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terça-feira, 14 de agosto de 2018
Assim Acontece
António Costa falou por si, pelo PS - e pelo PSD. Os jornalistas quiseram saber da sua intenção de promover consensos com o PSD - e o líder do PS já adiantou que já vêm aí novos acordos com os sociais-democratas! Isto é, António Costa já fala em representação de Rui Rio! Isto só acontece devido à fraqueza da liderança do PSD - António Costa coloca-se assim, definitivamente, como o líder que une o impossível: domina tanto o Bloco de Esquerda e o PCP como domina o PSD. Qual o efeito sistémico no quadro político-partidário português? Fácil: o PS de Costa converte-se no “partido-charneira” do regime, ora virando à esquerda, ora virando à direita. E aumenta a insignificância do PSD, que fica sem poder, sem discurso, sem programa, sem referências. O PSD de Rui Rio não acha insólito que o primeiro-ministro fale pelo partido? À custa da amizade entre António Costa e Rui Rio, o PSD poderá viver a pior fase da sua história. A dúvida já só está em saber se o partido conseguirá sobreviver ao desastre chamado Rui Rio…
João Lemos Esteves, 'António Costa Apanhou o "Expresso" da maioria absoluta?', Ji
João Lemos Esteves, 'António Costa Apanhou o "Expresso" da maioria absoluta?', Ji
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Notícias Soltas
*Petróleo. Tribunal aceita providência cautelar contra furo ao largo de Aljezur
*EUA. Monsanto condenada por causar cancro a jardineiro
*Hospital de Santa Maria. Urgência de Otorrinolaringologia em rotura, garante sindicato
*Emprego. Segurança Social vai contratar 200 trabalhadores
*Noruega. Ministro demite-se após visita ao Irão
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*"Esses fanáticos dos direitos dos animais não sabem nada de natureza"
Esta É A Frase
Nos últimos tempos, o PSD passa mais tempo a dar cabo do PSD do que é natural, apesar de ser o PSD, famoso pela querela e o dramalhão. Uma doença atacou os dirigentes e candidatos a dirigentes. Esta doença tem manifestações exógenas e exóticas do género verbal. Entre elas, uma propensão para manifestar disponibilidade. Estou disponível. Faz lembrar a famosa frase de Marco Paulo quando a internet começou a dominar o mundo e a fazer vender canções. Então e a internet, Marco Paulo? O que pensa disso? “Se a internet me quiser, estou disponível.”Clara Ferreira Alves, Expresso
O Estado Em Que Se Encontra O Sector Dos Transportes Em Porugal
Tirando as autoestradas (e isso resulta do facto de muitas autoestradas não terem trafego suficiente que as justifiquem – o que significa que se investiu muitos recursos em ativos de baixa eficiência), parece que todos os outros setores estão numa situação muito difícil.
A ferrovia é o caos que se vê. Muitos comboios parados e com horários suprimidos. Viagens mais prolongadas. Greves. E no comboio urbano uma situação muito difícil na linha de Sintra, mas explosiva na linha de Cascais. A linha de Cascais é neste momento um risco elevado para quem nela circula. A isto junta-se o caos no metropolitano de Lisboa, com atrasos, permanentemente cheio, tornando-se um problema nas horas de ponta de manha e tarde.
O aeroporto de Lisboa apresenta falhas ao nível do tempo que se demora a embarcar/desembarcar. Isto resulta do elevado crescimento dos últimos anos. Do novo aeroporto no Montijo há apenas ainda boas intenções e projetos, mas, ao fim destes anos todos, a Força Aérea ainda nem sequer saiu de lá. Pior, ainda nem sequer se sabe para onde vai a Força Aérea.
Naturalmente, isto envolve dois dos ministros mais incompetentes deste governo (Defesa e Transportes, que junto com o da Educação, Saúde, Ensino Superior. Ambiente e Administração Interna compõem o lote de piores ministros deste governo).
A TAP, onde o Estado recuperou 50% do capital sem que se perceba a razão estratégica e os contornos do negócio, tem cada vez mais atrasos e uma ponte aérea Lisboa-Porto que simplesmente é caótica nos horários.
Nos portos, não vemos qualquer avanço, sem que se perceba qual a visão estratégica para o conjunto dos portos nacionais e para o único porto de águas profundas (Sines).
Tudo isto ocorre não porque não haja recursos. Naturalmente, os recursos são escassos e haverá restrições. Mas o que existe é uma má alocação de recursos. Por uma razão simples. Nunca a nível politico se definiu para o médio e longo prazo uma visão estratégica para o setor dos transportes.
Joaquim Miranda Tavares, ECO
Não Somos Apenas O Que Pensamos Ser
domingo, 12 de agosto de 2018
Lisboa, Hoje, É O Destino
Hoje Lisboa é o destino da moda e o melhor destino do Mundo. Os ‘liners’ repletos de turistas sobem o Tejo com um perfil imperial. Os aviões são manchas negras no Sol. Entrar em Lisboa é regressar a parte de uma Europa remota e esquecida, um estranho aglomerado onde se cruza o Norte de África com o Médio Oriente, o Islão com a Cristandade, Roma com Cartago e a Grécia. Lisboa resulta num lugar exótico, um exotismo cosmopolita à maneira do Cairo antes da Primavera Árabe. É fácil imaginar Agatha Christie nas ruas de Lisboa como se fossem as ruas de Aleppo, na Síria, no início do século XX, e a escrever “Crime no Expresso do Oriente” no quarto 203 do Hotel Baron.Nas estatísticas, Lisboa recebe por ano entre 4,5 e 6 milhões de turistas, tem um ratio de 9 turistas por cada residente e exibe uma densidade de 300 turistas/km2.
A última vez que Lisboa conheceu um tão grande afluxo de gente foi em 1940, quando os judeus da Europa encontraram na cidade o último portão aberto do imenso campo de concentração do Continente. Estima-se que entre 1940 e 1941 cerca de 100.000 pessoas conseguiram chegar ao purgatório pacífico garantido pela neutralidade portuguesa na II Guerra Mundial. Nesses dias varridos da memória nacional, a Baixa repleta de gente era o centro cosmopolita da cidade, com os cafés cheios em que língua mais falada era o alemão e o eléctrico 28 subia para a zona da Estrela alimentado pela energia eléctrica do polaco que se falava a bordo. Encalhado no extremo da Europa, Saint-Exupéry referia-se a Lisboa como um “paraíso claro e triste” que “sorria com um sorriso um pouco pálido”. A Guerra acabou, tudo passou, nada ficou.
(Excertos do artigo de Carlos Marques Almeida, ECO)
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