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domingo, 3 de junho de 2018

Notícias Soltas

Verdade É Que A Desconfiança Aumenta Sobre A Proteção De Dados

Verdade é que a desconfiança aumenta. Com a ideia de que estamos a proteger os dados, corre-se o risco de passar ao lado do essencial. Na verdade, aquilo de que deveria tratar-se era de proteger os cidadãos. Evidentemente, uma coisa leva à outra e vice-versa. Mas é mais interessante colocar a tónica no cidadão. É por ele que se devem proteger os dados. Não o contrário.

Dá para pensar no que acontece ou pode acontecer cada vez que num comércio o funcionário diz, com ar desolado, "Pode por favor digitar outra vez o seu PIN? É que houve uma anomalia...". Com que direito, com que autorização, um serviço fornece os dados pessoais de uma conta bancária? Compreender-se-ia, provavelmente, que esses serviços dissessem ao comerciante que aquele cliente, naquele momento, tinha saldo para cobrir aquela quantia. Mas desvendar os movimentos, os saldos, as entidades que pagaram ou receberam, com datas e montantes, tanto do serviço de multibanco como da conta bancária... Não lembra ao diabo!

Os bancos sabem o que se passa? Como se defendem? As autoridades reguladoras e outras conhecem estes mecanismos? E permitem? A Comissão Nacional de Protecção de Dados está ao corrente desta situação? Fez alguma coisa? A União Europeia e o BCE sabem e permitem? Nos outros países europeus também é assim? Os nossos governantes e os deputados sabem disto? E aceitam? E não se importam?

(excertos do artigo de António Barreto, hoje no DN)

Domingo ...

Adoro o cheiro das manhãs ensolaradas.
Com grama molhada e brisa no ar.
Pássaros cantando, cachorros correndo.
Um café no bule e um pão quentinho com manteiga.
Lembrar que é domingo e que não há compromissos.
E que tenho o dia inteirinho para eu me fazer feliz.


BFB

sábado, 2 de junho de 2018

Notícias Soltas

Pela 2ª Vez Numa Geração A Sociedade Portuguesa Será Apanhada De Surpresa Por Uma Derrocada Devastadora

 Pela segunda vez numa geração, a sociedade portuguesa será apanhada de surpresa por uma derrocada devastadora, que está latente há muito tempo, sem que ninguém dê por ela. É hoje evidente que, apesar dos terríveis sofrimentos da crise passada, os portugueses não aprenderam as lições de 2008.

Se o problema fosse só repetir os erros, era o menos. Mas existe uma diferença decisiva entre a cegueira económica actual e a anterior, que é o mais assustador. Desta vez, devido ao tropeço de 2011, o endividamento externo encontra-se encerrado. É verdade que, como toxicodependentes, as elites celebram entusiasticamente as tímidas aberturas no acesso ao crédito externo, como se empilhar ainda mais dívida fosse boa ideia. No entanto, não será por aí que se conseguem repor os níveis de consumo ruinosos a que nos habituámos. Por isso, desde o encerramento dos mercados em 2009, o meio que tem alimentado a vida nacional, no Estado, empresas e famílias, é o consumo de capital. Portugal vive há dez anos a vender as pratas da casa.

Entregando as grandes companhias nacionais e até casas e terrenos a capitais estrangeiros para financiar consumo, a taxa de poupança das famílias está em mínimos históricos. O investimento público tem sido a rubrica mais cortada, para sustentar as despesas correntes, e as famosas cativações dirigem-se sobretudo aos gastos de funcionamento, degradando serviços. Nas empresas, o investimento e o crédito bancário atingiram mínimos históricos. As tímidas recuperações recentes nada alteram de significativo, pelo que, desde 2013, o investimento se mantém abaixo dos valores de reposição de equipamento. Como a produtividade e a competitividade não param de se degradar, o país encontra-se, realmente, numa lenta decadência, que até é demográfica, pela baixa fertilidade e emigração.

Entretanto, vê-se por todo o lado as pessoas a voltar aos hábitos de vida que tinham antes da crise, perante a bonomia pateta do governo, que se orgulha de baixar impostos, subir salários e pensões, apregoando isto como virtuosismo do senhor ministro das Finanças. Como em 2008, as elites andam satisfeitas, caminhando alegremente para o segundo abismo financeiro da década, no qual, mais uma vez, cairão totalmente de surpresa.

(excertos do artigo de João César das Neves, hoje, no DN)

A Música Pode Ser O Exemplo Do Que Poderia Ter Sido

A música pode ser o exemplo único do que poderia ter sido - se não tivesse havido a invenção da linguagem, a formação das palavras, a análise das ideias - a comunicação das almas.

Marcel Proust  

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Notícias Soltas

Esta É A Frase

( França sempre foi um país que viveu de imigrantes na época em que havia emprego para todos ou quase. E este é o grande problema que o Velho Continente enfrenta: não consegue absorver aqueles que buscam uma vida melhor e também não consegue estancar esta invasão, apostando na melhoria de vida nos países de onde são originários os migrantes.)
«O problema é que as populações começam a assustar-se com estas “invasões” e decidem votar em partidos nacionalistas que prometem resolver-lhes o problema expulsando os “indesejados”. Onde iremos parar, ninguém sabe, mas que não se augura nada de bom é evidente.»
Vitor Rainho, Ji 

Insinceridade ...


quis-nos aos dois enlaçados 
meu amor ao lusco-fusco 
mas sem saber o que busco: 
há poentes desolados 
e o vento às vezes é brusco 

nem o cheiro a maresia 
a rebate nas marés 
na costa de lés a lés 
mais tempo nos duraria 
do que a espuma a nossos pés 

a vida no sol-poente 
fica assim num triste enleio 
entre melindre e receio 
de que a sombra se acrescente 
e nós perdidos no meio 

sem perdão e sem disfarce, 
sem deixar uma pegada 
por sobre a areia molhada, 
a ver o dia apagar-se 
e a noite feita de nada 

por isso afinal não quero 
ir contigo ao lusco-fusco, 
meu amor, nem é sincero 
fingir eu que assim te espero, 
sem saber bem o que busco. 

Vasco Graça Moura