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sábado, 22 de junho de 2019

Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...


Mario Quintana 

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>Socialistas querem Pedro Silva Pereira como vice-presidente do Parlamento Europeu

>Índia envia dois navios de guerra para o Golfo de Omã

Sondagem Da Aximage PAN Sobe PSD Desce

Com 23,1% das intenções de voto, PSD continua em queda e está agora a uma distância de 12,5 pontos do PS (35,6%). Todos os partidos caem, menos o PAN (que sobe para 4,2%). O barómetro é da Aximage.

É o partido com maior queda. De acordo com a sondagem de junho da Aximage para o Jornal de Negócios e Correio da Manhã (publicadas nas edições impressas), o PSD regista uma queda de quatro pontos percentuais face ao mês de abril (antes das Europeias), aparecendo agora com apenas 23,1% das intenções de voto. A confirmar-se esta votação, o PSD de Rui Rio não ficaria, nas legislativas, longe do resultado desastroso que obteve nas Europeias de maio (22%), que foi já o pior resultado de sempre do PSD em eleições nacionais.


A queda, contudo, é generalizada a todos os partidos, embora de forma não tão acentuada. O PS de António Costa desce ligeiramente em junho para 35,6% dos votos, ficando ainda assim longe da maioria absoluta. A distância entre os dois maiores partidos, a avaliar pela sondagem da Aximage, é agora de 12,5 pontos percentuais.
Também o CDS cai de forma residual de um mês para o outro, aparecendo agora com 6,6% das intenções de voto, resultado idêntico aos 6,19% que obteve nas Europeias de maio. O Bloco de Esquerda e o PCP aparecem respetivamente com 9 e 7% das intenções de voto, e só o PAN aparece a crescer (está com 4,2%) nesta que é a primeira sondagem depois da mais recente ida às urnas onde o partido Pessoas-Animais-Natureza conseguiu eleger um eurodeputado.
A tendência de queda é idêntica quando está em causa a avaliação que os portugueses fazem dos líderes. De acordo com o Jornal de Negócios, Rui Rio passa de uma nota de 8,3 valores, em abril — numa escala de 0 a 20 –, para 6,2 valores em junho. Assunção Cristas também não é vista com melhores olhos, sendo agora a pior classificada, com 5,4 valores (em abril tinha uma classificação de 7,9).
Só António Costa aparece com uma nota positiva (10,3 valores), mas os líderes dos partidos de esquerda, embora ainda estejam na linha vermelha, aparecem a subir aos olhos dos portugueses: Jerónimo de Sousa sobe dois pontos e tem 9,2 valores, e Catarina Martins sobe um ponto para 9,9 valores. André Silva, do PAN, também está perto de ter uma nota positiva, com 9,3 valores.
A sondagem da Aximage foi realizada entre 13 e 19 de junho através de entrevista telefónica a uma amostra efetiva de 605 pessoas. A margem de erro é de 4%.
Fonte: OBSR

O Meu Mundo Não É Como O Dos Outros

"O meu mundo não é como o dos outros,
Quero demais, exijo demais,
Há em mim uma sede de infinito,
Uma angústia constante que nem eu mesma compreendo,
Pois estou longe de ser uma pessimista;
Sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada.
Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... Sei lá de quê!"


Florbela Espanca 

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>Algas vermelhas na praia de Carcavelos. Bandeira vermelha içada


Os Riscos Do SNS

O SNS tem de continuar a ser um dos grandes temas do debate dos próximos meses. O que está em causa já não é melhorá-lo. Se o país conseguir conservar o [até à pouco tempo] (...) actual nível de desempenho será um grande feito.

Manuelo Carvalho, Público

O debate sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde vai longo, deu lugar a diversas armas de arremesso politico e transformou-se num palco para troca de acusações entre o Governo e a oposição. Chegou a hora de o retirar da esfera dos naturais interesses dos partidos e de circunscrever os dogmas ideológicos que o situam num combate entre a esquerda e a direita. A realidade exposta esta quinta-feira pelo PÚBLICO obriga a encarar de frente realidade: o estado do SNS é um dos principais problemas do país por estes dias. E é também um dos mais difíceis de resolver. É um problema que o Governo carrega, mas é também um problema do Estado e de toda a sociedade.

Custa a acreditar no cenário que a gravíssima falta de anestesistas e obstetras vai criar a milhares de mulheres grávidas que habitam em Lisboa. A possibilidade de os serviços de urgência obstétrica encerrarem durante o Verão é inadmissível num país europeu governado por uma coligação informal de partidos que coloca a qualidade dos serviços públicos na primeira linha das suas prioridades. A antecipação da falta de cuidados, especialmente consultas de rotina, de tempos excessivos de espera, de mudanças forçadas de hospital onde as mulheres são atendidas bastam por si só para se exigirem explicações sobre como foi possível chegarmos até aqui. E, principalmente, sobre o que pode e vai ser feito para evitar que esta ameaça não alastre.(...)

A solução, como se escreveu, não se encontra num golpe de magia. O SNS tem de continuar a ser um dos grandes temas do debate dos próximos meses. O que está em causa já não é melhorá-lo. Se o país conseguir conservar o seu actual nível de desempenho será um grande feito.

(excertos do Editorial de hoje do Público)

Sim, Sou Eu, Eu Mesmo

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>Teixeira dos Santos na CPI da Caixa. Fez ou não parte do triunvirato para o “assalto ao BCP”?


>Trump recandidata-se com o mesmo discurso de 2016

>Lei de Bases da Saúde. PSD pode negociar formulação das PPP se PS aprovar outras propostas “fundamentais”

Os Portugueses De Facto Não Contam Para Grande Coisa

Portugal é ultrapassado por um país da União Europeia a cada ano que passa, somos agora o quarto a contar do fim e, como afirmou João Miguel Tavares na sua intervenção do Dia de Portugal, os portugueses gostariam de contar para alguma coisa.
De facto, não contam para muito, nem sequer para escolher os seus representantes no poder político, razão por que poucos votam e os poucos que votam não ganham nada com isso, apenas legitimam as escolhas das oligarquias partidárias. Também, como foi dito na mesma intervenção de João Miguel Tavares, aqueles que não fazem parte das famílias no poder, quase todos os portugueses, sofrem a exclusão do poder político e o critério do mérito existe apenas para os excecionais ou para os que vão para o estrangeiro e se libertam do poder manietador do Estado.
No seu discurso do 10 de Junho, o senhor Presidente Marcelo Rebelo de Sousa teve razão ao dizer que os portugueses, quando são bons, são muito bons. Todavia, também deveria ter dito que quando são maus, são mesmo muito maus, e daí os muitos falhanços e erros que referiu, faltando dizer que são esses maus a sua principal preocupação. São os que destruíram o nosso sistema financeiro e nem se recordam de o ter feito, são os que deixaram os portugueses arder sem qualquer defesa e são os que se aproveitam das vítimas para ganhar dinheiro. São os políticos, os autarcas e os videirinhos cujos nomes nos chegam diariamente pelos jornais, acusados de corrupção dos dinheiros do Estado.
Colocar a palavra corrupção entre as dez ou 20 questões que preocupam o chefe de Estado é melhor do que faz o Governo, para quem a corrupção não existe, mas é muito pouco para combater um flagelo que destrói a economia e corrói a democracia. É não ver que os portugueses pagam um nível obsceno de impostos e recebem um Estado que os deixa morrer nos fogos, na queda de estradas, de aeronaves, e nos corredores dos hospitais, quando não em contentores. É não ver a decadência dos transportes, os erros previstos para o sistema ferroviário, para o Metro de Lisboa, e o escândalo do SIRESP. No caso do Metro, o Governo esconde os próprios estudos que dizem justificar a chamada linha circular, como ignora o escândalo dos contratos por ajuste direto, como tem ignorado as propostas para reduzir o esbulho público das parcerias público-privadas criadas pela política demencial do Partido Socialista dirigido por José Sócrates, com a ajuda cooperante de António Costa.
Pessoalmente, gostaria de ver o Presidente da República a utilizar as suas qualidades de previsão do futuro para nos defender do futuro a que a geringonça nos conduz. Começando por dizer aos portugueses que o regime político está podre e que não vivemos numa verdadeira democracia, porque não escolhemos os nossos representantes, como acontece nos outros países europeus. Razão para a ausência de fiscalização dos governos pela Assembleia da República e pela promiscuidade dominante entre a política e os grandes e pequenos negócios.
Compreende-se que o Presidente da República defenda sobre todas as coisas a estabilidade política mas, vendo bem, para que serve uma estabilidade de cemitério, de mentira e de obscuridade que conduz os portugueses a só conhecerem a realidade nacional com a ressaca dos erros cometidos, isto é, com cinco ou dez anos de atraso.
Aproximam-se as eleições legislativas e os eleitores conhecem muito pouco, ou mesmo nada, acerca dos candidatos escolhidos pelas oligarquias partidárias. Não têm influência na sua escolha e nem podem recusar aqueles que, na presente legislatura, defraudaram o interesse público e as expetativas dos eleitores. Razão mais do que suficiente para ser esta uma preocupação fundamental do senhor Presidente da República, defendendo o texto da lei de reforma do sistema eleitoral que deve ser debatida no Parlamento por proposta da sociedade civil. Que haverá de mais importante que a qualidade da democracia?
Henrique Neto, Ji

A Propósito De Algumas Perdas ...