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sexta-feira, 24 de novembro de 2017
Pedro Rolo Duarte (1964-2017)
Esta É A Frase
O governo deixou-se enlear na teia de aranha urdida pelos apoiantes da solução governativa, pelos seus sucedâneos e pelas circunstâncias de uma narrativa de disponibilidade para regressar ao passado. E, com maior ou menor habilidade política, é assim que estamos, a voar sobre a teia de aranha, qual ninho de cucos. Dar a uns significará dar o mesmo aos restantes ou generalizar a agitação social, até agora alimentada por questões de natureza setorial ou de calendário.António Galamba, Ji
Instante ...
Friedrich Nietzsche
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Será Que Passou A Era Do Ilusionismo E Finamente Começamos A Entrar No Realismo ?
Presidente da República no dia 20 de Novembro, citado pelo Público: “A crise deixou marcas profundas, é uma ilusão achar que é possível voltar ao ponto em que nos encontrávamos antes da crise – isso não há!(…) A segunda ilusão é achar que se pode olhar para os tempos pós-crise da mesma forma que se olhava antes [para os problemas], como se não tivesse havido crise. A crise deixou traços profundos e temos de olhar para eles”.
Primeiro-ministro dia 21 de Novembro: “A ilusão de que é possível tudo para todos já não existe isso” e “se queremos investir mais na qualidade da educação, na qualidade do sistema de saúde e nos serviços públicos não podemos consumir todos os recursos disponíveis com quem trabalha no Estado”.
Repare-se que há expressões quase iguais. Um diz “isso não há”, o outro diz “não existe isso”. Concertados ou não, pouco importa.
Repare-se que há expressões quase iguais. Um diz “isso não há”, o outro diz “não existe isso”. Concertados ou não, pouco importa.
O que importa é que entrámos numa nova fase em que afinal há escolhas difíceis, em que o mundo não se divide entre os bons que nos aumentam o rendimento e os maus que nos tiram rendimento.
Temos todas as razões para estarmos satisfeitos. Passou a era do ilusionismo e entrámos na era do realismo. Um e outro ditados pela política enquanto arte conquistar e manter o poder.
Foi preciso sermos confrontados com a revindicação dos professores para ouvir o Governo dizer, implicitamente, que não há dinheiro, que não podemos ter ilusões. Antes tarde do que nunca, especialmente porque o caminho que estávamos a seguir nos condenaria, mais cedo ou mais tarde, ao desastre.
Esta nova via dá-nos mais garantias mas continuamos no fio da navalha. Porque é preciso escolher um caminho que faça a mudança que nos levou para os braços da troika. E isso, este Governo pode não ter condições políticas, nem vontade, para o fazer.
(excertos do artigo de Helena Garrido, hoje no OBSR)
Quem Me Mandou A Mim Querer Perceber ?
Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...
Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?
Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...
Alberto Caeiro
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
O Governo Caiu Na Sua Própria Ratoeira
António Costa entretém-nos com mais um sapateado: agora é o Infarmed. Esperemos que a ideia não seja pôr-nos a olhar para o Porto para tentar disfarçar o que se passa no país. Na verdade, nada esconde o momento difícil que o Governo atravessa. Já nem as esquerdas aplaudem. Protestam. Tal como o Presidente e a direita, os parceiros também se sentaram na plateia dos críticos. Nos lugares da frente, os sindicatos dão volume à insatisfação. Querem mais. Vão sempre querer mais. Professores, polícias, militares, o país inteiro. Não pode haver filhos e enteados. O PS está desorientado, o partido que se afirmou pela antiausteridade é obrigado a reconhecer que prometeu ilusões “incomportáveis”. Desta vez (?) os socialistas geriram mal as expectativas. As esquerdas fugiram do palco. O Governo caiu na sua própria ratoeira.Bernardo Ferrão, Expresso
Magnificat
Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia !
Álvaro de Campos
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