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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Desejos Vãos


Eu queria ser o Mar de altivo porte 
Que ri e canta, a vastidão imensa! 

Eu queria ser a Pedra que não pensa, 
A pedra do caminho, rude e forte! 

Eu queria ser o Sol, a luz imensa, 
O bem do que é humilde e não tem sorte! 
Eu queria ser a árvore tosca e densa 
Que ri do mundo vão e até a morte! 

Mas o Mar também chora de tristeza ... 
As árvores também, como quem reza, 
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente! 

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia, 
Tem lágrimas de sangue na agonia! 
E as Pedras ... essas ... pisa-as toda a gente! ... 

Florbela Espanca 

terça-feira, 10 de abril de 2018

Notícias Soltas (act.)

Já Há Oposição Em Portugal, E, Não É De Rio

Estes três partidos [PS, BE,PCP] representam 53% do Parlamento e, naturalmente, são a maioria que manda no país. Então quem faz oposição? Dir-me-ão, com alguma naturalidade, que é o PSD que tem 39% dos deputados. O problema é que Rui Rio continua a fazer uma oposição de pantufas — às vezes mudo, outras vezes calado –, e, quando fala, a mensagem é um misto entre o vazio e o nada.
Aliás, ficou claro, este fim de semana, no Expresso, a ambição de Rio Rio na construção de um discurso com ideias alternativas para o país. Escreve o semanário que, no Conselho Nacional do PSD, Rio terá dito aos seus conselheiros que “as eleições não se ganham, perdem-se”. Ou seja, o social-democrata nem sequer acredita ter um projeto que convença os portugueses de que é melhor do que António Costa; ficará à espera que o Governo caia de podre e o poder lhe caia no colo. É uma versão menos satânica do que a do “Diabo” de Passos Coelho, mas é igualmente desprovida de ambição.
Se não é o PSD, então quem fará oposição à geringonça, tendo em conta que o PAN não conta e o CDS conta muito pouco? A resposta é Mário Centeno. O ministro das Finanças já percebeu que, em ano de eleições, PS, Bloco, PCP e PSD vão querer abrir os cordões à bolsa e até já se anteveem no horizonte algumas possíveis maiorias negativas, com os social-democratas a poderem juntar-se à esquerda radical em algumas matérias como o aumento de salários na função pública.
(excertos do artigo de Pedro Sousa Carvalho no ECO)

Não Se Preocupe Em Entender ...

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Clarice Lispector 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Notícias Soltas (act.)

Insólito ! - Sinais Dos Tempos

Desde junho do ano passado que a PSP deixou de enviar à Polícia Judiciária (PJ) os formulários relativos a apreensões e detenções no âmbito do tráfico de droga. A Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ tem a competência, por lei, de centralizar e tratar, de forma estatística, a informação relacionada com tráfico de droga. No relatório anual de 2017, publicado pela PJ em março, é realçado que "a PSP, por decisão sua", deixou de enviar os dados. O que leva a que este relatório, com dados de todas as forças de segurança, esteja incompleto e com números muito desfasados dos que foram compilados no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).(continuar a ler)

Um Novo Dia, Vem Nascendo

Um novo dia vem nascendo.
Um novo sol já vai raiar.
Parece a vida, rompendo em luz,
E que nos convida a amar.

Vinicius de Moraes

domingo, 8 de abril de 2018

Notícias Soltas (act.)

A Coisa . O Que É A Coisa?

O que é a coisa? A coisa é aquele excipiente que leva a que num determinado momento tudo se inverta, passando os réus a vítimas. Os crimes hediondos a factos irrelevantes quando não a cabalas.
A coisa primeiro estranha-se. Depois entranha-se. A coisa acontece quando a pertença política dos investigados se sobrepõe ao julgamento sobre a natureza dos seus actos. Hoje todos se chocam com o pacto de silêncio que no passado envolveu os crimes sexuais praticados pelo clero católico. Ninguém via nada? Porque se calavam todos? Porque os criminosos eram padres. Curiosamente essa lição do passado não impede a presente berraria que acompanha os arguidos que politicamente vêm do campo da esquerda e do progressismo. Os argumentários para justificar o injustificável são vários, passando inevitavelmente pelas acusações de perseguição, pelo dogma da amizade pelos pobres (entendendo-se geralmente a dita amizade por tornar os pobres subsidiodependentes) ou pelo “espírito avançado” do protagonista.
Em Portugal, a coisa começou em 2003. Ou melhor dizendo há quinze anos a coisa tornou-se óbvia: em 2003, Portugal confrontava-se com o escândalo Casa Pia. A revelação sobre os abusos sexuais sofridos por dezenas de crianças internadas naquela instituição causou inicialmente um enorme sobressalto.(continuar a ler)
A judicialização da política só acontece (e de facto ela está a acontecer) porque por cumplicidade, cobardia, desleixo ou desistência entregámos aos tribunais o que devia ser o nosso papel: dizer não aos políticos. A partir do momento em que deixamos de dizer não aos políticos transferimos poder para os tribunais. E aos tribunais não se diz não nem sim. Cumpre-se.
Fonte: OBSR

Viagem


É o vento que me leva. 
O vento lusitano. 
É este sopro humano 
Universal 
Que enfuna a inquietação de Portugal. 
É esta fúria de loucura mansa 
Que tudo alcança 
Sem alcançar. 
Que vai de céu em céu, 
De mar em mar, 
Até nunca chegar. 
E esta tentação de me encontrar 
Mais rico de amargura 
Nas pausas da ventura 
De me procurar... 


Miguel Torga