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segunda-feira, 15 de abril de 2019

"Pássaro Azul"

(...)
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro
e tu?


Charles Bukowski

domingo, 14 de abril de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

*Paulo Rangel: “PSD pode vir a ganhar as eleições legislativas”



A Direita É Em Portugal Um Problema Poético ?

A direita é em Portugal um problema poético: um sujeito lírico que não sabe o que é; pede desculpa por aquilo que nunca foi e lastima o que não pode ser.

Helena Matos, OBSR

Mais para a direita. Não, um bocadinho para a esquerda. Agora para o centro… A direita em Portugal não é um espaço político, é uma prova de modista: ora sai uma alfinetada no reaccionarismo, ora tesourada no liberalismo. A primeira coisa a ter em conta quando se fala da direita é que a direita além de falar de si mesma, do que é, do que deveria ser, do que já foi… não deve falar de mais nada. Ou seja deve abster-se acerca da realidade. Inibir-se na apresentação doutras propostas. Enfim, autolimitar-se enquanto alternativa de poder. Afinal para isso já cá está a esquerda, não é?

O Fácil E O Difícil ...

Fácil é ver o que queremos enxergar ...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las ...

Carlos Drummond de Andrade 

sábado, 13 de abril de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

*China Three Gorges planeia reavaliar oferta pela EDP








Que Se Saiba, Até Agora Nenhum Presidente Tinha Esgatafunhado Uma Lei Para A Entregar A Um Primeiro-ministro

Marcelo é um presidente popular por excelentes razões, é lamentável que se transforme num presidente populista por péssimos motivos.

Ana Sá lopes, Ji

Estamos a viver um momento histórico em Portugal: nunca nenhum presidente da República esgatafunhou uma lei para a entregar a um primeiro-ministro – que se saiba. O acto de Marcelo Rebelo de Sousa, ao decidir escrever uma proposta sobre as incompatibilidades do Presidente para a depositar nas mãos de António Costa, foi anunciado publicamente pelo próprio. A vantagem de toda esta transparência marcelista esbarra numa desvantagem complicada: o chefe de Estado está a ultrapassar o limite da separação de poderes e está a fazê-lo em público.

Uma coisa, como este Presidente e outros anteriores já fizeram, é levar os poderes até ao limite. Marcelo trata disso sempre que pode. Agora, escrever uma proposta para que o Governo, caso entenda, a aprove já vai muito além daquilo que é politicamente aceitável e, tratando-se de um presidente constitucionalista, mostra uma visão da Constituição enevoada. (continuar a ler

A Crise ...

demais, de menos
muito gordo
muito magro
ou ninguém.
riso ou
lágrimas.
os que odeiam
os que amam.
(...)
as pessoas simplesmente não são boas
umas às outras
(...)
eu suponho que elas nunca serão.
eu não peço que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
(...)
certamente existe uma maneira que ainda não
cogitamos.
quem pôs esse cérebro dentro de mim?
ele chora
ele exige
ele diz que ainda há uma chance.
ele não dirá
“não.”
Charles Bukowski

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

*Trabalhar até aos 69 anos permitiria adiar défice da Segurança Social para lá de 2070, diz estudo da FFMS

Mário Centeno Confessou O Que A Maioria de Nós Já Sabia

Mário Centeno confessou-se ao Financial Times: afinal, a austeridade não acabou em Portugal. Entre o governo de Passos Coelho e o de António Costa, teria havido mudanças, mas não grandes mudanças. Bem, precisávamos da sinceridade ou do descuido de Centeno para descobrir isto? Não, bastava-nos olhar para as estatísticas: o esforço fiscal – um dos mais pesados da Europa, quando se tem em conta o nível de riqueza do país – não abrandou com Centeno, tal como não começou com Vítor Gaspar.
É que o governo de António Costa não nos enganou apenas sobre o fim da austeridade; enganou-nos também sobre o seu princípio, que não foi em Junho de 2011, quando o governo de Passos Coelho tomou posse, mas nos quatro PEC que José Sócrates apresentou a partir de Março de 2010 ou, se quiserem ir mais longe, na pressão fiscal que nunca parou de se agravar desde os anos 90, logo que o Estado deixou de poder contar com o crescimento da economia para se financiar.(continuar a ler)

Fico Com Medo ...

Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: Eis os limites de minha possibilidade.
Clarice Lispector