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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Um Conselho Que Lhe Poderá Servir Para A Sua Filosofia

Aqui tem você um conselho que lhe poderá servir para a sua filosofia: não force nunca; 
seja paciente pescador neste rio do existir. Não force a arte, não force a vida, 
nem o amor, nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre 
e lança no solo as sementes fecundas. Que não haja em si, no anseio de viver, 
nenhum gesto que lhe perturbe a vida.

Agostinho da Silva 

domingo, 16 de agosto de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


Covid-19: Situação Hoje Domingo


  • 54.102 casos confirmados (+121 face ao dia anterior) 
  • 1.778 vítimas mortais do novo (+ 3 vítimas mortais nas últimas 24 horas)
  • 325 internados 
  • 39 estão em (UCI) 
  • 39.697 casos recuperados (+ 112 do que os registados no dia de ontem)
  • 468.937 casos suspeitos 
  • 1.226 pessoas ainda aguardam os resultados das análises laboratoriais 
  • 413.609 casos não confirmados após as análises
  • 35.742 encontram-se sob vigilância das autoridades de saúde.

 Atualmente existem: 19.473 casos registados no Norte, 4.585 no Centro, 27.931 em Lisboa e Vale do Tejo, 975 no Algarve, 185 casos na Região Autónoma dos Açores, 130 na Região Autónoma da Madeira e 823 casos no Alentejo.  
O total das 1.778 mortes: 840 foram no Norte, 253 no Centro, 631 em Lisboa e Vale do Tejo, 17 no Algarve, 15 nos Açores, 22 no Alentejo, não se registando nenhuma na Madeira.
Lisboa é o concelho com mais casos confirmados, totalizando 4.691, seguindo-lhe Sintra com 3.906, Loures com 2.413, Amadora conta com 2.299 e Vila Nova de Gaia com 1.839. Porto com 1.492, Odivelas com 1.613, Matosinhos com 1.332, Cascais com 1.478 e Braga com 1.280.
Gondomar tem atualmente 1.111 casos, enquanto Oeiras conta com 1.157, Vila Franca de Xira soma 1.098, Maia tem 974, Seixal conta com 879, Valongo conta com 793 e Almada contabiliza 869. Guimarães soma 754, Ovar conta com 707, Coimbra com 635 e Santa Maria da Feira regista 625 casos confirmados.

Bruxelas recomenda quarentenas e testes em vez de encerramento de fronteiras

Presidenciais? Quais Presidenciais?

Em Portugal, há muita gente interessada nas presidenciais norte-americanas. (...) É bom querermos saber o que acontece no mundo e termos posição sobre o que se passa noutros países, mas também seria bom se as preocupações sobre as presidenciais se estendessem igualmente a Portugal, onde as mesmas irão decorrer dentro de poucos meses.

Marcelo Rebelo de Sousa continua a manter o tabu sobre a sua recandidatura, mas a coisa arrisca-se a ser a piada mais gasta de todas pelo caminho que as coisas levam. A decisão de não falar do assunto não é um segredo bem guardado: é uma atitude calculada para evitar que o debate se centre já, nestes próximos meses, no que tem sido a presidência de Marcelo, no que tem feito como Presidente, para além dos afectos.

O tabu, que não é inédito, teve em Cavaco um expoente, e é uma arma cínica usada em demasia na política portuguesa. E o tabu tem geralmente como função querer controlar o calendário de debate, para que seja o mais curto possível. Marcelo Rebelo de Sousa, que tem uma vantagem esmagadora nos estudos de opinião, não está interessado em que apareçam mais pessoas a apontar que o rei vai nu, mostrando o que correu menos bem. E, se olharmos com detalhe, muitas coisas correram mal - desde as suas primeiras reacções à tragédia de Pedrógão até às hesitações na abordagem à pandemia e aos efeitos de um desconfinamento mal executado, passando pelo permanente jogo de cumplicidades com António Costa.

Se ninguém quer um foco de desestabilização em Belém, também depois deste mandato há quem pense que ficamos vacinados para um permanente baile de máscaras com São Bento num jogo de ilusões e seduções. Vamos passar anos terríveis para conseguir sair com o mínimo de dores da situação caótica - económica, social e psicológica - criada pela pandemia. O que precisamos é de alguém que ajude a encontrar um caminho, que o torne desígnio nacional, que vigie a sua execução. O objectivo não pode ser remendar, tem de ser o de criar as bases para desenvolver. Vamos querer que Belém continue a ser um cenário de "selfies" ou que se torne num posto de vigilância com autoridade?

Manuel Falcão, J Negócios

Guardei-me Para Ti

Guardei-me
para ti como um segredo
Que eu mesma não desvendei:
Há notas nesta guitarra que não toquei,
Há praias na minha ilha que nem andei.

É preciso que me tomes, além do riso e do olhar,
Naquilo que não conheço e adivinhei;
É preciso que me ensines a canção do que serei
E me cries com teu gesto
Que nem sonhei.

(Lya Luft)

sábado, 15 de agosto de 2020

Notícias Ao Fim Do Dia


Covid-19: Situação Hoje Sábado


  • 53.981 casos confirmados (+198 pessoas infetadas nas últimas 24 horas)
  • 1.775 vítimas mortais (+ três mortes do que ontem)
  • 1.263 pessoas que aguardam o resultado laboratorial   
  • 39.585 recuperadas (+ 209 do que no dia anterior).
  • 320 doentes internados
  • 37 encontram-se em unidades de cuidados intensivos (UCI).

Na conferência de imprensa desta sexta-feira, a ministra da Saúde referiu que Portugal está, neste momento, numa situação “controlada” e de “estabilidade” da doença. Questionada sobre se o Governo poderá seguir o exemplo de Espanha e proibir a população de fumar na rua se a distância de segurança (2 metros) não for respeitada, Marta Temido adiantou que a hipótese, por enquanto não está em cima da mesa. “Neste momento, não estamos a pensar adotar uma medida semelhante”, disse aos jornalistas.

O Impacto Da Covid-19 No SNS

Nos últimos meses, os profissionais de saúde – em tempos heróis com honras de palmas às janelas – transformaram-se no depósito da frustração de utentes desesperados pelas falhas no acesso a cuidados de saúde. Passaram de bestiais a bestas. Precisamos de perceber o motivo desta viragem: um SNS já de si deficiente, que ficou Covid-19 dependente.

Ao contemplar diariamente as filas à porta dos serviços, o barulho incessante dos telefones, a azáfama de registos redundantes e de tarefas obtusas e a redução do horário de algumas unidades de saúde por falta de profissionais, é fácil perceber que algo vai mal. 

João Júlio Cerqueira e Nuno Silva , OBSR

A questão de fundo mais relevante que podemos colocar, neste momento, é “o que vai acontecer no outono e no inverno?”

Suspenderemos os rastreios, os doentes crónicos continuarão com um seguimento abaixo do padrão habitual e os centros de saúde e os hospitais permanecerão abertos? Os soldados da linha da frente nesta guerra biológica vão ficar nas trincheiras, enquanto a população morre de doenças extra Covid-19, seja pela ausência de resposta ou pelo medo da procura?

Temos de aceitar que, pelo menos até haver vacina, vamos continuar a conviver com o vírus. Logo, o que faz sentido é ter serviços de saúde capazes de dar resposta aos doentes e de divergir de uma rota Covid-19 dependente, com profissionais agrilhoados pelos números diários que de nada servem porque em nada resultam. Substituindo a propaganda pela estratégia, é possível usar “os números da pandemia” na definição de níveis de risco inteligíveis para as diferentes áreas do país, com limitações proporcionais à realidade objetivada. De outro modo, arriscamo-nos (caso já não esteja a acontecer) a que as pessoa não morram com Covid-19, mas somente por causa da Covid-19 sem nunca terem tido Covid-19.
João Júlio Cerqueira e Nuno Silva (texto completo aqui)

Sonho, Vigília, Noite, Madrugada ?

Sonho, vigília, noite, madrugada?
Um a um, desfolhei os sete véus,
e adormecido o corpo, a alma acordada,
um a um, escalei os sete céus.

Sem limites de tempo nem espaço,
quanto tempo durou minha viagem?
Andei mundos sem dor e sem cansaço,
ficou, em meu lugar, a minha imagem.

Agora, de regresso, cumpro a pena.
Tudo esqueci dessa abismal distância
mas algo é diferente: volto à arena
com uma nova inocência, um gosto a infância.

Serena, com uma paz desconhecida,
aceito, sem revolta, a humana sorte:
viver, da Vida, esta pequena vida,
morrer, da Morte, esta pequena morte.

(Fernanda de Castro)