"O planeta está enfermo. Por que há um medo que se espalhou no mundo, o medo físico, o medo universal. Este medo faz com que as pessoas fiquem mais complicadas, embrulhadas."
A julgar pelo Estado da Nação, todos os Conselhos de Ministros são informais. A informalidade é a imagem de marca do Governo. A formalidade implica uma responsabilidade que o Executivo não quer e não conhece.
É a democracia em modelo venezuelano com um relatório redigido por um comissário político.A realidade é um detalhe que só interessa aos facciosos e às mentes mesquinhas.
O Conselho de Ministros informal só tem como propósito relançar a acção governativa de um Governo que já não existe. A opção política pela desistência é a consciência da incapacidade política de um programa ideológico desfasado do tempo e da realidade do País. O brainstorming governativo em registo familiar observa as linhas do horizonte, inventa as grandes tendências do futuro, consulta a alma nacional e dispara “intenções” nos ouvidos da Nação.
O Governo não parece um Governo Constitucional baseado na soberania da Nação. Um Executivo que detesta “reformas”, odeia “remodelações”, evita “responsabilidades”, não é um Governo progressista que tem de agir e transformar para desenvolver Portugal.
O Estado da Nação não é feliz e não se recomenda. Quando os portugueses vivem em garagens, quando matilhas de cães abandonados regridem ao estado primitivo e ameaçam algumas cidades de Portugal, quando o SNS parece um semáforo entre o vermelho e o verde que complica a geografia da saúde, quando os estudantes devem cerca de 60 milhões de euros em propinas atrasadas às Universidades, o Governo realiza Conselhos de Ministros informais a pensar num futuro hipnótico que exclui a realidade do País. Portugal está transformado num “arraial triste”.
(excertos do texto de Carlos Marques de Almeida, hoje no ECO)
Plantas silvestres nativas beneficiam vinha, mas oferta de sementes ainda é pobre. Em Portugal, o espaço urbano é muito idêntico, com “plantas muito semelhantes e a relva muito aparada”. “Isso não traz biodiversidade, da qual resulta a atracção de borboletas, joaninhas ou abelhas. O embelezamento dos parques não é necessariamente mau, mas é necessário deixar que as plantas cresçam e produzam sementes para as gerações seguintes”
Também a recuperação das áreas ardidas pelos incêndios é outra dimensão que pode ser favorecida pela reconstrução da flora autóctone. Os critérios das faixas de gestão de combustível por desmatação, explanados no Decreto-Lei n.º 82/2021 com vista à prevenção do impacto dos fogos rurais, terá causado, lembrou João Gomes, um forte impacto negativo sobre a biodiversidade. Aqui, a resposta do projecto do CBMA aponta para a possibilidade de “recuperar a biodiversidade com plantas nativas” na renaturalização das áreas de incêndio.
Sobre a erosão da biodiversidade em Portugal o investigador salvaguarda ainda que o abandono de práticas como a agricultura tradicional e consequente pastorícia de montanha, ou das queimas controladas também resultaram em “desertificação e perda de biodiversidade”. “A Suíça, por exemplo, já está numa fase de estética. Os agricultores são obrigados a deixar 8% do seu terreno agrícola para plantas autóctones, algo que Portugal poderia implementar”, refere.
Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum.
Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam.
Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.
Mas, a quê e a quem? Qual é o domínio onde se realizaram valores supremos susceptíveis de unir a Europa? As conquistas técnicas? O mercado? A política com o ideal de democracia, com o princípio da tolerância? Mas, essa tolerância, que já não protege nenhuma criação rica nem nenhum pensamento forte, não se tornará oca e inútil? Ou então, será que podemos entender a demissão da cultura como uma espécie de libertação à qual nos devemos abandonar com euforia? Não sei.
A única coisa que julgo saber é que a cultura já cedeu o seu lugar.
Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado.
Licença para matar - Ficámos a saber que é aceitável que o Governo, desde que tenha a maioria, interfira nas empresas, nomeie e demita, substitua e exonere, indemnize e recompense quem entender, quando e como quiser. (António Barreto, Público)
Revelando excepcionais qualidades criativas, a Assembleia da República vai criando a figura do Governo Extraparlamentar, epíteto até agora reservado aos grupos marginais e aos movimentos sociais, mas a partir de agora prescrito para o Governo da República que, com enorme facilidade, se esquiva aos controlos, ao inquérito e à fiscalização parlamentar. Tudo isto acontece, como sempre sucede em regimes autoritários, com a cumplicidade do próprio Parlamento. A recordar as vítimas que concordam com os seus carrascos.
Chega ao fim uma das mais infames operações que a democracia portuguesa proporcionou. Ou patrocinou. A Comissão Parlamentar de Inquérito foi autora de gesto inédito ao transformar em herói o autor do mais flagrante abuso de poder que se conhece na história recente. O ministro que decidiu, individualmente, onde ficaria o futuro aeroporto de Lisboa, foi condenado e censurado, demitiu-se, foi perdoado e readmitido, para voltar a ser demitido por se ter envolvido em nova aventura inconsequente.