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- "Nuno Rebelo de Sousa esconde alguma coisa de muito grave ou então não se compreende a sua posição"
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- É preferível um acordo com o Líbano, mas lutaremos se for necessário, diz Yoav Gallant
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quarta-feira, 3 de julho de 2024
Notícias Ao Fim Da Tarde
A Degradação A Que Chegou A Escola Pública
A luta dos professores, numa intensidade nunca vista, trouxe ao de cima, a degradação a que chegou este grande sustentáculo de qualquer sociedade democrática que, entre nós, dá pelo nome de Escola Pública.
Esta degradação está bem estampada nas classificações (os rankings), oficialmente divulgadas, que põem em evidência uma quantidade preocupante de escolas públicas más e de alunos maus. Uma realidade vergonhosa, que reflecte a muito pouca atenção que tem sido dada a este sector, por parte dos sucessivos governos do Portugal de Abril.Aqui, a Escola falhou completamente
“De uma vez por todas, o país tem de compreender que o maior défice que temos não é o das finanças. O maior défice que temos é o défice que acumulámos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de formação e de ausência de preparação.”
A verdade é que esta situação não se inverteu. A verdade é que, depois de 50 anos de liberdade em democracia,continuamos a ser um povo maioritariamente desinteressado pelos valores da ciência e da cultura, alienados pelo “jogo da bola” e em que a grande maioria dos apoiantes e votantes nos partidos políticos desconhecem os fundamentos das respectivas ideologias.
A iliteracia cultural e científica de uma parte importante da nossa população, a todos os níveis socioprofissionais, é a prova provada desse falhanço.
São muitos os portugueses a quem a escola deu e continua a dar diplomas, mas não deu e continua a não dar a educação, a formação e a preparação essenciais a uma cidadania plena. (...)
[Os] resultados do PISA trazem, ao de cima, uma geração de adolescentes:
- sem interesse pelo saber,
- ignorantes de quase tudo,
- mergulhados a fundo nos seus smartphones,
- vítimas de reformas educativas que lhes diminuíram ou retiraram a capacidade crítica, em que o rigor foi substituído pela facilidade.
A diluição de disciplinas como História, Filosofia e Literatura, são disso testemunho.
As direcções das escolas têm sido pressionadas no sentido de facilitar as aprovações e os professores são convidados a agirem em conformidade.
Reprovar um aluno representa hoje, para o professor, e para os professores do conselho de turma, ter de justificar essa decisão, depois de elaborar e aplicar planos e medidas burocráticas (de eficácia nula) que mais parecem um castigo aplicado aos docentes, a que eles fogem subindo as notas.(...)
A falta de professores é uma realidade por demais conhecida e todos sabemos porquê – A profissão não agrada a ninguém. O que temos vindo a fazer é pôr remendos. (...)
Temos agora um novo governo e um novo Ministro da tutela e o meu mais sincero desejo é que ele, ao contrário dos seus antecessores, tenha a força necessárias para demolir o mais que obsoleto edifício da Educação que temos tido e, em seu lugar, fazer surgir um outro, concebido e levado a cabo, numa profícua colaboração entre governo e oposições, para durar três ou mais legislaturas e que envolva gente verdadeiramente capaz de o concretizar, gente que entre na poderosa “máquina ministerial”, melhore o que tiver de ser melhorado e varra o que tiver de ser varrido.
Os professores consomem muitas horas em reuniões inúteis, mas poucas dedicadas ao trabalho lectivo que devia ser o seu principal objectivo.
A carga burocrática que se abate sobre os docentes, em planos arrevesados descritivos de metodologias e estratégias, «adaptações» de critérios de avaliação e obrigatoriedade de justificações que se traduzem em inflação de classificações para obter sucesso estatístico. (...)
“De uma vez por todas, o país tem de compreender que o maior défice que temos não é o das finanças. O maior défice que temos é o défice que acumulámos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de formação e de ausência de preparação.”
A verdade é que esta situação não se inverteu. A verdade é que, depois de 50 anos de liberdade em democracia,continuamos a ser um povo maioritariamente desinteressado pelos valores da ciência e da cultura, alienados pelo “jogo da bola” e em que a grande maioria dos apoiantes e votantes nos partidos políticos desconhecem os fundamentos das respectivas ideologias.
A iliteracia cultural e científica de uma parte importante da nossa população, a todos os níveis socioprofissionais, é a prova provada desse falhanço.
São muitos os portugueses a quem a escola deu e continua a dar diplomas, mas não deu e continua a não dar a educação, a formação e a preparação essenciais a uma cidadania plena. (...)
[Os] resultados do PISA trazem, ao de cima, uma geração de adolescentes:
- sem interesse pelo saber,
- ignorantes de quase tudo,
- mergulhados a fundo nos seus smartphones,
- vítimas de reformas educativas que lhes diminuíram ou retiraram a capacidade crítica, em que o rigor foi substituído pela facilidade.
A diluição de disciplinas como História, Filosofia e Literatura, são disso testemunho.
As direcções das escolas têm sido pressionadas no sentido de facilitar as aprovações e os professores são convidados a agirem em conformidade.
Reprovar um aluno representa hoje, para o professor, e para os professores do conselho de turma, ter de justificar essa decisão, depois de elaborar e aplicar planos e medidas burocráticas (de eficácia nula) que mais parecem um castigo aplicado aos docentes, a que eles fogem subindo as notas.(...)
A falta de professores é uma realidade por demais conhecida e todos sabemos porquê – A profissão não agrada a ninguém. O que temos vindo a fazer é pôr remendos. (...)
Temos agora um novo governo e um novo Ministro da tutela e o meu mais sincero desejo é que ele, ao contrário dos seus antecessores, tenha a força necessárias para demolir o mais que obsoleto edifício da Educação que temos tido e, em seu lugar, fazer surgir um outro, concebido e levado a cabo, numa profícua colaboração entre governo e oposições, para durar três ou mais legislaturas e que envolva gente verdadeiramente capaz de o concretizar, gente que entre na poderosa “máquina ministerial”, melhore o que tiver de ser melhorado e varra o que tiver de ser varrido.
Os professores consomem muitas horas em reuniões inúteis, mas poucas dedicadas ao trabalho lectivo que devia ser o seu principal objectivo.
A carga burocrática que se abate sobre os docentes, em planos arrevesados descritivos de metodologias e estratégias, «adaptações» de critérios de avaliação e obrigatoriedade de justificações que se traduzem em inflação de classificações para obter sucesso estatístico. (...)
( Por A. M. Galopim de Carvalho, na Sessão Comemorativa do Dia da Cidade, no Palácio de D. Manuel. Évora e afixado por Carlos Medina Ribeiro, no Sorumbático)
A Frase (151)
Quem pensa que já não há esquerda, nem direita e que a modernidade nos impõe uma ausência de alternativas que esvazia as opções políticas, transformando o governo de uma instância política eleita numa mera governança a resolver entre economistas, pode olhar para França e para o destino de Macron e ver, na prática, o resultado de tão modernas e arejadas ideias de antipolítica. (Luís Castro Mendes,DN)
Macron destruiu a esquerda social democrata (que estava a renascer, mas a quem a dissolução veio prematuramente cortar as asas) e a direita republicana, acreditando que o seu Governo de direita neoliberal, disfarçado de centro político, iria domesticar a política francesa, cortando direitos sociais e aliviando a tributação dos ricos. Obviamente, abriu o caminho à extrema-direita. E pôs toda a esquerda a aliar-se, sem alternativa, a Mélenchon. (...)
No Meio Da Confusão É Preciso Ver Para Além Do Que Se Pode Olhar ...
A agitação permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar referências mais adiante, mas é preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posição mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. .. estabelecer os alicerces sobre o que é sólido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal... confiar sempre que há mais vida para lá desta. Que a nossa existência, tal como a conhecemos, é apenas um pedaço.
Lembra-te que não há tantas verdades quantas pessoas, há uma só verdade... e imensas mentiras, erros e imprecisões. Confia na verdade, ainda que não a possas ver ou compreender.
Não vás onde te levam as emoções. Nem vás para onde vão os outros. Constrói o teu plano com base na verdade que és, constrói-te... e sê feliz. Apesar de tudo.No meio da confusão é preciso ver para além do que se pode olhar.
(José Luís Nunes Martins)
terça-feira, 2 de julho de 2024
Notícias Ao Fim Da Tarde
- Aprender a Comer: Porque não podemos deixar de pensar em comida?
- Mariana Rio, ilustre também através do text
- Morreu o capitão de Abril Manuel Franco C
- Contra a força de Tadej, não há resistência
- FARRA: o novo palco da arte contemporânea em Elvas
- Abertis vai apresentar proposta de compra da Douro Litoral
- Inflação de junho "é positiva", mas caminho vai ser "acidentado", diz Lagarde
- Fundos de investimento: Investir na África do Sul?
- Wall Street sem tendência definida.
- Tesla pula mais de 5% com vendas acima do esperado
- Ucrânia: Zelensky quer paz justa e Órban pede cessar-fogo
- Fábrica da Stellantis em Mangualde já fabrica elétricos. Produção em série arranca em outubro
- Governo não vai colocar “nem mais um cêntimo” na proposta para forças de segurança
- Riscos geopolíticos pressionam juros no curto prazo
- Rosário Partidário: "Governo não deve ficar à espera da ANA" para avançar com aeroporto
- Transporte ferroviário de mercadorias com apoio de 45 milhõesAgenda anticorrupção disponível para consulta pública
- PCP afasta coligações com o PS nas próximas autárquicas
- Abertis interessada na AEDL. Proposta é de 300 milhões
- Lagarde e Powell cautelosos sobre futuro das taxas de juro
- Novo portal de denúncias envolve 16 entidades públicas
- Advogado da mãe das gémeas entrega parecer que justifica sigilo ao Parlamento
- González Urrutia e Corina Machado. Irão eles derrubar Maduro?
- Morreu o antigo capitão de Abril Manuel Franco Charais
- Ucrânia: Zelensky quer paz justa e Orbán pede cessar-fogo para negociações
- Chega mantém saída de Albuquerque como condição para viabilizar programa na MadeiraMais de 110 mortos em debandada durante evento religioso na Índia
- Ministério das Finanças diz que previsões do FMI "confirmam cenário macroeconómico" do Governo
- Turbulência faz mais 30 feridos durante voo. Avião obrigado a aterrar de emergência no Brasil
- Primeiro-ministro recusa trazer "instabilidade financeira, o sofrimento para todos só para cumprir o interesse particular de alguns"
- PSP e GNR no Parlamento: Sindicatos não querem mas Movimento Zero e INOP vão responder ao apelo de Ventura
- Forças de segurança: depois de Montenegro garantir "nem mais um cêntimo", ministra salienta "boa vontade" do Governo
- Orbán diz a Zelensky para considerar cessar-fogo que permita negociações de paz
- Os F-16 do Ocidente ainda não chegaram à Ucrânia mas já são um dos principais alvos da Rússia
- Bombas aéreas guiadas com que a Rússia devastou a Ucrânia estão a cair no próprio território
- Mais soldados e uma ameaça nuclear. Tensão cresce na fronteira com a Bielorrússia, Ucrânia fala em "operação de informação"
- "No limite" e com "futuro incerto". Médicos e enfermeiros alertam para dificuldades no terreno e batem o pé ao Governo em pleno verão
- "A extrema-direita saiu do armário" e os eleitores europeus "já não têm vergonha" nem "medo" de votar nos partidos populistas"
- A camisola amarela de França vai ser a instabilidade e a incerteza". O que vai acontecer até à segunda volta das eleições (e depois dela) – e o que isso significa para a V República
- Centeno espera "mais alguns" cortes nas taxas de juro este ano
- "Imune. Imune, imune, imune. O presidente é agora um rei acima da lei".
- Supremo dos EUA garante imunidade a Trump em atos oficiais
- Ex-assessor de Trump começa a cumprir pena por obstrução à justiça
- O que aconteceria se Biden decidisse abandonar a corrida?
- Biden afirma que decisão sobre imunidade de Trump abre "precedente perigoso"
- Staff médico e doentes deixam hospital após aviso de Israel, diz OMS
A Frase (150)
O mais importante, e aquilo que está em causa tanto em França, actualmente, ou em toda a Europa é isto: o acto difícil de se querer ser humano em tempos de total apostasia social. (Gonçalo Soares Jesus, OBSR)Votar não pode ser tão só um favor do eleitorado, em formato de acto-resposta, quanto a um apelo desesperado de terceiros. Votar, e escolher em quem votar, tem de ser um acto oferecidamente ponderado, consciente, quanto a um programa político sério, discriminado, e não uma adesão quase tácita a uma súplica eleitoral exigida em grito de socorro provindo de cartazes rasgados a metades. (...)
O que se quer dizer, sem rodeios: apelar ao voto, por si ou por interposta gente, sem compromissos palpáveis que demonstrem paixão real pelo futuro humano, é não levar as pessoas a sério, o que as fará, inevitavelmente, entregar o seu destino a quem melhor apele e não a quem mais nelas pense. França, que explicitamente anuncia aquilo que se expandirá Europa fora, anuncia, ainda mais, que inexiste melhor altura para o futuro da democracia. Evidentemente, é tempo de tornar o mundo democrático mais íntimo e próximo do eleitorado. (...)
Aqui, precisamente, começa a salvação da democracia, ou de França, ou de Portugal, ou da Europa ou até da espécie: no encontro de um valor que se sobreponha aos gritos selvagens de uma vida sempre imposta por terceiros. Só a partir daí acontecerá o verdadeiro encontro do humano pelo humano, no seio do próprio humano, que passará a ser o que nunca foi: humano-humano.
O que se quer dizer, sem rodeios: apelar ao voto, por si ou por interposta gente, sem compromissos palpáveis que demonstrem paixão real pelo futuro humano, é não levar as pessoas a sério, o que as fará, inevitavelmente, entregar o seu destino a quem melhor apele e não a quem mais nelas pense. França, que explicitamente anuncia aquilo que se expandirá Europa fora, anuncia, ainda mais, que inexiste melhor altura para o futuro da democracia. Evidentemente, é tempo de tornar o mundo democrático mais íntimo e próximo do eleitorado. (...)
Aqui, precisamente, começa a salvação da democracia, ou de França, ou de Portugal, ou da Europa ou até da espécie: no encontro de um valor que se sobreponha aos gritos selvagens de uma vida sempre imposta por terceiros. Só a partir daí acontecerá o verdadeiro encontro do humano pelo humano, no seio do próprio humano, que passará a ser o que nunca foi: humano-humano.
Foi Tudo Muito Súbito
Foi tudo muito súbito
tudo muito susto
tudo assim como a resposta
fica quando chega a pergunta
esse meio assunto
que é quando a gente está longe
e continua junto
(P. Leminski)
segunda-feira, 1 de julho de 2024
Notícias Ao Fim Da Tarde
- Reclamações no Livro Eletrónico totalizam mais de um milhão
- Presidente do INEM pede a demissão à ministra da Saúde
- Reconhecer qualificações “ainda é corrida de obstáculos”
- Países Baixos. Extrema-direita conclui acordo para Governo
- Montenegro garante a Costa “total colaboração e cooperação
- Ministério das Finanças: FMI "confirma cenário macroeconómico" do Governo
- Veja o programa Negócios desta segunda-feira, 01 de julho no canal NOW
- Wall Street abre a semana a negociar mista após resultados das eleições francesas
- Montenegro garante a Costa "total colaboração"
- Está o crédito privado a tornar-se um problema público?
- IMF – Membros do BCE esperam cortes graduais
- FMI revê em alta PIB e aproxima-se do Banco de Portugal
- Boeing volta a comprar a Spirit AeroSystems. Airbus assume negócios europeus por 1 dólar
- Economia desacelera em junho com menor contributo da procura externa líquida
- Governo estima poupança de 20 milhões com concentração de ministérios num edifício As lágrimas de Biniam são o orgulho de uma nação
- Supremo diz que Trump tem imunidade parcial
- Presidente do INEM à beira da demissão
- FMI duvida da eficácia do IRS Jov
- Reino Unido não é prioritário para UE"
- Imune. Imune, imune, imune. O presidente é agora um rei acima da lei". Supremo dos EUA garante imunidade a Trump em atos oficiaisO que aconteceria se Biden decidisse abandonar a corrida?
- Presidente do INEM demite-se após polémica com helicópteros
- Montenegro deseja a Costa, "em nome dos portugueses, muito sucesso, felicidades e bom trabalho" no Conselho Europeu
- Perdeu-se o "medo de votar na extrema-direita". Pelo meio Macron foi uma "catástrofe" e Le Pen tornou-se um "perigo iminente"
- Juros da dívida francesa já estão mais caros que os de Portugal - o impacto das eleições no mercado
- A extrema-direita "está às portas do poder" em França.
- Partido de Le Pen vence a primeira volta e é alvo a abater
- Bardella já não vê partido de Macron como ameaça. "Chegou o momento de dar o poder a líderes que vos compreendem"
- Um certo saudosismo, nesta frente de esquerda em França”, que parece “colada a cuspo”
- “É um desastre e um desafio para a direita”. Para Seixas da Costa, resultados em França são “um referendo a Macron”
- Rússia pode estar a preparar uma guerra híbrida contra o Ocidente
- Rússia anuncia conquista de duas localidades em Kharkiv e Donetsk
- Mais soldados e uma ameaça nuclear.
- Tensão cresce na fronteira com a Bielorrússia, Ucrânia fala em "operação de informação"
- Morreu o cantor e compositor Fausto Bordalo Dias. Tinha 75 anos "Esclarecimento político através da música". Fausto pelo maestro Victorino D'Almeida
- FMI alerta que IRS jovem leva a perda de receita "considerável" e tem eficácia "incerta"
- Ministro da Segurança Nacional israelita critica libertação do diretor do al-Shifa
A Frase (149)
A França até pode brindar a esquerda com um resultado favorável no próximo domingo, com a soma dos votos macronistas, mas dificilmente quebrará a atual dinâmica do partido de Le Pen, que aponta às presidenciais. E com uma Europa a tremer, que dificilmente sobreviverá sem a França. (Eduardo Dâmaso, CM)
A previsível vitória da extrema-direita na primeira volta das eleições arrasta muitas más notícias sobre o sistema político francês. O xadrez saído da II Guerra já tinha sido varrido pela queda dos comunistas, mais recentemente dos socialistas, agora dos gaullistas. Quando se apresenta em 2017, Macron já era um produto híbrido entre a tecnocracia financeira, a social-democracia e os restos de uma esquerda possibilista e desencantada com os ditos partidos tradicionais. (...)
Há Sem Dúvida Quem Ame O Infinito
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto me dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
(Fernando Pessoa, poesias de álvaro de campos
edições ática 1980)
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