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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Notícias Soltas (act.)

Sinal Dos Tempos ...

O tédio tem certamente a ver com a frequência com que estas questões são apresentadas no chamado espaço público (a repetição, salvo para os maníacos, afasta a curiosidade) e com o desinteresse político que me sugerem. 

É verdade que ainda me surpreendo de vez em quando. Mas o sentimento mais recorrente, desde há algum tempo, é mesmo o tédio. Estou-me a referir aos furores legislativos em matérias que têm a ver com o que dantes se via como vida privada, nomeadamente com a sexualidade. Segundo li, os maiores de dezasseis anos poderão em breve escolher em Portugal qual o seu “género”, e em Espanha o Podemos reivindica naturalmente maior precocidade: os doze anos. E concebem-se penas pesadas para os pais que se oponham a tais decisões da sua prole.

No que diz respeito ao essencial, a complexidade da psique humana em matéria de sexualidade, Freud, há mais de um século, disse o que havia para dizer, e é muito curioso que, sinal dos tempos, o seu nome se veja arredado de qualquer discussão. Não é só ignorância: Freud, para quem se der ao trabalho de o ler, continua a inquietar. Para mais, e continuando no essencial, a vida dos outros é a vida dos outros e quanto menos nos metermos nela, pretendendo dirigi-la, melhor. 

Mas, é claro, a questão que hoje é discutida pouco se ocupa destas coisas. Mais uma vez sinal dos tempos, ela centra-se por inteiro na legislação. A legislação tomou todo o espaço do essencial e a complexidade da psique não é para aqui chamada. O inconsciente, para voltar a Freud, não existe no quadro legal. A única coisa que interessa é o modo como o Estado nos pode obrigar à liberdade concebida segundo as modas quadriculadas do dia.(...)

O conceito de “totalitarismo”, um conceito razoavelmente equívoco, como o são todos os conceitos de teoria política, implica não apenas, como, por exemplo, o de despotismo, um poder autoritário que suprime as opiniões políticas divergentes, mas a intromissão na vida concreta de cada um na sua esfera íntima. Em última análise, a indistinção da esfera pública e da esfera privada. Não se trata apenas de calar as opiniões divergentes (embora isso, é claro, também aconteça), mas sobretudo de afirmar a necessidade de, no nosso próprio coração, pensarmos como o Estado quer. E se isso é feito em nome da nossa própria liberdade, que maravilha que é.

Paulo Tunhas, 'Totalitarismo'

Nota: Este é só um dos 'sinais dos tempos' que estamos a viver. Muitos e muitos outros podemos constatar, que mostram o caminho para o declínio da civilização em que ainda vivemos.

Beber Café Ajuda A Diminuir O Risco De Desenvolver Diabetes Tipo 2

Nos últimos anos, pesquisadores constataram que beber café ajuda a diminuir o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
Inicialmente os cientistas suspeitavam que a cafeína fosse responsável pelo efeito, mas estudos posteriores descartaram essa possibilidade, sugerindo que outras substâncias no café podem ter um papel mais importante.
O professor Fredrik Brustad Mellbye, da Universidade Aarhus (Dinamarca), queria mais detalhes, e saiu em busca de quais as substâncias exactamente actuam contra o diabetes.
A equipe descobriu que se trata de um composto chamado cafestol.

Nos novos testes, feitos em animais, o cafestol aumentou a absorção de glicose nas células musculares de forma tão eficaz quanto um medicamento antidiabético comumente prescrito para a condição.
Os investigadores concluíram que o consumo diário de cafestol pode atrasar o aparecimento do diabetes tipo 2, sendo um bom candidato para o desenvolvimento de medicamentos para tratar ou prevenir a doença.
O próximo passo será efectuar testes em seres humanos.
Para quem não quer esperar pelo comprimido, estudos anteriores sugerem que beber de três a quatro xícaras de café por dia reduz o risco de desenvolver diabetes tipo 2. (DS) 

Como Ser Livre ...

Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo - quando o homem se ergue a este píncaro, está livre, como em todos os píncaros, está só, como em todos os píncaros, está unido ao céu, a que nunca está unido, como em todos os píncaros. 

Fernando Pessoa

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Notícias Soltas (act.)

*MAI pede verificação das licenciaturas de todos os dirigentes e comandantes da Proteção Civil

*Comunicações. Preços sobem mais em Portugal do que na UE

*Ryanair esconde estar a braços com êxodo de pilotos para a concorrência

*Mosquito transmissor da dengue detetado no norte do país

*Referendo ilegal. Guardia Civil detém 14 dirigentes do governo catalão

*Sismo no México fez 225 mortos. Autoridades tentam resgatar crianças presas nos escombros de colégio

Esta É A Frase

Os governos é como as marés: vão e vêm. Nascem, estão, partem e vêm novas marés. Mas o embaraço, não. O embaraço constrangido que determinadas governações podem causar, fica. Um dia, daqui a muito ou pouco tempo – é irrelevante para o que me traz – a geringonça desconjunta-se-á, mas aquilo que nos constrangeu, envergonhou ou embaraçou, permanecerá, temo bem, impresso nas mentalidades e no ar do país. Não me refiro a medidas, prioridades ou escolhas que competem a quem governa, mesmo não tendo sido eleito para tal. Refiro-me a uma certa , como dizer?, cultura do modo como se está na política e do modo como ela se pratica. Um misto de leveza e manha, de “tudo nos é permitido” e vale tudo. Da manipulação encenada a partir do palco do poder para a plateia de patetas onde quem não é da geringonça, é suposto estar sentado.

Maria João Avillez, OBSR   

Imaginação ...



"Na verdade, a imaginação não passa de um modo da memória, emancipado da ordem do tempo e do espaço." 

STC 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Notícias Soltas

*Anacom sobre a compra da TVI: “É suscetível de criar entraves à concorrência nas comunicações eletrónicas”

Esta É A Frase

Se Passos não começou a austeridade, António Costa também não acabou com ela. Costa fez duas coisas. Primeiro, arranjou-lhe outro nome: agora, chama-se “rigor” — segundo a receita de Alexis Tsipras, que também acabou com a “troika” na Grécia passando a chamar-lhe “as instituições”. Segundo, mudou a sua composição: menos dinheiro para os serviços e mais para os funcionários (ou seja, menos dinheiro para tratar dos doentes e mais dinheiro para pagar aos enfermeiros).

Rui Ramos, OBSR

Como É Difícil Entendermo-nos Com A Vida

Como é difícil entendermo-nos com a vida.
Nós a compor, ela a estragar.
Nós a propor, ela a destruir.
O ideal seria então não tentarmos entender-nos com ela mas apenas connosco.
Simplesmente o nós com que nos entendêssemos depende infinitamente do que a vida faz dele. Assim jamais o poderemos evitar. E todavia, alguns dir-se-ia conseguirem-no. Que força de si mesmos ou importância de si mesmos eles inventam em si para a sobreporem ao mais? Jamais o conseguirei. O que há de grande em mim equilibra-se nas infinitas complacências da vida que me ameaça ou me trai. E é nesses pequenos intervalos que vou erguendo o que sou. Mas fatigada decerto de ser complacente, à medida que a paciência se lhe esgota em ser intervalarmente tolerante, ela vai-me sendo intolerante sem intervalo nenhum. E então não há coragem que chegue e toda a virtude se me esgota na resignação. É triste para quem sonhou estar um pouco acima dela. Mas o simples dizê-lo é já ser mais do que ela. A resignação total é a que vai dar ao silêncio.

Vergílio Ferreira, 'Conta-Corrente 4'