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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Lembrança


Chega uma época em que nos damos conta de que tudo o que fazemos 
se transformará em lembrança um dia. É a maturidade. 
Para alcançá-la, é preciso justamente já ter lembranças.

(Cesare Pavese)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (19)

A campanha presidencial sofre de um colapso político. Depois do debate entre Ventura e Seguro os portugueses sabem que o voto é entre a banalidade e o vazio.   (Carlos Marques de Almeida, ECO)

As banalidades de Seguro têm o equivalente político no vazio de Ventura. Seguro é um sussurro político para tranquilizar o sistema. Ventura é um megafone político para perturbar o sistema. Seguro não tem ideias porque em Portugal as ideias são um obstáculo ao normal funcionamento da democracia. Ventura sem megafone revela o vazio de ideias que se alimenta da crítica às banalidades de Seguro. 

Desta observação fica a conclusão política sobre as presidenciais – Seguro é moderado porque só pode ser moderado para existir politicamente; Ventura é radical porque só pode ser radical para existir politicamente. Seguro não pretende ir a lado nenhum. Ventura segue o impulso de uma aventura política. O paradoxo das presidenciais é que os candidatos são mais forma do que conteúdo político. (...)

A campanha presidencial está reduzida a votómetros, radares de sondagens e pensamento mágico. A campanha presidencial é o hate-bombing contra love-bombing, mais o controlo e o descontrolo, mais a doutrinação sem doutrina, mais os segredos privados e as públicas virtudes, mais todo um elenco de sentimentos sem culpa. Com a esquerda anulada, a direita clássica está ausente, a direita populista está em roda livre e a grande família das direitas não percebe o seu papel na nova configuração do Regime. A grande família das direitas esconde-se no apoio a Seguro.

O próximo Presidente da República será escolhido pela filiação a uma imagem política e não pela adesão a um programa político.   (texto na íntegra)

Um Dia A Gente Aprende ...

 

Um dia a gente aprende a construir todas as nossas estradas no hoje;
Porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.”

(William Shakespeare)

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (18)

Os Estados Unidos vão atacar o Irão? Esta é a pergunta que quase toda a gente coloca, tendo em vista a extraordinária concentração de meios militares americanos no Golfo Pérsico. Que tipo de intervenção poderá ser? A imprensa americana fala nos vários cenários que estão em cima da mesa, à consideração do Presidente. Decapitar o regime? Destruir as centrais nucleares e as bases de mísseis? Atingir a Guarda Revolucionária?     (Teresa Sousa, Público)

O Sonho


O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre.

(Adélia Prado)

sábado, 31 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Nenhuma Das Escolhas Garante O Resultado Pretendido

Já Temos os “católicos por Seguro”, os “maçons por Seguro”, os “médicos por Seguro”, os “não-socialistas por Seguro”, os “sociais-democratas por Seguro”, os “socialistas por Seguro”, os “artistas por Seguro”, os “leninistas por Seguro”, os “liberais por Seguro”, os “ex-presidentes da República por Seguro” e os “ex-candidatos à presidência da República por Seguro”. Aguarda-se a todo o momento o apoio ao candidato por parte dos astrólogos e da Federação Ribatejana de Pelota Basca. 

Tamanho consenso devia ser irritante. No caso, o consenso é sobretudo esquisito, visto que se ergueu num ápice e em volta de alguém tão improvável. Há uns meses, ninguém se lembrava do dr. Seguro. Há uns anos, o dr. Seguro não lembrava a ninguém. Durante três décadas de carreira política, o dr. Seguro, outrora o vagamente popular “Tozé”, foi o típico apparatchik que subiu sem estrondo na hierarquia partidária. Após atingir o topo, viu-se enxotado sem maneiras e decidiu hibernar. Não deixou uma marca, uma ideia, sequer um espaço vazio. A sua ausência notou-se tanto quanto a presença: não se notou. (...)

 Eu, que não rio do dr. Ventura e não o receio (nem venero), julgo que se atribui à personagem propriedades excessivas: são tais os esforços para não o “normalizar” que o pintam com aptidões paranormais. Não alinho em crendices. O dr. Ventura é apenas um político que, às vezes com razão e às vezes sem ela, ameaça a famosa “estabilidade” a ponto de federar os beneficiários desta num curioso pot-pourri. Quem não aprecia excessivamente a “estabilidade” e os seus beneficiários, votará no dr. Ventura. Quem acha que a “estabilidade” nos tem dado sucessivas alegrias, votará no pot-pourri, perdão, no dr. Seguro. E nenhuma das escolhas garante o resultado pretendido.   

( Tópicos do texto de Alberto Gonçalves, OBSR)

"Cede A Filosofia À Natureza"

Tenho assaz conservado o rosto enxuto
Contra as iras do Fado omnipotente;
Assaz contigo, ó Sócrates, na mente,
À dor neguei das queixas o tributo.

Sinto engelhar-se da constância o fruto,
Cai no meu coração nova semente;
Já me não vale um ânimo inocente;
Gritos da Natureza, eu vos escuto!

Jazer mudo entre as garras da Amargura,
D'alma estóica aspirar à vã grandeza,
Quando orgulho não for, será loucura.

No espírito maior sempre há fraqueza,
E, abafada no horror da desventura,
Cede a Filosofia à Natureza.

(Bocage)

Nota: "Cede a Filosofia à Natureza" reflete a fragilidade humana perante a dor e a desventura. O eu lírico assume que, apesar de tentar manter uma postura estóica e racional (filosofia/Sócrates), sucumbe aos sentimentos e gritos da própria natureza humana.
Temática: A superação da razão (filosofia) pelas emoções e sofrimento físico/emocional (natureza).
Contexto: O poema demonstra a aceitação da fraqueza interior quando confrontado com a "desventura".