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quarta-feira, 8 de abril de 2026

A Frase (60)

 O mundo caminha para um abismo. Em todo o lado há milhões de pessoas que legitimam loucos pelo voto. Não é isso que me surpreende, foi sempre assim. O que não foi sempre assim é a ausência de quem nos convença de que há um sonho para ser sonhado. Já não existem existencialistas, neorrealistas, surrealistas e abjecionistas. Cada um está por si e a navegar à volta do seu umbigo – mesmo os que têm muito talento.    (Luís Osório, DN)   

Toda A Verdadeira Vida É Encontro

O ser humano torna-se eu pela relação com o você. 
À medida que me torno eu, digo você. 
Todo viver real é encontro.

 (Martin Buber)

O problema do homem como ser de relação, como ser aberto ao diálogo com o Tu.

Segundo Bubber, há uma distinção fundamental entre diferentes maneiras de nos posicionarmos no mundo. As nossas possibilidades de abertura quando em contato com a realidade objetiva e existencial definem a nossa vocação dialógica.
EU/TU - EU/ISSO

Existe o Eu-Tu, que é formado pelo sujeito-sujeito, sendo que o “Tu” representa o mundo de cada sujeito. Falar de Eu-Tu, diz-se respeito ao mundo da relação, trata-se de uma relação que é imediata, onde se há uma reciprocidade e uma dialogicidade. Quando se fala Eu-Isso, trata-se do mundo da experiência, do conhecimento, é o distanciamento do Tu, pois, quando se apropria de algo para a constituição de saberes, o Eu não se faz presente em uma relação, mas, em uma experimentação

Em outras palavras quando o melhor que habita em mim encontra o melhor que habita em você, criamos uma relação onde a nossa mentalidade e emoções estão alinhadas e ambas caminham na mesma direção. Para isso, é necessário que haja um diálogo, ou seja, uma interação direta entre as pessoas, de modo que uma integre a realidade da outra de forma ativa. Do contrário, se torna uma relação pautada pelo Eu- Isso, ou seja, pelo distanciamento..

O conceito de liberdade em Buber está atrelado ao indivíduo ciente da relação e da presença do Tu, desta maneira, o homem se torna hábil para tomar decisões, sendo, portanto, um ser livre e competente para encontrar seu destino

Eu-Tu e Tu-Eu é representado pela forma como olhamos o outro, como o outro nos vê e como nos reconhecemos mutuamente. Para isso, existem três elementos considerados essenciais e que são respectivamente: o diálogo, o encontro e a responsabilidade.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

A estratégia imperialista de Trump está a destruir a ordem global. O ajustamento estratégico que as outras potências farão em resposta é difícil de prever. Mas o que sabemos é que o mundo está muito mais perigoso e blocalizado. E vai ficar ainda mais. Resta à Europa perceber que tudo mudou e assumir a coragem, mobilizar os recursos, e desenvolver a capacidade para continuar a apoiar a Ucrânia, que está a lutar valentemente pela liberdade. A Europa tem também de reforçar a sua autonomia estratégica, militar, digital e financeira, enquanto grande bloco mundial, o mais rapidamente possível.   (Filipe Santos, J Negócios)

A eficiência económica não é inimiga da justiça social, é a sua condição. Enquanto o Estado continuar a confundir bondade com economia, continuará a falhar nas duas.   (João Tovar Salles, ECO)

Há leis que envelhecem tão mal como os edifícios que pretendem proteger, e o arrendamento vitalício é um exemplo paradigmático. Trata-se de uma distorção (e aberração) jurídica e económica que, em nome de uma compaixão social mal desenhada, bloqueia o funcionamento do mercado da habitação, desincentiva o investimento e gera injustiças profundas entre cidadãos.

Portugal é hoje uma exceção europeia. Na maioria das economias avançadas, a proteção no arrendamento é temporária, transparente e pública, compatível com a liberdade contratual e os direitos de propriedade. Aqui, mantivemos um regime onde a propriedade existe formalmente, mas o uso está sequestrado. A compaixão transformou-se numa forma de expropriação disfarçada. Os defensores do sistema afirmam que acabar com o arrendamento vitalício seria “desumano”. Mas o que é verdadeiramente desumano é perpetuar uma ficção jurídica que adia soluções reais. Nenhum mercado funciona com contratos perpétuos, sem ajustamento, sem partilha de risco e sem responsabilidade pública. A economia política mostra que quando o Estado evita decisões difíceis, transfere os custos para grupos difusos e perpetua ineficiências. Não se trata de despejar idosos, mas de devolver racionalidade ao sistema.

Ave Da Esperança


Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou a ave da esperança.
Pássaro triste que na luz do sol
Aquece as alegrias do futuro,
O tempo que há-de vir sem este muro
De silêncio e negrura
A cercá-lo de medo e de espessura
Maciça e tumular;
O tempo que há-de vir - esse desejo
Com asas, primavera e liberdade;
Tempo que ninguém há-de
Corromper
Com palavras de amor, que são a morte
Antes de se morrer.

(Miguel Torga)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Para Seguro o problema não é a Constituição, é cumprir a Constituição, o que significa que quer cumprir o “programa” da Lei Fundamental. Ora o problema é exactamente o “programa”, que nem devia existir

António José Seguro disse, no seu discurso na cerimónia dos 50 anos da Constituição da República, uma frase que passou erradamente despercebida: “A frustração que muitos portugueses sentem não é da Constituição, é do seu incumprimento”.

Só que há um problema, e esse é o problema que esteve no coração de algumas das anteriores revisões constitucionais e continua a justificar que não se olhe para a nossa Constituição como um texto imutável. Trata-se de saber se o que queremos de um texto constitucional é um conjunto de regras ou se pretendemos ter um texto programático.

É por isso que não é irrelevante perceber a que tipo de “incumprimento” se refere o Presidente da República.

Aquilo que toda a Constituição democrática deve garantir é que, em qualquer momento, os eleitores podem escolher caminhos diversos para a sociedade e que até é natural que, com o passar dos anos, e das décadas, aquilo que numa altura é o melhor consenso sobre as nossas escolhas de sociedade possa deixar de o ser, não tendo o futuro de estar predefinido na Lei Fundamental

Desde o dia 2 de Abril de 1976, a Constituição da República se transformou na trincheira dos que sempre desejaram congelar Portugal em 1976, ou mesmo 1975, dos que a seguir sempre se opuseram a todas as revisões constitucionais (o PCP e as esquerdas radicais) ou aqueles que sempre procuraram limitar as alterações ao mínimo, por vezes mesmo a um mínimo indispensável que só foram aceitando por obrigações de integração europeia (o Partido Socialista).

Mas foi apesar destas e doutras que mesmo assim foi sendo possível não só fazer evoluir o texto constitucional, como sobretudo ir experimentando soluções de governo alternativas e rivais.

É finalmente por estas e por outras que considero perigosa a frase do novo Presidente da República – perigosa mas reveladora: reveladora por ser um reconhecimento implícito de que a nossa Constituição tem uma componente programática e reveladora por reforçar a ideia de uma trincheira que se tem de defender, de um e só um modelo de sociedade que há “que cumprir”, sempre na linha de que há um “25 de Abril” a que “murcharam” a festa.

O problema deste entrincheiramento é que mesmo não podendo nós – nem devendo – atribuir os nossos males à Constituição na sua actual versão, a identificação entre uma linha programática e um regime, ambos confundidos no mesmo texto fundacional, leva a que, quando chega a desilusão, seja o próprio regime que possa ser posto em causa, e sabemos que já há quem o faça.  

(Tópicos do texto 'Donos da Constituição, 'Donos da Democracia, Donos disto tudo', José Manuel Fernandes, OBSR)

Pois, A Emoção ...


Pois, A emoção é decerto uma forma de se subir mais alto.
E quando cai, de se cair de mais alto. Aprende a serenidade.
Porque mesmo que caias, não te magoas tanto.

(Vergílio Ferreira)

sábado, 4 de abril de 2026

É Tempo De Renovação

Notícias Ao Fim Da Tarde