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terça-feira, 21 de novembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

 
A democracia em Portugal é uma estátua cega ao abandono. O governo em digestão das não evidências. O Presidente surpreendido pelo seu “adiantamento mental” que não antecipou o impossível. O Parlamento com um Presidente activista e moralista que se comporta como membro de uma facção. Milhares de alterações a um orçamento para governarem o vazio entre eleições. E uma discussão infindável sobre cenários, protagonistas, eleições, demissões, vitórias e derrotas, estabilidade, instabilidade. A instabilidade da situação política vê-se bem na estabilidade das ficções políticas que ignoram o País real e a situação dos portugueses. Mas Portugal alguma vez contou para os cálculos políticos?         (Carlos Marques de Almeida, ECO)

A Frase (241)

   Nunca houve “pós socratismo” no PS pela razão simples de que a influência de José Sócrates permaneceu sempre viva no seio da família socialista, como se viu pelos seus fiéis que foram alçados, em funções relevantes, nos governos de António Costa, desde João Galamba, a Vieira da Silva, a Augusto Santos Silva ou ao próprio Pedro Nuno Santos, além de tantos outros, sem esquecer Pedro Silva Pereira no Parlamento Europeu.         (Dias de Abreu, OBSR)

A partir do poiso na Ericeira, Sócrates nunca esteve parado, “adubando” as relações com a corte antiga, e, de um modo mais visível, com as principais redacções, que nunca lhe regatearam espaço para publicar as suas diatribes contra o Ministério Público, que o investigou, ou contra aqueles juízes que não se encolheram, nem se dispuseram desvalorizar as suas façanhas.

As Rugas São ...


"As rugas são os caminhos por onde a experiência que chega encontra as ilusões que se vão.

(Jules Petit-Senn)

Já agora, saiba que:
   “As rugas. São o resultado da constante movimentação de nossa face, esta mímica que, tanto quanto a razão e a emoção (e expressão destas), nos faz humanos. As rugas horizontais: a testa franzida de espanto, de estranheza. As rugas verticais: a testa vincada pela contrariedade, pela raiva, pelo desgosto.” 
                               
(Moacyr Scliar, do livro A Face Oculta)

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (240)

Portugal vive uma encruzilhada política. A desconfiança e o descontentamento alastram. O sistema partidário polariza-se. O desenvolvimento está ameaçado. Mas o País resistirá e persistirá como sempre.  (Nuno Medeiros Carrapatoso, OBSR)

 O resultado destes 8 anos de governação socialista poderá ser a consagração do Chega como terceiro partido mais votado, com uma expressão inquietante, considerando a sua imaturidade, o tom do seu discurso e a radicalidade e incongruência de algumas das políticas que defende.

Mas a oposição ao Chega não se faz diabolizando esse partido, muito menos os seus eleitores. Faz-se resolvendo os problemas e os temas que preocupam os seus eleitores, como a imigração e a corrupção. Faz-se através de uma regeneração da democracia, em particular dos partidos centrais, a quem cabe apresentar programas mobilizadores, deixar entrar sangue novo e assegurar a ética dos candidatos que apresentam.

Perante esta realidade, o Partido Socialista, ferido e destrunfado, prepara-se para eleger um líder ainda mais polarizante, crente nos benefícios de uma nova geringonça. Seguindo a linhagem para a qual contribuiu, Pedro Nuno, continuará a romper com a história de moderação do Partido Socialista, ilustrada pelo combate de Mário Soares aos comunistas, preparando-se para radicalizar o partido, movendo-o para a esquerda, se necessário aliando-se ao BE e ao PCP. (...)

O Riso É O Melhor Indicador Da Alma

  
Se quiserdes compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma não presteis atenção à sua maneira de se calar, ou de falar, ou de chorar, ou de se emocionar com as ideias mais nobres, olhai antes para ela quando se ri. Ri-se bem - é boa pessoa.

Observai depois todos os matizes: por exemplo, é preciso que o riso não pareça estúpido, por mais alegre e ingénuo que seja. Mal detecteis a mais pequena nota de estupidez num riso, ficai sabendo que a pessoa que assim ri é intelectualmente limitada, apesar de deitar cá para fora um sem-fim de ideias. Mesmo que o riso não seja estúpido, se vos parecer ridículo, nem que seja um pouquinho, ficai sabendo que não há na pessoa que o ri uma verdadeira dignidade, pelo menos uma dignidade suficiente. Por último, notai que, mesmo que um riso seja contagioso mas por qualquer razão vos pareça vulgar, também a natureza dessa pessoa é vulgar, que toda a nobreza e espírito sublime que tínheis visto nela ou são fingidos ou imitados inconscientemente, e que essa pessoa, no futuro, mudará inevitavelmente para pior, dedicar-se-á ao «útil», abandonando sem pena as ideias nobres como sendo erros e paixões da juventude.

(...) Apenas entendo que o riso é a mais certeira prova da alma. Olhai para uma criança: só as crianças sabem rir com perfeição, por isso são fascinantes. É abominável a criança que chora, mas a que ri alegremente é um raio do paraíso, é o futuro do homem quando ele, finalmente, se tornar tão puro e ingénuo como uma criança.

(Fiodor Dostoievski, 'O Adolescente')




domingo, 19 de novembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Política Económica Do PS

Considerações judiciais à parte, a tragédia (ou comédia) governativa a que temos vindo a assistir parece-me ser apenas a consequência última do estilo de política económica messiânica e dirigista preconizado pela maioria socialista (e, admitamos, entranhado na essência do nosso pensamento governativo já desde os bafientos tempos salazaristas, para não ir a séculos mais distantes.   (Pedro Alexandre Jorge, ECO)

Por muito boas que sejam as intenções de toda a comitiva socialista, está na hora de percebermos que o tipo de política económica por si preconizada, conjugada com o fraco enquadramento institucional português, leva inevitavelmente ao compadrio, aos negócios obscuros e à necessidade destes “empurrõezinhos” típicos do dirigismo burocrático estatal. Leva também, como se vai suspeitando, a que “os piores cheguem ao topo”, como bem alertou Hayek há 80 anos.

Uma taxa de imposto transversalmente mais baixa, livre desta e daquela exceção, deste e daquele “memorando de entendimento”, seria não só mais adequada às nossas permeáveis instituições, como também, ao contrário do que afirmam os socialistas, muito mais justa.

A Frase (239)

Nos anos a vir e nos seguintes, assim como na história futura, esta semana, estes tempos e os próximos ficarão para sempre. Inesquecíveis. De triste recordação. E de inquietação crescente. Entraram em crise elementos básicos da confiança e da esperança. A certeza das instituições, a serenidade das elites e a segurança da justiça falharam. Ou não deram garantias. O Estado de Direito foi posto explicitamente em crise. (António Barreto, Público)

O que é para uso do partido não tem o mesmo tratamento: a “ética republicana” e a legitimidade política garantem que é justa a distribuição de despojos e razoável o benefício partidário. Quer isto dizer que, para muitos, as eleições democráticas conferem uma legitimidade a toda a prova, que se sobrepõe a outros critérios morais ou legais. Por outras palavras, quem está no poder, usa-o.

É este sentido de legitimidade que explica, em parte, o facto de tantas pessoas inteligentes, sabedoras, por vezes competentes, eventualmente cultas e experientes terem comportamentos condenáveis sem recear a lei ou a opinião. É o pior de tudo: o sentido da impunidade. A certeza de que o voto dá direitos e de que a democracia oferece vantagens pessoais e partidárias. O “quero, posso e mando” do soba ou do ditador não é pior do que o “quero, posso e mando” do democrata eleito…