"As pernas da tradição não conseguem acompanhar os movimentos dos braços da novidade."
Carlos Drummond de Andrade
«Portugal recruta os seus dirigentes pagando modestos valores se comparados com os de altos quadros do setor privado. Só mesmo um prestigiado cidadão que sofra algum mal da bola é que aceita ir para o governo.»
«A autoridade para o desporto proposta ontem pelo primeiro-ministro pode ser uma boa ideia, se não se tratar de mais “uma comissão”, aquela coisa que recorrentemente se anuncia cada vez que há um problema. A demissão de Bruno de Carvalho é o primeiro passo para a desintoxicação social. Os sportinguistas, a quem cabe a decisão, vão ter de estar à altura.»
É como os sissós, uns sobem, outros descem: num banco deste sissó os impostos (os mais altos desde há vinte anos) estão em ascensão implacável, desencorajando o mérito e proibindo a ambição, enquanto no outro assento, as responsabilidades do Estado se somem a olho nu. Dupla perversidade: era à conta desses impostos e em nome deles, que teríamos acesso a um mundo justo e mais civilizado, mas a disparidade entre o muito que pagamos e o pouquíssimo que nos oferecem é afinal a melhor radiografia de uma geringonça a fazer de conta.