julho de 2017

Notícias Soltas.

Esta É Uma Das Diferenças Entre Esquerda E Direita

Sempre fui crítico de Passos Coelho. Injusto? Algumas vezes. Mas nunca recebi mensagens indignadas, para não dizer insultuosas, dos seus apoiantes e fanáticos. De vez em quando, alguém discordava e argumentava, com o fino propósito de me trazer à razão. Ponto final. 

Com António Costa, tudo mudou. E, nos últimos tempos, depois da tragédia de Pedrógão Grande, a coisa agravou-se. Não há dia da semana em que alguém, normalmente sob anonimato, não despeje sobre o meu email o lixo viscoso que tem na cabeça. Há insultos. Há ameaças. No fundo, há um regresso à pocilga socrática. Por mim, estejam à vontade. Mas este fenómeno sinaliza duas coisas. 

Primeira, que existe uma diferença entre a 'direita' e a 'esquerda' no debate político. A segunda, mais importante, é que a 'esquerda' sente que perdeu as rédeas no último mês, optando sensatamente pela intimidação e pela delinquência. 

O futuro promete.

Fonte: João Pereira Coutinho, CM 

Ah, Abram-me Outra Realidade !

Ah, abram-me outra realidade!
Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos
E ter visões por almoço.
Quero encontrar as fadas na rua!
Quero desimaginar-me deste mundo feito com garras,
Desta civilização feita com pregos.
Quero viver como uma bandeira à brisa,
Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer!

Depois encerrem-me onde queiram.
Meu coração verdadeiro continuará velando
Pano brasonado a esfinges,
No alto do mastro das visões
Aos quatro ventos do Mistério.
O Norte — o que todos querem
O Sul — o que todos desejam
O Este — de onde tudo vem
O Oeste — aonde tudo finda
— Os quatro ventos do místico ar da civilização
— Os quatro modos de não ter razão, e de entender o mundo

Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa.

sábado, 1 de julho de 2017

Notícias Soltas

*Há quem deixe de pagar sobretaxa este mês

Contra A Descrença De Alguns, Felizmente Poucos, O Estado Afinal Esteve À Altura Dos Acontecimentos Em Pedrógão Grande - Ora Leia

O Presidente da República esteve soberbo. Oito dias depois de ter assegurado que fora feito o possível na segurança dos cidadãos, apareceu a exigir que se apurasse “tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar”.(...)

O primeiro-ministro esteve impecável. Em vez de explicar, como os fracos, o dr. Costa exigiu explicações. Em vez de dar respostas, como os pelintras, o dr. Costa fez perguntas. Em vez de pedir desculpas, como os malucos, o dr. Costa pediu um “focus group” para avaliar o impacto dos fogos na sua imprescindível popularidade. (...)

A ministra da Administração Interna esteve excelente. Chorou imenso, o que é prova cabal de sensibilidade. Nos (curtos) intervalos, declarou que: 1) o incêndio de Pedrógão Grande foi um grande incêndio; 2) aquele foi o pior momento da vida dela; 3) não se demite na medida em que a demissão seria o “mais fácil”, e que prefere “dar a cara”.(...)

O Bloco de Esquerda esteve magnífico. De início, ao pedir chuva em lugar de demissões. De seguida, ao descobrir que a culpa dos incêndios é dos eucaliptos, que os eucaliptos foram uma invenção de Salazar e que os capitalistas da celulose querem calcinar o país inteiro. (...)

O PCP esteve fabuloso. Perdida a liderança do combate ao eucalipto para o BE, os comunistas desprezaram Pedrógão Grande e mantiveram-se focados nas autênticas prioridades nacionais, leia-se uma greve dos professores convocada para fingir que a classe está descontente.(...)

A Protecção Civil esteve fantástica. Dotada há três meses de novas chefias, muitas sem experiência na matéria de modo a refrescar aquilo, a entidade não serve apenas para emitir avisos coloridos: também serve para confundir as calamidades ao adoptar procedimentos caóticos e avulsos. Num instante, o método “andar à nora” (jargão técnico) fintou as expectativas das chamas e mostrou-lhes quem manda.(...)

O famoso SIRESP esteve imaculado. Após numerosos testemunhos de que esta luminosa herança do dr. Costa não funciona, um relatório isento, realizado por uma empresa acionista do próprio sistema, concluiu o contrário.(...)

Foi mesmo assim que tudo aconteceu. Ler aqui artigo completo para relembrar os pormenores dos terríveis e inusitados acontecimentos.

Amar É Aproximar ...

Amar é aproximar. Fazer próximo quem está mais longe. Dar mais espaço a quem esteja demasiado perto.

 José Luís Nunes Martins 

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Notícias Soltas


Emoção E Poder

No mundo em que vivemos a política, aspirante a gerir as pessoas e os recursos, depende muito da emoção. Porventura mais do que outrora.

A emoção explica mais do que em qualquer outro tempo a força do carisma, a legitimação da autoridade e a credibilização dos argumentos.

Ninguém tem tempo nem estofo nem capacidade para analisar, ajuizar e concluir sobre as milhares de questões técnicas, especializadas e complexas que a política gere e decide. Ninguém compreende os discursos e os debates a não ser pela clareza e pela convicção. E pela emoção de estar vinculado. E pela confiança que a relação emocional gera nos governados. Confia-se pela relação emotiva que se estabelece tacitamente com quem nos governa e nos guia. Acredita-se pela fidúcia de que o Estado e as suas ramificações estão concentrados no preenchimento das funções que nos possibilitam e garantem um modo de vida e uma gravidade de segurança.

Pois bem. Mais do que qualquer outro no passado recente, o poder que Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa implementaram funda-se justamente nessa linha transversal – ligar o país emocionalmente à sua presença e à sua conduta. De “afeto” e de “otimismo”.

Digerir uma tragédia como a de Pedrógão Grande é o grande teste desde poder bifronte. Nada será como antes.

A estratégia de comunicação “controladora” falhou, pois partiu para o terreno com premissas falsas ou desconhecidas e terrivelmente desmentidas pelas horas seguintes de horror e colapso. Neste mundo em que vivemos, a verdade, se diferente da “realidade”, vira-se sempre contra os mensageiros. E a verdade era de grande violência, convenhamos. Verdade feita de morte dolorosa, que é vivida com grande impacto coletivo, com maior ou menor dimensão. Esta foi nacional. Perdura. Arrasta-se no encontrar de respostas. Afunda-se nas incertezas e nas contradições.

Pela primeira vez, o cordão emocional de Marcelo e Costa com os portugueses falhou. Com estrondo. É a partir daqui que vamos partir para a segunda fase deste poder.

Excertos do artigo de Ricardo Costa, Ji