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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Tem De Se Reconhecer, A Forma Notável Como O Ministro Das Finanças Serviu A Quadratura do Círculo
Passou relativamente despercebida a referência da comunicação social que, no fim deste ano que passou, dava nota de que o mesmo acabou com a despesa pública a subir, mas que o referido aumento não tinha relevante impacto nas contas do ano porque a receita pública, ao que parece, subira relevantemente mais.(...)
O que isto demonstra é que, em termos absolutos, a apregoada devolução de rendimentos – que necessariamente aumenta a despesa pública – foi profundamente austeritária na incidência sobre os impostos indirectos e retirou a todos, incluindo os próprios destinatários da devolução, muito mais do que se devolveu, tendência que se manterá como se nota pelo aumento do ISP.
Ou seja, permite pagar melhores salários aumentando a despesa porque, em paralelo, promove um aumento de receitas (leia-se impostos) maior ainda.
Assim, não só se cobre o aumento da despesa como ainda se reduz o défice (com o efeito das receitas que vão crescendo).
Para cimentar esta realidade aplicou-se uma política draconiana de cativações, cortou-se e restringiu-se os gastos com as dotações dos serviços, não se pagou a fornecedores e reduziu--se à quase insignificância o investimento público.
Este é, grosso modo, o nosso modelo do fim da austeridade!
Ou seja, vamos vivendo uma farsa em que os critérios que apontam a efectiva e real diminuição percentual da quantidade de dívida transitada sobre o valor do PIB não se traduzem, ao fim e ao cabo, numa diminuição efectiva da enorme fúria despesista do Estado que, afinal, cresce.
E bastará uma desaceleração do crescimento económico para os ganhos já em parte confiscados e gastos para acorrer ao incremento da despesa corrente com pessoal – enquanto o investimento público continua uma miragem – para que o efeito virtuoso se perca ou mesmo desapareça.
É verdade, e até certo ponto tem de reconhecer-se, que a forma como foi servida a quadratura do círculo pelo ministro das Finanças é, já tive oportunidade de referir, notável.
De realçar, porém, que neste início de um ano novo importará olhar com atenção os custos enormes que o país sofreu, mais ou menos catastróficos, e que podem associar-se ao acentuado desinvestimento do Estado no bom funcionamento dos seus serviços, e com a agravante do esforço de reconstrução que as catástrofes de 2017 impõem para este ano.
(excerto do artigo de Pedro Ferros, Ji)
A Minha Felicidade
Depois de estar cansado de procurar
Aprendi a encontrar.
Aprendi a encontrar.
Depois de um vento me ter feito frente
Navego com todos os ventos.
Friedrich Nietzsche
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Nicolau É Uma Boa Escolha Para A Lusa ...
Nicolau Santos é uma boa escolha para a Lusa. Sim, foi enganado por um burlão. Mas admitiu o erro. Fez melhor do que o Governo que o nomeou, onde muitos continuam a negar as vigarices de um burlão muito maior. Por falar em Sócrates, uma das suas várias aldrabices é a razão pela qual a Lusa não me preocupa: os jornalistas garantem independência. Em 2011, um assessor quis que a Lusa difundisse uma frase do então PM sobre Soares dos Santos. Só que a frase não tinha sido dita. (Mesmo calado, Sócrates mentia). Sofia Branco, a editora, recusou-se a noticiar. Não era uma general prussiana e acabou por perder o cargo. Com jornalistas destas, a Lusa fica bem.
José Diogo Quintela, CM
José Diogo Quintela, CM
Esta É A Frase: Reiventar É Um Semi Disfarce, Cumprir É Sempre Uma Meta
Deve ter caído bem com tanta a gente a explicar como se “re-inventa”, eu achei-a um enfeite de Natal. Não é preciso reinventar, mas sim cumprir. Não é preciso reinventar o Estado, é preciso que ele cumpra bem as funções já há muito “inventadas” para ele. Não é preciso que o ministro da Defesa se reinvente é só necessário que — na impossibilidade de nos sair da frente — cumpra a sua tarefa e nos informe sobre ela. Não é preciso reinventar o Serviço Nacional de Saúde, bastaria só que ele funcionasse como no tempo de Paulo Macedo que tinha bem menos euros à disposição que o pobre dr. Adalberto (com “pannes” em todo o lado, a todas as horas e a todos os níveis de funcionamento, sem que isso pareça afligir o governante, o governo, os dos écrans ou a media que agora prefere o sono dos (in)justos).
Maria João Avillez, OBSR
Cultura
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
O Actual Regime É Uma Mistura De Democracia Eleitoral E De Autocracia Partidária
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Para perceber o que está verdadeiramente em causa na lei de financiamento dos partidos, é preciso recuar no tempo, até 1975 e à Assembleia Constituinte.- ora leia aqui.
O actual regime é uma mistura de democracia eleitoral e de autocracia partidária. Numa sociedade envelhecida, endividada e dependente do Estado, a alternativa aos partidos tem sido a abstenção: de 8,5% em 1975 para 44,1% em 2015. É muito fácil simular indignação nas redes sociais e exigir vetos ao presidente. É mais difícil saber se o regime em Portugal pode ser outra coisa.
Rui Ramos
Eu Amo Tudo O Que Foi
Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa
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