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quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

"Dorme Ruazinha"


 Dorme, ruazinha... É tudo escuro...
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos...

Dorme... Não há ladrões, eu te asseguro...
Nem guardas para acaso persegui-los...
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos...

O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão...
Dorme, ruazinha... Não há nada...

Só os meus passos... Mas tão leves são
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração...

(Mario Quintana)

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (266)

Um PS novo ou um novo PS? Nada parece lógico nestes tempos de incerteza. O PS é um oceano de taticismo e um iceberg de esquerdistas. O PS é um iceberg centrista e um oceano de oportunistas. O que parece estranho é que não se percebe que PS é este que um dia foi o pêndulo do regime e hoje habita uma zona flutuante sem identidade.   (Carlos Marques de Almeida, ECO)

O novo PS ou o PS novo é uma versão “frankenstein” entre o fanatismo à esquerda e o oportunismo ao centro para se tornar uma espécie de “partido institucional revolucionário”. Dominante e dominador, o PS pretende colar-se à sociedade e impor as hierarquias, porque só o PS se pensa democrático e só o PS garante a democracia.      

É do domínio político comum que é “mais fácil negociar com um oportunista do que negociar com um fanático”. O PS está hoje nessa zona de ninguém em que pretende ser fanático e oportunista ao mesmo tempo sem vender a alma aos deuses da política. Só que o PS já não tem alma pois o primeiro-ministro Emérito vulgo Costa vendeu-a para garantir o poder numas eleições que afinal perdeu depois de uma “traição”. Este tacticismo oportunista vem mudar a natureza do regime.  (...)

Quase Tudo Neste Mundo É Impermanente


Quase tudo neste mundo é impermanente. Nada nos pertence porque não somos daqui.Quem não sabe viver, adia o instante e perde esse dom. Nesta vida, adiar é perder. Aqui e agora temos o dever de pedir e de agradecer, também o de abraçar e o de deixar ir... o de aprender a viver nesta tempestade de razões e emoções.

Dar é viver e reter é morrer. Mas nem todos são capazes de viver de forma plena, porque muitos são os que não compreendem que a vida se vive em marés de apego e desapego. Mantendo os braços bem abertos... para abraçar, mas também para deixar ir... como se o peito fosse uma janela... por onde importa que a luz, o ar e os outros encontrem caminho...

(José Luís Nunes Martins)

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (265)

Uma estratégia para Portugal -   Nos últimos vinte anos a navegação à vista, as decisões de curto prazo, os projectos contraditórios e a multiplicidade de iniciativas sem orientação estratégica, têm empobrecido o País.          (Henrique Neto, OBSR)

Há muitos anos que em Portugal se navega à vista e com políticas avulsas e contraditórias entre si, o que limita o crescimento económico e empobrece os portugueses. É o caso, por exemplo, do PRR- Plano de recuperação e Resiliência, uma manta de retalhos de projectos contraditórios para todos os gostos e sem direcção certa. 

Murmúrios


Quantas frases buscadas e não ditas
As mais rebuscadas nem sempre as “benditas”
Palavras e desencontros por aí perdidos
No silêncio clamando como mendigo
Um abraço sincero em forma de abrigo
Apelo não dito que só pode escutar
Aqueles que amam sem nada falar
Sentimento ...

(Alfredo Bochi Brum)

domingo, 17 de dezembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (264)

      Pedro Nuno Santos: não é virar a página, é colar as páginas   (Ana Sá Lopes, Público)

Sérgio Sousa Pinto, um dos notáveis socialistas que estiveram contra a "geringonça" de 2015, terminou o seu texto no Expresso em que manifestou o seu apoio a Pedro Nuno Santos com a seguinte frase: “Por mim, estou com o virar de página.”

Refúgio


Quem disse que as casas não tinham vida, ainda não viveu completamente a sua casa.

As casas são mais do que uma toca para onde fugimos no fim do dia, ou um refúgio nas horas de aconchego. São livros que escrevem as nossas memórias, e que guardam detalhes de nós. Se as suas paredes falassem iriam provavelmente lembra-lo dos tempos em que as gargalhadas ao jantar silenciavam o barulho da rua, ou quando os seus filhos deram os primeiros passos entre várias quedas, mas principalmente iriam lembrar aos menos crentes que uma casa não é apenas feita de tijolos e cimento, mas de história e identidade – a sua, e a dos seus.

Sem quadros, sem mobílias, sem vestígios de ‘’nós’’, a casa é uma obra de arquitetura, sem vida, sem voz, sem alma. Daí a importância das memorias, das lembranças e das heranças – peças de nós, linhas da nossa história que compõem a imagem geral da decoração dos espaços que habitamos diariamente.

A decoração das nossas casas não é fútil mas útil. É o que somos, 
onde fomos, e para onde vamos todos os dias. 

(Maria Matos, Casa)