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domingo, 11 de março de 2018

Esta É A Frase

«As pessoas doentes estão assustadas e frágeis. Vão aos “alternativos” à procura daquilo que não encontram nos médicos: empatia. Não querem um técnico que as examine e conserte como se conserta um automóvel. Querem atenção e compreensão. Há estudos que mostram que a maior parte das queixas dos doentes não se dirigem à competência do médico, que eles nem sabem, de resto, avaliar. Queixam-se da distância, da frieza, da insensibilidade.»

Luís Carvalho Rodrigues, OBSR 

*É verdade que se não ensina humanidade como se ensina radiologia. Os médicos do século XIX e da primeira metade do século XX tinham uma cultura humanista que depois se perdeu. Infelizmente, não é possível recuperar essa formação, que tinha muito a ver com ambientes familiares e meios sociais que já não existem. Mas a ligação às pessoas e aos seus problemas não é uma questão de talento ou inclinação. É uma maneira de trabalhar. Aprende-se e treina-se.

Com Que Vida Encherei Os Poucos Breves Dias ...

Com que vida encherei os poucos breves
Dias que me são dados? Será minha
        A minha vida ou dada
        A outros ou a sombras?
À sombra de nós mesmos quantos homens
Inconscientes nos sacrificamos,
        E um destino cumprimos
        Nem nosso nem alheio!
Ó deuses imortais, saiba eu ao menos
Aceitar sem querê-lo, sorridente,
        O curso áspero e duro
        Da estrada permitida.
Porém nosso destino é o que for nosso,
Que nos deu a sorte, ou, alheio fado,
        Anónimo a um anónimo,
        Nos arrasta a corrente.

Ricardo Reis

sábado, 10 de março de 2018

Notícias Soltas

A Pergunta Que Se Impõe

As obras de manutenção na Ponte 25 de Abril vão ser pagas pelo Estado, através da empresa pública Infraestruturas de Portugal, num valor que se estima ser de 18 milhões de euros. Mas as receitas cobradas nas portagens são entregues a um operador privado que explora a concessão rodoviária da ponte. Porque não é a Lusoponte a pagar, ou pelo menos em parte, os custos desta intervenção estrutural na ponte? (ler)

Liberdade ...

"A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras."

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 9 de março de 2018

Notícias Soltas


Assim Acontece ...

Sem surpresa, Mário Centeno vai tropeçando nas contradições inevitáveis que vêm associadas ao facto de ter de usar dois chapéus. Quando coloca o de ministro das Finanças, concede a si próprio a liberdade de fingir que a sua política orçamental não tem vestígios de contenção e austeridade. Enquanto presidente do Eurogrupo, cabe-lhe exigir desempenhos de acordo com as regras da zona euro. Neste caso, com o recurso à gíria com que os líderes europeus trocam recados.
Foi nesta qualidade que Centeno irritou Varoufakis, ao ponto de ter sido acusado pelo antigo ministro das Finanças grego de acrescentar a injúria ao insulto. Tudo isto, em resumo, porque afirmou, talvez sem se aperceber do real alcance das palavras, que se a Grécia tivesse tomado mais cedo as medidas que lhe foram pedidas, os resultados teriam, igualmente, surgido mais cedo. Entre estes frutos teriam estado “a conquista da confiança dos investidores e dos parceiros europeus”. Wolfgang Schäuble, tido como a personificação dos horrores da ortodoxia da zona euro, não o teria dito de forma mais clara.
Ficou a saber-se, afinal, que, por detrás da máscara política que adopta para ajudar a garantir a estabilidade emocional dos parceiros da coligação que sustenta o Governo do PS, Centeno, na versão de presidente do Eurogrupo, reconhece que os seus antecessores fizeram aquilo que, do seu ponto de vista, era correcto e necessário. Enquanto a Grécia desperdiçou tempo e dinheiro, Portugal aplicou as medidas duras que lhe foram colocadas em cima da mesa e conseguiu regressar aos mercados ainda antes de o programa de ajustamento que lhe cabia cumprir ter expirado. O caminho seguido por Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar e Maria Luis Albuquerque acaba de ganhar um apoiante inesperado.
(excertos do artigo de João Cândido da Silva, OBSR)

Ausência ...

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num País sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyer Andresen

                       

quinta-feira, 8 de março de 2018

Notícias Soltas (act.)

Genes Operam De Forma Rítmica

Genes que causam doenças?
 É muito mais complicado
 do que isso: o mesmo gene que mata uma pessoa pode não afetar outra
.
[Imagem: Cortesia Max Planck Institute for Informatics]Adicionar legenda
Genética varia ao longo do dia

Tudo tem o seu tempo: Esse ditado se aplica bem a muitos empreendimentos humanos, mas parece que também é verdadeiro no nível molecular, mas especificamente para os nossos genes.

A atividade de quase 80% dos nossos genes segue um ritmo diurno/noturno em diversos tecidos do nosso corpo e em diferentes regiões cerebrais.
Embora já se soubesse que muitos tecidos e órgãos seguem esses ciclos, chamados de ritmos circadianos ou relógio biológico, nunca havia sido pesquisado em detalhes como o tempo afeta a transcrição dos nossos genes (o processo de copiar DNA em RNA para guiar a montagem de proteínas).
"Esta é a primeira vez que um mapa de referência da expressão diária dos genes foi estabelecido," explica o professor Satchidananda Panda, do Instituto Salk (EUA). "É um quadro para entendermos como a quebra circadiana causa doenças do cérebro e do corpo, como depressão, doença de Crohn, doença inflamatória intestinal, doença cardíaca ou câncer. Isso terá um enorme impacto na compreensão dos mecanismos ou na otimização de curas para pelo menos 150 doenças"


Genes seguem relógio biológico

Usando sequenciamento de RNA, a equipe rastreou a expressão genica em dezenas de diferentes tecidos de primatas não humanos a cada 2 horas durante 24 horas. Cada tecido continha genes que foram expressos em diferentes níveis com base na hora do dia.
Nada menos do que 81,7% dos genes codificadores de proteínas apresentaram um efeito rítmico. Isso significa que o resultado de um exame genético visando um desses genes será diferente se for realizado em diferentes horários do dia.
O número desses genes rítmicos variou por tipo de tecido, de cerca de 200 nos linfonodos mesentéricos, glândula pineal, medula óssea e outros tecidos, até mais de 3.000 no córtex pré-frontal, tireoide, músculo glúteo e outros. Além disso, os genes que foram expressos mais frequentemente tendem a mostrar mais ritmicidade, ou variabilidade ao longo do dia.
Dos 25.000 genes no genoma dos primatas, cerca de 11.000 foram expressos em todos os tecidos. Destes (que governam principalmente as funções celulares de rotina, como o reparo do DNA e o metabolismo energético), 96,6% são particularmente rítmicos em pelo menos um tecido, variando drasticamente quando foram amostrados.
Na maioria dos tecidos, a transcrição de genes atingiu o pico no início da manhã e no final da tarde, e se acalmou à noite após o jantar, em torno da hora de dormir.


Efeito sobre a ciência e o horário de tomar remédios


A descoberta coloca um novo padrão de referência para todos os estudos de genética, uma vez que os resultados de experimentos genéticos podem ser afetados pelo horário do dia em que os experimentos foram feitos.

"Estes resultados fornecem novos insights que podem influenciar a validação da pesquisa científica. Por exemplo, os cientistas que tentam replicar um trabalho anterior devem prestar mais atenção ao período em que ensaios específicos foram realizados," disse o professor Howard Cooper, coautor do estudo.
Além de fundamentar novos métodos de pesquisa, este mecanismo de temporização molecular também pode afetar a eficácia dos medicamentos. No futuro, os pacientes poderão receber instruções mais detalhadas sobre a frequência e o melhor horário do dia ou da noite para tomar seus remédios, de forma que eles sejam mais eficazes.
"Nós demonstramos que mais de 80% dos alvos das drogas aprovadas pela FDA são rítmicos em pelo menos um tecido," disse o Dr. Ludovic Mure. "Além dos alvos dessas drogas, muitos outros mecanismos que afetam a eficiência ou toxicidade de medicamentos, como sua absorção, metabolização e excreção, podem ser moduladas pelo relógio circadiano."
Os resultados foram publicados na revista Science.