Nos indivíduos, a loucura é algo raro - mas nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas, é regra.
(Friedrich Nietzsche)
Para já, a força de 37% dos votos e, para já, de 106 deputados, permite ao PS desvalorizar o caso de namoro difícil com os seus potenciais parceiros. Pode dizer que é “agnóstico” e que “respeita” quer os acordos escritos, quer a sua inexistência. Não será bem assim. Sem papéis, o partido arrisca-se a perder os tais compromissos escritos que lhe forneciam direcção e previsibilidade. Vai ter muito mais trabalho a negociar à vista. A nova geringonça arrisca-se ser ainda mais geringonça. Por isso António Costa tentará até ao limite defender a estabilidade e o interesse nacional, que ontem associou à garantia de entendimentos. Uma geringonça mais escangalhada e imprevisível não lhe dá jeito nenhum.
Quem? O Partido Socialista, com certeza. Em certa medida, merece. Depois de tantas derrotas (Tancos, incêndios, Sócrates, declínio dos serviços públicos, corrupção, famílias no Estado, investimento insuficiente e endividamento crescente), é uma grande vitória os Socialistas terem resistido. Os eleitores não consideraram negativamente aquelas derrotas. Também é verdade que, depois de um êxito tão grande na estabilidade do governo, na paz social, na queda do desemprego e no aumento de rendimentos, é evidentemente uma derrota política não ter vencido com maioria absoluta.
No PS, não passa pela cabeça de ninguém que a disciplina fiscal que tornou o Governo uma estrela na Europa e nos mercados financeiros seja posta de lado; e a incerteza sobre o crescimento torna os cadernos de encargos dos partidos que estão dispostos a apoiar um novo governo demasiado pesados e arriscados no futuro próximo.