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domingo, 22 de março de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde

Um Estudo Da CIA Antecipava

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Um estudo antecipava da CIA “o aparecimento de uma nova doença respiratória humana virulenta, extremamente contagiosa, para a qual não existe tratamento adequado". E fala especificamente no coronavírus.

O relatório foi escrito em setembro de 2005, mas podia ter sido feito hoje. Tal maneira são premonitórias as previsões que lá constavam. O documento, mantido secreto até o jornalista francês Alexandre Adler o revelar num livro  (O Relatório da CIA: Como Será o Mundo em 2020, Editora Bizâncio, na edição portuguesa), antevia “um possível desenvolvimento de uma pandemia mundial”. Escrito por 25 especialistas de política internacional do National Intelligence Council para a CIA, o relatório traça uma análise das grandes tendências do mundo no futuro. Uma reflexão sobre as forças dominantes e os perigos que rodeavam  mundo, que inclui indicações que deveriam guiar a política dos Estados Unidos da América nas décadas seguintes.
Nele antecipava-se “o aparecimento de uma nova doença respiratória humana virulenta, extremamente contagiosa, para a qual não existe tratamento adequado, poderá desencadear uma pandemia mundial.” Um cenário que conseguimos reconhecer. “O aparecimento de uma pandemia depende da mutação genética natural, da recombinação de estirpes virais já em circulação ou aind ana irrupção de um novo fator patogénico na populaça humana. As estirpes altamente patogénicas da gripe das aves, como o H5N1, são candidatos prováveis a este tipo de transformação, mas outros agentes patogénicos, como o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave e diversas estirpes da gripe possuirão as mesmas propriedades”.
As consequências imediatas são também familiares. “Se se declarar uma zona pandémica, será sem dúvida numa zona de forte densidade populacional, de grande proximidade entre seres humanos e animais, como acontece na China e no Sudeste Asiático”. Mais adiante pode ler-se: “A doença tardaria a ser identificada se o país de origem não dispusesse de meios adequados para a detetar. Seriam necessárias semanas para os laboratórios fornecerem resultados definitivos confirmando a existência de uma doença suscetível de se transformar em pandemia.”
O cenário de contágio global já estava previsto. “Apesar de se restrições às deslocações internacionais, viajantes com poucos ou nenhuns sintomas poderiam transportar o vírus para outros continentes. Os doentes seriam cada vez mais numerosos, aparecendo novos os casos todos os meses”.
A ausência de eficácia da vacina ou a imunização exporia as populações ao contágio. As previsões são astronómicas: centenas de milhões de mortos.
O resultado, para estes especialistas, é evidente: tensões e conflitos. 
Fonte: Visão

Noite Perdida ...

Noite perdida,
não te lamento:
embarco a vida

no pensamento,
busco a alvorada
do sonho isento,

puro e sem nada,
- rosa encarnada,
intacta, ao vento.

Noite perdida,
noite encontrada,
morta, vivida,

e ressuscitada...
(Asa da lua
quase parada,

mostra-me a sua
sombra escondida,
que continua

a minha vida
num chão profundo!
- raiz prendida

a um outro mundo.)
Rosa encarnada
do sonho isento,

muda alvorada
que o pensamento
deixa confiada

ao tempo lento...
Minha partida,
minha chegada,

é tudo vento...

Ai da alvorada!
Noite perdida,
noite encontrada...

(Cecília Meireles)

sábado, 21 de março de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


CORONAVÍRUS O mapa e todas as estatísticas da evolução do coronavírus em Portugal


O Governo criou um site para acompanhar o covid-19, que inclui uma plataforma onde estão agregados todos os dados oficiais sobre a propagação do coronavírus em Portugal. 

Que Efeitos Tem Esta Chuva Sobre o Coronavírus?

Os vírus não se dão bem com chuva, com humidade alta e com calor. Tudo indica que o novo coronavírus vá sair da Europa e deslocar-se para o Hemisfério Sul.

Um dos enigmas do novo coronavírus é se vai abrandar com a chegada do calor. Muitos pensam que sim, associando o seu comportamento ao das gripes - mas a doutrina diverge. E quanto à chuva, que por exemplo está a cair agora em Portugal? Já lá vamos. Primeiro o calor.

Marc Lipsitch, epidemiologista em Harvard, citado pela New York Magazine, diz que tal pode ser aceitável para um vírus antigo, mas para um novo não, porque quase ninguém lhe tem imunidade. "Em termos simples, vírus que circulam há muito tempo, podem espalhar-se pela população apenas quando as condições são mais favoráveis, neste caso no inverno. A sazonalidade não abranda novos vírus como acontece com os velhos." Dá o exemplo do H1N1 (2009), que começou numa primavera, retrocedeu no verão e depois acelerou no outono.
Posição diferente tem o Prémio Pessoa 2018. Miguel Bastos Araújo, geógrafo, divulgou um estudo com o investigador iraniano Babak Naimi (da Universidade de Helsínquia, Finlândia), que fazia um levantamento das áreas de infeção e concluía que o novo coronavírus dá-se melhor em áreas secas (precipitação baixa) e com temperatura fresca (6 a 9 graus).
À Lusa, o responsável pela Cátedra na área da Biodiversidade na Universidade de Évora diz que "no caso de Portugal, o que se prevê é que, agora, em março e abril, o vírus continue em expansão, mas espera-se que a partir de maio ou junho decaia abruptamente." Em contrapartida, pode deslocar-se para o Hemisfério Sul em força. Diz o investigador que o Covid-19, tal como o seu irmão SARS, "não será insensível às condições de temperatura e humidade". (saiba mais aqui)

Vocação É Diferente De Talento

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Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir.
(Clarice Lispector)

sexta-feira, 20 de março de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde

Os Dados Promissores Da Cloroquina


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Cientistas e laboratórios estão a testar drogas contra outras doenças virais. A cloroquina, utilizada na malária, é uma das candidatas que até já tem dados promissores. Se houver resultados positivos nos ensaios clínicos, poderemos estar a poucos meses de ter uma primeira arma eficaz contra o covid-19

Cientistas e laboratórios estão numa corrida contra o tempo, em busca de soluções para combater o covid-19, que ainda não tem qualquer tratamento ou vacina disponíveis.

Enquanto esta última não chega - as previsões mais otimistas apontam para 12 a 18 meses para se lá chegar - as maiores esperanças concentram-se em drogas que já são usadas na prática clínica contra outras doenças, como o VIH/sida, ou a malária. Em relação a esta última, há mesmo dados promissores de um estudo realizado em França, em que um pequeno grupo de 20 doentes tratados com cloroquina, ficaram sem carga viral ao fim de poucos dias.

Procurar entre as drogas já usadas poderá mesmo ser o caminho mais rápido e direto para se obter uma primeira arma eficaz contra o novo coronavírus, porque as moléculas utilizadas na prática clínica já passaram pelos testes de segurança para uso humano, que são sempre muito morosos.

Aprovada para o tratamento da gripe, a molécula favipiravir interfere com a capacidade de o novo coronavírus se replicar no interior das células, impedindo assim a progressão da infeção.

Ainda vai ser preciso esperar algum tempo para perceber que papel poderá ter que o favipiravir no contexto desta pandemia.

Outra possibilidade que está também já em estudo é a utilização da cloroquina, uma velha conhecida dos especialistas em medicina tropical para o tratamento da malária.

Segundo o médico, citado na revista francesa Science et Avenir, três quartos dos doentes tratados com cloroquina não apresentavam rasto do vírus seis dias depois, ao passo que 90% dos que não receberam o tratamento continuam mantinham a presença do vírus no organismo no mesmo período.
A investigadora em malária Joana Tavares, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S) da Universidade do Porto, considera que, apesar do" número reduzido" de doentes envolvidos no estudo, os dados são importantes, face ao momento que se vive no mundo.

Olhando os resultados, a investigadora assinala que numa parte dos doentes, que além da cloroquina receberam também um medicamento chamado azitromicina (que é normalmente administrada para prevenir infeções severas do trato respiratório em pacientes com infeções virais), "a eficácia do tratamento na eliminação do vírus foi de 100%".

Face a estes resultados considerados espetaculares, as autoridades francesas vão agora alargar a outros hospitais e a mais doentes a administração de cloroquina, sempre em contexto de ensaios clínicos, para que os dados obtidos possam fornecer conclusões robustas.
Fonte: DN

A Covid-19 Vai Quebrar A Economia, Mas Não Havia Outra Escolha

No meio de uma pandemia a nível global, digna de um episódio da distópica série televisiva “Black Mirror”, foi bastante estranho ouvir alguém dizer “a economia não pode morrer”. As palavras proferidas pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, no dia em que foi decretado o estado de emergência fazem, no entanto, muito sentido. Não sei […]
O efeito secundário de nos protegermos contra a Covid-19 vai ser de quebrar a economia, num caso de emergência. Não havia escolha, mas não nos desenganemos, vai mesmo partir. A economia. As leituras dos políticos, dos economistas, dos mercados, enfim, de todos, parecem-me demasiado otimistas. É natural, têm de evitar o pânico, porque só piora as coisas.
O remédio da sociedade contra o vírus é duro e vai produzir efeitos secundários fortes: no crescimento, nas pessoas, no desemprego, na pobreza, nas contas públicas.
Há que tomar remédios contra os efeitos desses remédios. É isso que os governos e os bancos centrais estão a tentar fazer e é disso que Centeno falava quando disse que não podemos deixar a economia morrer.
O problema é que essa segunda dose de medicação também vai ter efeitos, lá mais para a frente. O dinheiro barato do Banco Central Europeu vai sair caro, os apoios às pessoas e empresas vão ter de ser pagos, tal como os créditos que vão ser adiados.
Mas não há nada a fazer, é mesmo esse o único caminho. Esse e o de esperar, com serenidade e lucidez, que o vírus se vá embora tão rapidamente como chegou, e que o médico nos diga que podemos parar com esta maldita medicação. (excertos do texto de Shrikesh Laxmidas, JE)