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sábado, 3 de março de 2018

Loucuras ...

Apavorado acordo, em treva. O luar
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.

Vinicius de Moraes 

sexta-feira, 2 de março de 2018

Notícias Soltas

Corrupção : Em Portugal O Regime Não Pode Dizer Que Não Recebeu Já Todos Os Sinais

Já em 2015, a Procuradora-Geral da República (PGR) admitia a existência de uma rede que utilizava o aparelho do Estado e outro tipo de aparelhos da Administração Pública “para realizar atos ilícitos”, alguns na área da “corrupção”, apontando as áreas da Saúde e da contratação pública como as mais expostas a este tipo de crime. Já então a PGR sabia bem do que falava. Os processos em curso contra políticos e banqueiros provam-no à evidência. Talvez por isso Joana Marques Vidal seja tão mal estimada nos corredores do Poder.

Este problema da corrupção é como o dos fogos: tem várias frentes de combate. E esta semana, em entrevista ao “Público”, a investigadora Conceição Pequito, ao falar da organização dos partidos e da qualidade da Democracia portuguesa, apontava outra (frente de combate): o funcionamento dos partidos, a sua cartelização, a colonização do Estado que promovem, o tráfico de influências por tudo isso gerado e o caso concreto do deputado-advogado. Cito: “Temos um Parlamento cujas leis, as mais importantes, são feitas fora do próprio Parlamento, encomendadas por ajuste directo a grandes escritórios de advogados, nos quais trabalham advogados que são deputados. Então, quem faz as leis fora do Parlamento, o que já é uma aberração, vem aprová-las dentro do Parlamento”.

Não cometo o erro de confundir perceção com realidade, ainda para mais numa zona de atividade humana que será de combate eterno. Mas, no caso concreto da corrupção, Portugal merecia um Pacto de Regime, um combate feroz, muito para além da Comissão da Transparência para a política e cargos públicos, a que Fernando Negrão preside (presidia?) e que parece um carro em segunda mão, sempre no pára-arranca. Aqui ao lado, em Espanha, o governo de Mariano Rajoy vegeta por culpa do afundamento ético aos olhos dos cidadãos. Em Portugal, o regime não pode dizer que não recebeu já todos os sinais de alarme.

(Excerto do artigo de João Marcelino, JE)

Ilumina-se A Igreja Por Dentro Da Chuva


Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia, 
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça... 

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso, 
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro ... 

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes 
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar... 

Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça 
E sente-se chiar a água no fato de haver coro... 

A missa é um automóvel que passa 
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste... 
Súbito vento sacode em esplendor maior 
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo 
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe 
Com o som de rodas de automóvel... 

E apagam-se as luzes da igreja 
Na chuva que cessa ... 

Fernando Pessoa

quinta-feira, 1 de março de 2018

Notícias Soltas

Via De Acesso À Praia Do Portinho Da Arrábida Parcialmente Destruída Devido Ao Temporal

A via de acesso à praia do Portinho da Arrábida ficou parcialmente destruída devido ao temporal que se fez sentir. Condutas de abastecimento de água e de energia elétrica ficaram expostas.

O acesso à praia do Creiro (mais conhecida como Portinho da Arrábida) abateu durante a noite de quarta-feira na sequência do temporal que se fez sentir. A situação é descrita pelo presidente do Clube da Arrábida, Pedro Soares Vieira, que ao Observador diz tratar-se de “um muro de proteção que também funciona como caminho de acesso à praia”.
O acesso, continua, separa o mar das casas (essencialmente de veraneio) e a parte atingida pela tempestade desta noite inviabiliza o acesso ao Restaurante Farol, assegura o presidente. “Além de o muro ter abatido, ficaram à mostra as condutas elétricas e as condutas da água”.(saber mais aqui)

Assim Acontece: O Primeiro-ministro Está Valorizadíssimo

O primeiro-ministro está valorizadíssimo por se encontrar na confluência onde desaguam as esquerdas e as direitas e decidiu utilizar esse ativo, mas não para governar. Preferiu gerir em benefício próprio a sua cotação de mercado junto dos partidos políticos, das forças sociais, do Presidente Marcelo e, sobretudo, dos portugueses que o têm como o referencial de equilíbrio.

Sentado na sua cadeira de sonho, Costa tem hoje o PS totalmente domesticado, conta com o beneplácito de Marcelo e tem o apoio do Bloco e do PCP, que se limitam a rosnar para obter uns cobres para os seus clientes em troca da estabilidade política e da paz social. Ainda por cima tocou-lhe agora um PSD mais disponível para um diálogo construtivo e patriótico, o que lhe permite uma gestão quase completa do leque político. Sobra o CDS de Cristas, que aproveita para se afirmar.

Com uma conjuntura tão boa, outro primeiro-ministro aproveitaria para fazer coisas verdadeiramente importantes e necessárias, como mandar o Estado pagar a tempo a quem deve para diminuir o valor das faturas, que são sempre agravadas por quem tem de esperar mais de um ano para receber. Poderia ainda tentar salvar o Serviço Nacional de Saúde, melhorar a qualidade da segurança social, suprir as falhas da justiça, diminuir a poluição, tentar mudar o sistema político ou investir na dessalinização para evitar a seca que nos vai matar. Mas não. Costa prefere ir falando com este e com aquele e esperar que chova muito…

( excertos do artigo de Eduardo Oliveira e Silva, Ji)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Esta É A Frase

Quando o principal partido da oposição sente necessidade de, no Parlamento, durante um debate com o primeiro-ministro, recordar que é oposição (mas “construtiva”) é porque algo está a correr muito mal. Contudo foi precisamente isso que sucedeu na estreia de Fernando Negrão como líder parlamentar do PSD no seu primeiro debate quinzenal. Um debate onde fez papel de ovelha dócil a caminho do matadouro.

José Manuel Fernandes, OBSR

Notícias Soltas

Quando Uma Tragédia Se Abate Sobre Vastas Regiões Do País, O Mínimo Que Se pode Exigir É Uma Planificação Que Evite A Repetição E Que Ao Mesmo Tempo Criem As condições Para A Melhoria De Vida Das Populações Afetadas

Chegados ao final do mês de fevereiro, quando a primavera já se anuncia, depois de um Orçamento do Estado para 2018 que nada fez para recuperar a atividade económica destas populações martirizadas, a que assistimos agora em termos de medidas por parte do Estado para relançar a confiança das populações mais afetadas ?
Num país onde não se tomaram medidas para escoar os milhões de toneladas de biomassa semiardida que continuam espalhadas por vastas zonas do Portugal interior, o que se vai fazer a estas novas quantidades de biomassa que o governo pretende agora que seja cortada sem ter antes criado qualquer tipo de incentivo ao seu necessário escoamento?
Nem isentando de IVA a biomassa para queima, nem permitindo a dedução em IRS das despesas com o corte da biomassa, nem reduzindo o IRC das empresas destas regiões, nem criando circuitos logísticos e parques onde esta biomassa possa ser armazenada com um mínimo de segurança.
E não esqueçamos que a biomassa, depois de cortada, seca mais depressa do que se permanecer em ciclo vegetativo - o que aumenta exponencialmente o risco de incêndio já no próximo verão.
E como as queimadas são proibidas a partir de finais do mês de abril, e infelizmente as centrais de biomassa são ainda muito poucas, todo este esforço dos pequenos proprietários, todas estas multas anunciadas, toda esta desorganização adicional do tecido produtivo destes 40 mil quilómetros quadrados de território servirão apenas para criar as condições para que tragédias ainda maiores possam vir a ocorrer.
Ou seja, será o massacre dos já massacrados pela calamidade dos fogos do ano passado.
De facto, a democracia portuguesa está muito longe de ter a qualidade que devia. 

(excertos do artigo de Clemente Pedro Nunes,Ji)