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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sonhos ...

"Quando sonhamos sozinhos, é só um sonho. Quando sonhamos juntos é o começo de uma nova realidade." 

Dom Hélder Câmara 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Notícias Soltas

*Medina aposta em criar limites ao alojamento local e na melhoria dos transportes

*Autoeuropa e sindicatos vão reunir-se dia 7 de setembr

*Autárquicas com Teresa Leal Coelho. “Nunca aceitei convites para viajar e julgo que nunca aceitarei

A Crispação Está De Volta

Tornaram-se claras as deficiências no combate às chamas. Falhas de coordenação, sobretudo.

Costa e o Governo em geral procuraram adiar respostas, “chutando para canto” e tentando arranjar alguns bodes expiatórios. Mas o primeiro-ministro percebeu que a confiança no seu executivo tinha sido mesmo afectada por este flagelo.

Assim se compreende [...] o tom agressivo, mal disposto e até malcriado com que A. Costa se referiu aos líderes do CDS e do PSD na “rentrée” política do PS. Por exemplo, acusou Passos Coelho de diariamente criticar os bombeiros – coisa que ele sabia, ou devia saber, que o líder do PSD nunca fez.

É uma agressividade que lança as maiores dúvidas sobre a seriedade da proposta feita dias antes por A. Costa de aprovar no Parlamento por maioria de dois terços (logo, com o PSD) os grandes investimentos públicos.


As eleições autárquicas só em escassa medida explicam o regresso a este desagradável clima de crispação. 

Francisco Sarsfield Cabral,  RR     

A Canção Só Morrerá Se ...

A canção, expressão da melancolia, do amor, do entusiasmo, só morrerá se estes sentimentos morrerem; ela é, como o suspiro, como o grito, um dos movimentos naturais da alma.

Eça de Queirós

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Notícias Soltas

A Liberdade E A Democracia Não São A Imposição De Um Pensamento Único E Iluminado A Toda A Sociedade

Se há tema transversal a tudo o que escrevo, e estruturante de tudo o que penso, é a liberdade.
A liberdade e a democracia não são a imposição de um pensamento único e iluminado a toda a sociedade, por muito bem intencionado que seja.
Um dos passos decisivos para a instituição dos totalitarismos é a investidura formal das polícias de costumes. As comissões de regulação, os comités, os institutos de fiscalização, podem ser os braços do Estado na “normalização” almejada. A definição “superior” do pensamento por gente não legitimada, por alguma academia artificial e por mandato político e ideológico, resulta invariavelmente num divórcio entre o rumo imposto e a realidade, entre o ideal e a normalidade, entre a norma imposta e a liberdade.
Em Portugal, a cavalgada do chamado politicamente correcto tem sido alucinante. A cada esquina, onde antes havia um informador da PIDE, há hoje um militante da ILGA, um crente do Bloco, um apóstolo da igualdade de género, um criativo do racismo, um fundamentalista dos animais, um mata-frades ou um soldado da inclusão à força. As frentes são diversas, o objectivo é só um: a imposição do pensamento único. Para esta brigada, devidamente protegida e legitimada pela fragilidade política de Costa, quem pensa diferente, pura e simplesmente, não pensa, não tem direito a expressar as suas opiniões porque são dignas de um troglodita, não tem direito a liberdade de acção porque é medieval, não tem direito a falar se não viu e compreendeu a luz que irradia dos Boaventuras e demais jacobinos do regime.
O regime iluminado, os seus mais diversos agentes, a liberdade da escolha única que advoga, a rejeição e o desrespeito pelo acto de pensar livremente, erradamente dizem eles, está a criar uma coisa nova; não lhe chamo sociedade, para evitar a contradição nos termos. Está a fazer na Europa o que outros num passado mais ou menos recente não conseguiram. Está a cumprir a profecia de Bradburry em Farenheit 451 com eficácia inusitada.
(Excertos do artigo de Raúl Almeida, 'O regime iluminado',no JE)

Para Navegar Contra A Corrente ...

Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão". 

Nise da Silveira 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Notícias Soltas


Do Outro Lado Da Guerra Cultural Não há Voz Nem Vontade ...

... O comprometimento deixou de ter significado e perdeu poder de convocatória? Não sei, mas a fractura é grande.
1. Vigiam-nos. Estão atentos. Estão de serviço. Mobilizados pelo pensamento único, uma nova forma de vida. Nunca se cansam. São ferozes na vigilância, implacáveis na perseguição, sonoros na censura. A nova cartilha e os seus mandamentos não incluem desvios. A nobre arte de debater, a esgrima dos argumentos, a relevância da dúvida, o valor da discordância, estão proibidos pela própria natureza da subversão civilizacional em curso.
Os novos proprietários querem-nos fora de pé, ao largo de nos próprios, cortados pela raiz do que somos e representamos. Querem que nos transfiguremos noutros, atraiçoando o nosso “nós” individual e anestesiando o “nós” colectivo.
Querem-no com ferocidade, não usando de contemplação: o castigo terá apenas o limite da sua própria obscenidade: a intimidação, a denúncia, a manipulação, a mentira, o escárnio público, abater-se-ão sobre os prevaricadores, qual raio ou trovão. A extrema-esquerda, radical de seu nome próprio, é aliás exímia na aplicação destes instrumentos que manuseia com a habilidade ácida do ódio. Temo-lo visto. É preciso licença prévia para pensar e depois dizer alto o que se pensou.
Qualquer “forma mentis” que não encaixe no novo código de conduta está automaticamente banida do seu direito de cidade, privada do oxigénio da liberdade e da vitamínica possibilidade da interrogação e debate. Há uma guerra cultural em curso.
2. Os novos proprietários das mentes&costumes não valem grande coisa eleitoralmente, nunca governarão sozinhos, o seu número no país é inversamente proporcional ao eco mediático que os propaga mas para quem não estiver distraído nada disso tem porém grande importância. Não tem, porque não é disso que se trata. É mais substancial, mais fundo, mais grave. Por isso, eles valem pelo que os deixamos conseguir valer.
Valem pelo aparente êxito com que corroem os alicerces que sustentam o berço civilizacional de onde somos, valem pelo modo como vão calcinando o que conhecemos como nosso mundo. Valem porque exibem o fôlego e a mestria dessa demencial empreitada que é o determinarem-nos: formantando-nos as mentes, anestesiando–nos as reações, domesticando-nos o instinto, incutindo-nos o receio de destoar. De ser expulso do coro onde impuseram uma nota só.
E valem, claro, pela desenvolta segurança de quem se implantou – cá dentro e lá fora — com estratégia e método. Ocupando lugares chaves tão relevantes como a Academia e a Media, convocando a Ciência para o festim, não descurando parte dos sistemas partidários, não esquecendo as representações parlamentares, cuidando da propaganda e do espectáculo. Oficializando enfim um novo mapa cultural e um guia moral (?) desconexos, híbridos, convulsivos, sem raiz. Saídos do nada. Em nome de uma abstrata “culpa ocidental” abatem-se valores, padrões, referências, história, memória (mas saberão eles que não há organização social capaz de vencer sem valores e sem passado?). Abatem-se como árvores, em nome do repúdio pela herança civilizacional recebida. Os novos proprietários exigem-nos numa palavra, que mudemos de pele cultural.
A isto se chama uma guerra.(continuar a ler)

Impossível De Explicar ...

Há uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. A gente não sabe ...

António Lobo Antunes