Ainda que as provações se tornem imensas, tenha fé e confie ... deixe que a serenidade da paz lhe traga a sabedoria e a humildade para superar todas as dificuldades.
Tenha uma Boa Noite.
Dantes um dos critérios do sucesso público era a eficácia com que se escondia a cama. Hoje é muito útil trazê-la para a rua e mudar os lençóis na cara dos transeuntes. A alteração é boa? Má? É o que é.
A crer nos apóstolos do politicamente correcto, o passado foi um horror e a sua memória e os seus monumentos deviam ser abolidos. Mas o presente, apesar de constantes “vitórias”, não é melhor: nunca o racismo foi tão grave, nunca a homofobia foi tão alta, nunca a misoginia foi tão aguda. Não há progresso. Porquê? Porque as pessoas, deixadas em liberdade, tendem ao erro e à malícia, como outrora tendiam ao pecado. Há sempre uma piada reveladora, um gesto sintomático. O problema é, portanto, a liberdade. O politicamente correcto tem assim de pressupor um poder absoluto, capaz de fiscalizar todas as relações, de modo a extirpar todos os preconceitos e impurezas, tenham a forma de um piropo ou de uma cortesia. Por enquanto, vai havendo a caça às bruxas nas redes sociais.
Ninguém avança pela vida em linha recta. Muitas vezes, não paramos nas estações indicadas no horário. Por vezes, saímos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como pó. As viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar. No espaço de alguns minutos, certos indivíduos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver. Alguns gastam um sem número de vidas no decurso da sua estadia cá em baixo. Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelutávelmente para trás, atolados no caminho. Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem é para sempre insondável. É absolutamente impossível que alguém conte a história toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.