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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Enigma Português


Portugal aparece como um dos países mais infelizes da OCDE. Mais infelizes ainda, apenas a Turquia e a Grécia.
Porque serão os portugueses tão infelizes? Será resultado da perceção de um elevado nível de corrupção? Crescimento económico débil? Ausência de sentido de destino coletivo? Não há uma elite dedicada ao bem comum? Para além de políticas erradas inimigas do crescimento, haverá outros fatores mais profundos do foro psicossocial?

Os portugueses oscilam entre a glorificação e o desamor, entre o exaltamento e o escárnio de si mesmos e do seu país. Querem amar, mas não encontram permanente motivação para uma entrega que se prevê venha a ser recompensadora – material ou imaterialmente falando. Não há previsibilidade, nem estabilidade. Planeamento estratégico a todos os níveis é difícil ou impossível. O futuro, seja ele qual for, há-de aparecer, não se constrói.

Os portugueses não sabem apreciar o melhor que têm: eles mesmos. Sofrem de insouciance e de autoflagelação crónicos. Não sabem, não podem ou não querem resolver atempada e eficazmente as coisas, mesmo as importantes. Enredam-se a discutir coisas triviais durante meses. Desistem e partem perante o atavismo e a paralisia coletiva que resulta do conflito entre inúmeros interesses mesquinhos. (...)

O ensimesmamento português, na opinião de José Rui Teixeira (2020), simbolicamente, nimba a sua vocação atlântica de uma vertigem suicidária: um povo tão afetivamente apegado às suas raízes, às suas origens, projeta-se numa diáspora que ainda hoje reúne quase um terço dos portugueses.

Esta singularidade, segundo Teixeira, foi descrita por António José Saraiva (1917-1993) como um “novelo afetivo” que caracteriza a “personalidade portuguesa”, que implica, entre outras particularidades idiossincráticas, um sentimento de insularidade, o messianismo e a saudade, e que aparece “a observadores estrangeiros como desnorteante e paradoxal”.


A perplexidade estrangeira sobre Portugal persiste hoje mesmo, confirmando Saraiva: “É um puzzle, é um enigma, porque é que Portugal não está a crescer mais”, disse Sarah Carlson, vice-presidente de Moody’s e principal responsável pelo acompanhamento do rating de Portugal, há poucos dias (13 de fevereiro de 2020).
Enquanto não for resolvido o enigma, Portugal será infeliz.
(excertos do texto de Nuno Cintra Torres, JE )

O Que Me Dói Não É


O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.

Fernando Pessoa  

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


O Ímpeto Ideológico E Totalitarista Da Esquerda Assume, Neste Cenário Proporções Inaceitáveis

Vivemos tempos de resistência. E se há bem maior pelo qual a resistência vale a pena, é a Vida. Saibamos estar à altura destes tempos e assumir o nosso papel na construção de uma sociedade humanista.

A poucos dias do debate dos diversos projetos de lei sobre a Eutanásia, fica clara a imposição de um modelo de funcionamento da sociedade, fica evidente o caminho destruidor de valores e de premissas estruturantes para a vida em comunidade, torna-se inegável o fascínio de certa esquerda por um experimentalismo social. A esquerda legisla, por vezes com a conivência dos que se tentam passar por “partidos de centro” ou de “direita”, ao arrepio do comum bom senso, que numa matéria de vida ou morte exigiria maior cautela, exigiria maior ponderação, mas no mínimo exigiria que duas condições fossem cumpridas: que o Parlamento aguardasse pelos diversos pareceres solicitados sobre a matéria em questão, permitindo um alargado e completo debate sobre a despenalização da morte assistida e que aos cidadãos fosse permitida a possibilidade de se pronunciarem sobre esta questão, utilizando a figura do referendo como mecanismo de auscultação dos Portugueses.

Pelos vistos, estes pareceres são um “acessório” para todos aqueles que se julgam acima da lei, acima dos que julgam representar. Legislam, de forma desenfreada, isto depois de na última legislatura (há menos de dois anos), quatro projetos de lei sobre a mesma matéria terem sido rejeitados na Assembleia da República. Sob a égide de uma atitude calculista, observam e verificam a possibilidade da legislação obter o crivo da maioria parlamentar, depois de um período eleitoral marcadamente omisso sobre esta temática. Os ditos representantes julgam-se proprietários da livre vontade dos Portugueses e têm uma visão perniciosa do mandato parlamentar, após eleitos, consideram-se “donos da Democracia”, “iluminados” que sobre tudo decidem, sem questionar se os caminhos que trilham são contrários à vontade expressa da maioria ou violam princípios fundamentais da Constituição.

O ímpeto ideológico e totalitarista da esquerda assume, neste cenário (e com a honrosa exceção do PCP), proporções inaceitáveis, ignorando estudos sobre a aplicabilidade da mesma legislação em outros países, bem como premissas constitucionais fundacionais da nossa Democracia, como por exemplo, o artigo 24º que determina, de forma expressa, que “a vida humana é inviolável”, logo alvo da defesa intransigente do Estado.(continuara ler)

Viver É Isto


"Viver é isto, ficar o tempo todo se equilibrando entre escolhas e consequências."


(Jean-Paul Sartre)

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


Esta É A Frase (act.)

O “referendo à eutanásia” é para mim desajustado e equívoco, mas percebo que haja quem o queira, até para tentar contrariar uma provável maioria parlamentar. Se houver, lá estarei. Se houver assinaturas em quantidade suficiente, se houver pressão social (da Igreja, por exemplo), se houver debate e sobretudo tempo, faça-se!  (António Barreto, Público)

No debate sobre a eutanásia e o suicídio assistido, há elementos lamentáveis. As confusões deliberadas, feitas por políticos, activistas e jornalistas, entre suicídio assistido e eutanásia, assim como entre eutanásia activa e passiva, ou entre eutanásia voluntária e involuntária [ Esclarecimento é  não só necessário como imprescindível] são o resultado da ignorância ou da vontade de enganar. É igualmente deplorável que se trate o referendo como uma faculdade de mero oportunismo: quando convém, somos a favor do referendo; quando se receia o resultado, somos contra. É finalmente lastimável que haja quem utilize um tema como este para incomodar um partido ou obrigar a realinhamentos partidários. Mas paciência! A democracia é assim. A política também. Não vale a pena aspirar, nem sequer em temas como este, a uma discussão serena. (...)

Reconhecendo os perigos do referendo, é possível imaginar dispositivos que os diminuam. Exigir participação ou maiorias qualificadas, por exemplo. Estes mecanismos moderam os ânimos. Mas há um outro, essencial, o tempo. Entre a proposta de um referendo e a sua realização deveria decorrer um prazo de amadurecimento de vários anos, o que teria o condão de diminuir a demagogia, de arrefecer os entusiasmos e de obrigar a ponderar os argumentos. Tempo é reflexão.(ler texto completo)

Homenagem Às Mulheres

Elas sorriem quando querem gritar. 
Elas cantam quando querem chorar. 
Elas choram quando estão felizes. 
E riem quando estão nervosas.

Pablo Neruda 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde

Os Lisboetas Não Podem Entrar na ZONA , Então A ZONA É A Ilha Da Fantasia

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Novos velhos espaços são Zonas Livres de Lisboetas, Zonas que figuram nas páginas do imobiliário do “Financial Times” e “The Economist”, oferecendo Vistos Gold e apartamentos a um milhão de euros. Perfeito, é o progresso, é o segredo mais bem guardado da Europa, é o Sol e a segurança que não existe no Norte de África depois da Primavera Árabe e que desvia o Turismo para este porto azul na curva do Atlântico. Os Lisboetas perderam-se na névoa da Cidade, perderam-se na sirene dos navios, passam pela Baixa como estrangeiros, passam pela Baixa como ilhas humanas desprendidas do Rio – os Lisboetas são um barco supérfluo à superfície de tudo.

Carlos Marques de Almeida, ECO

Se os Lisboetas não podem entrar na Zona, então a Zona é a Ilha da Fantasia em que aportam os grandes Navios de Cruzeiro – um único Navio de Cruzeiro é o equivalente ambiental à circulação de 20 mil automóveis. Se os Lisboetas têm horários de empregados nocturnos, então a Zona é um Recinto de Recreio dos hóspedes dos Hotéis que deambulam a futilidade trágica da afluência concretizada em selfies exóticas tiradas num País tristonho que disfarça as olheiras mal dormidas de uma prostituta que não existe à luz do dia. O Presidente da Câmara deveria ter a imaginação dos corvos imponentes no símbolo da Cidade.